O Palácio de inverno de John Boyne [Resenha Literária]

Uma amiga minha me emprestou para ler quando soube que meu nome era russo. Ela tinha falado tão bem do livro que fiquei hiper empolgada (ou seria mais apropriado um empolgadóvisky para combinar com o tema?), só fiquei com o pé atrás quando li que era do mesmo autor do "O menino do pijama listrado". Nada contra a história em si, mas odeio ver criança sofrendo.

"O Palácio de inverno" nos conta a história de amor da grã-duquesa Anastácia Romanov, com o jovem guarda-costas de seu irmão: Geórgui Danielovitch Jachmenev. O enredo é contado a partir das memórias de um Geórgui idoso, que ora flutuam pelo presente e ora pelo passado. De certa forma podemos dizer que é um desses livros que começam pelo final e terminam pelo começo. Não é um método difícil de entender mas você tem que perceber que a fluidez da narrativa é decrescente.

De uma forma geral, gosto de um livro quando o personagem principal cativa. Não sou do tipo que assiste novelas por causa do personagem secundário que rouba a cena. Se tem bons coadjuvantes eu gosto, só não gosto quando eles são mais legais que os principais, e é o que acontece neste livro. Geórgui é um anjo, aliais o anjo da Anastácia, e faz de tudo pela esposa. É muito bonito ver um amor assim, e minha amiga estava certa quando falou bem desse personagem, no entanto, Zóia/Anastácia é uma personagem muito fraca.

É claro que ela passou por momentos muito traumáticos durante a Revolução. Sei muito bem que existem pessoas assim, que se culpam o tempo inteiro pelas coisas negativas que lhe acontecem e perdem o amor pela vida fazendo um monte de burrices. Entendo muito bem, só prefiro ler histórias sobre pessoas fortes, que lidam com os problemas de maneira mais positiva, ou seja, que se fortalecem quando passam por problemas e não ao contrário, se espatifando como vidro.

Outro ponto que não gostei, foi que o autor não aproveitou o gancho da história para escrever boas cenas de ação. Claro que cada escritor tem a sua "vibe" e prefere dar ênfase a coisas diferentes, mas ele podia ter caprichado um pouco mais para criar expectativas no leitor.

Não digo que foi uma leitura ruim, foi mediana. Recebe meus parabéns pelos esclarecimentos históricos, pois o que sabemos nós brasileiros sobre a Rússia? Socialismo? Revolução? Guerra Fria? Muito pouco se você parar pra pensar em todos os anos de existência desse país. Recomendo para quem gosta de homens que fazem de tudo por suas esposas e para os curiosos que adoram a História. Porém, cá entre nós, eu preferia reler a Jane Austen se estivesse com carência afetiva (risos).

Alê Lemos

Nota:




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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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3 comentários:

  1. Aleska seu bom humor é um balsamo as vezes!!! Adorei a gracinha no final da resenha!! Eu confesso que não conhecia o livro... e sim concordo com sua reflexão sobre a história da Russia, e tenho a impressão que nós pouco sabemos sobre qualquer coisa que vá além da Europa!!! Somos eurocentricos até o rastro!!! #Infelizmente

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    1. Obrigado Jaci-san! Mas percebi agora que falei muito pouco do enrendo da estória kkkkkkk

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  2. Ale, pela resenha não me deu muita vontade de ler o livro não, apesar da resenha ter ficado bem legal. Mas sabe o que eu achei interessante, você falar sobre o que busca em um livro, isto é um motivo de curiosidade constante para mim; "por que as pessoas leem o que leem?". Sua visão "otimista" combina bem com os gracejos que você deixa por todo canto...

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