A Seleção [Resenha Literária]




Distopia. Aprendi essa palavra há pouco tempo, mas acredito que a emprego corretamente quando digo que A seleção é uma distopia.

A história se passa em um futuro distante, após a Terceira Guerra Mundial, onde o antigo país chamado Estados Unidos da América é rebatizado de Iléia, e uma monarquia é instaurada. É legal fazer um paralelo com o momento em que estamos vivendo, porque o motivo dessa mudança que o livro nos fala, é a invasão da China aos Estados Unidos, numa época mais ou menos próxima a nossa. Oras, não estamos falando tanto no crescimento econômico da China? Acredito que possa existir um pavor de perder o posto de primeira potência que acaba gerando essas ideias estranhas no povo americano, e Kiera Cass se aproveitou bem da situação.

O povo desse país foi dividido em castas numeradas de 1 a 8, e cada casta é obrigada a fazer um tipo especifico de trabalho. América, a heroína ruiva do romance em questão, é da casa 5, que é a dos artistas. Sua situação financeira não é das melhores, mas tem uma família unida. Seu maior desejo era casar com seu vizinho Aspen, da casta 6, apesar de seus pais serem contra, pois o casamento lhe traria muito mais dificuldades. A vida de América, porém, toma uma guinada inesperada quando ela é selecionada para "a seleção" que escolhe entre os 35 estados uma noiva para o príncipe. Ela se vê inserida em todos os problemas da monarquia, ao mesmo tempo que sobrevive à competição suja pela coroa.

Na realidade, ela não queria se inscrever, mas acaba se tornando grande amiga do príncipe, e conselheira, o que muda os cursos da história. Falando nisso, há um mistério em torno da história da nação, que deixa a jovem com algumas pulgas atrás da orelha. Sua instrutora lhe diz que "história não se estuda, é preciso apenas saber", no entanto, como ela lera um livro velho de história, sabe que muitas coisas ditas são falsas. O que realmente acontecera? Qual a reivindicação dos rebeldes que atacam o palácio? Infelizmente muitas perguntas não são respondidas nesse primeiro volume, mas a autora esclarece que este é apenas o primeiro livro de uma série. Fiquei triste quando descobri que teria um outro livro. Eu só queria uma leitura maneira para me distrair, agora vou ficar na ansiedade para ler o próximo:(.


Uma curiosidade do enredo, é que ele parece ser uma referência à história bíblica de Esther. Para quem não sabe, ela foi uma rainha de origem judia, que ao casar com o rei da Pérsia garantiu a salvação do povo judeu, que estava para ser exterminado. Ela também participou de uma seleção e foi a favorita do rei por ser ela mesma ao invés de tentar agradar ao rei.

Achei também muito parecido com o livro Jogos Vorazes. A protagonista América, assim como Katniss, também vive num país originário dos EUA, onde se esconde do povo seu verdadeiro passado, e a existência dos rebeldes. Outra coincidência, é que nos dois livros a vida dos cidadãos é ditada por números. Em Jogos Vorazes, cada distrito corresponde a um número, e à uma função, na Seleção, cada casta tem um número que corresponde a um ofício. A mais óbvia das semelhanças é o triângulo amoroso. As duas são apaixonadas por alguém de seu distrito/cidade, mas acabam gostando também de outros rapazes a quem são obrigadas pelo destino a conviver, e que se transformam na melhor companhia pela sobrevivência.

A coisa boa que aprendi com esse livro é a resposta para uma pergunta que venho me fazendo tem tempo: por que quando somos legais com uns garotos eles nos desprezam, e por que quando não queremos nada com eles é que  ficam mais interessados? A resposta é que quando gostamos do cara queremos impressionar, mas quando não estamos interessadas nos destacamos por sermos autênticas. A dificuldade é ser autêntica quando você está nervosa para falar com um cara kkkkk. Bom, isso é tudo pessoal!

Dados do Livro:

Título: A Seleção - Livro 01
Título Original: The Selection 
Autora: Kiera Cass




Alê Lemos

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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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4 comentários:

  1. Eu adoro essa resenha, muito menos pela resenha e muito mais pela forma como você sugere um motivo para essa explosão de distopias no mercado Americano Aleskita!!!

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    1. É, às vezes a gente dá um chute certeiro né? kkkkk

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  2. Eu estava super curiosa pra ler A Seleção, mas agora que li sua resenha e fiquei sabendo que o livro tem continuação, desanimei, rsrsrsrsrs.
    Não curto muito quando os livros são escritos em forma de "séries".
    Mas enfim, quem sabe mude de ideia.
    Aproveito pra agradecer sua gentil visita e comentário lá no meu blog.
    Bjs.:
    Sil
    http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/

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  3. Uma história no mínimo curiosa, Alê.
    Também não conhecia a palavra "distopia" e ainda vou me familiarizar com ela.
    Beijo!

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