Música: Uma necessidade



Faz pouco tempo que percebi quão diferente é minha relação com a música em comparação à literatura e mesmo ao futebol. Sempre fui de fazer qualquer negócio pra ter um livro na mão, tal como insisto em acompanhar todos os jogos possíveis do meu time. Mas a música... bem, ela só está lá. Ela PRECISA estar lá.

Às vezes, pessoas vêm me pedir se eu conheço tal música/banda, se eu gosto ou coisas do gênero. Sempre estranho. Um dia, pensando nisso, foi que descobri porquê: eu, inconscientemente, estou sempre compartilhando músicas ou sempre lembrando de alguma com palavras ditas naturalmente em uma conversa. Ainda arrisco criticar algo quando o tema é livros, dizer porquê é bom ou ruim, mas com música isso não acontece. Eu gosto ou não, não me sinto preparada pra avaliar nada, até porquê, ao contrário do que muitos pensam (e isso sempre me surpreende), eu não tenho uma banda e muito menos toco algum instrumento. Cantar? Nem pensar!

Então, de vez em quando, ouço uma música e me vejo lembrando de alguns momentos da infância, o que explica muito. Meu pai, meu vô, meu tio, todos estavam sempre com o rádio ligado, seja com notícias ou com música. Minha mãe também, por vezes, quando tinha um tempinho em casa, parava para ouvir algo. Se num futuro impossível fizessem um filme da minha vida, a trilha sonora seria o principal.

Havia sábados em que eu acordava e lá estava meu tio ouvindo Vitor Ramil. Em outros, meu pai lavava o carro ouvindo a fabulosa estação Continental, cuja trilha era feita de músicas antigas, como B.J.Thomas. Isso sem falar nos fins de semana na casa do meu avô, onde as canções eram tradicionalistas e, mais que isso, traziam histórias interessantes, como d'Os Bertussi.

E depois a música sempre me acompanhou. Com meus 10 anos, creiam ou não, me apaixonei por Roberto Carlos. Aos 13, 14, Wander Wildner e Ultraje a Rigor me deram respostas pra algumas questões da minha cabeça adolescente, ou mesmo me tranquilizaram com risadas nos momentos de aborrecimento típicos da idade. Misturando as influências que já tinha com novas descobertas, criei um gosto taxado por muitos como estranho. De José Mendes a David Bowie, de TNT a Simon & Garfunkel, de Creedence Clearwater Revival a Tim Maia.
 
Por mais ocupada que esteja, sempre acabo descobrindo uma música ou uma banda nova. Ou redescobrindo, resgatando nomes esquecidos. Posso ainda escavar todas as informações possíveis de uma banda se a estou ouvindo e, do nada, me surgem mil perguntas na cabeça. E coitado de quem está por perto em um daqueles momentos de empolgação que eu não consigo me calar sobre música. Sim, coitado!
 
Mas então me surge o convite de vir aqui escrever, e com liberdade geral para falar sobre música. Como recusar? Mas já peço paciência comigo, tanto pela empolgação quanto pela escolha da trilha. Eu sei, ninguém vai gostar de tudo que eu gosto, mas, como eu disse, é tudo uma necessidade: ouvir, pesquisar, compartilhar.
 
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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7 comentários:

  1. adorei seu post!
    Acho que gosto musical é muito relativo, devemos saber ouvir, podemos não gostar mas temos que saber até onde vai o nosso limite!
    e que esse blog, projeto novo seja um sucesso a todas as participantes ou melhor colaboradoras. Boa sorte (:

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  2. Eu gosto de tudo um pouco, mas não tanto! Adoro conhecer novas bandas, novas músicas e sim, você está certíssima, a música tem que estar lá.

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  3. Ah eu tenho uma caso de amor com a música, comecei a escutar aos 10 anos e quando eu descobrir a FM meu mundo mudou!!!

    Excelente post Ana! Vou gostar de ler suas resenhas aqui na página!!!

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  4. Muito bom o post... curioso para ver o que vem adiante... parabéns...

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  5. Eu gostei do final do texto: "É tudo uma necessidade: ouvir, pesquisar, compartilhar." Eu não tenho uma apego especial com a música, se a minha vida fosse um filme o mais importante seria a poesia e alguns livros, muito especialmente aqueles cujas narrativas possuem uma forte carga poética. Mas admiro você e suas viagens musicais, mais especialmente quando através dela conheço algo bom e significativo para mim. Que venham muitos posts musicais!!!

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  6. Eu entendo o que você sente por música, eu costumo dizer que eu gosto mais de música do que de comida e acho que eu poderia viver feliz sem livros, filmes ou qualquer outro divertimento se eu ainda tivesse a música. (Eu sei seria terrivelmente cruel me fazer escolher entre livros ou músicas, mas eu pensei sobre a possibilidade e um mundo sem música seria inabitável pra mim)...

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  7. Oi Ana. Parece engraçado mas não é. Você nem me conhece mas vim aqui pra te agradecer. Sou Alberto Valença do blog Verdades de um Ser e colaborador do Meu pequeno vício. Já escrevi uma porção de comentários aqui neste blog, inclusive um deles, foi num texto seu. Mas quero lhe agradecer pois, você me trouxe uma coisa que estava perdida. E o melhor, resgatou pra mim, uma parte do meu blog que estava faltando. Havia um buraco que não tinha até agora identificado. Você trouxe isso pra mim e, por isto, preciso lhe agradecer. Realmente, a música é algo incrível e, assim como acontece com você, se fosse fazer um filme da minha vida, a parte mais importante seria, sem sobra de dúvida, a trilha sonora. Aprecio muito a literatura e o cinema mas, muito antes deles, a música já estava em minha vida. E isso é muito sério.

    http://verdadesdeumser.com.br
    http://meupequenovicioo.blogspot.com.br/

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