A garota americana e Quase pronta [Resenha Literária]

Livro: A Garota Americana / Quase Pronta
Autora: Meg Cabot
Editora: Bestbolso

No início de janeiro ganhei um presente de natal atrasado da minha amiga Gabi. Eu tinha comentado com ela que o próximo projeto do Meninas dos livros  seria um especial da Meg Cabot. Como eu não tinha lido nenhuma série completa dessa autora me comprometi de ler "A Garota Americana". O projeto foi abortado, ou talvez temporariamente adiado, não sei dizer, só sei que minhas parceiras de blog tem lá um balde cheio de ideias cuja ordem de concretização sempre muda. O fato, é que Gabi comprou para mim o livro e eu fiquei super feliz, porque a grana estava bem curta (gastei o din din que meu tio me deu bem rapidinho).

Então, quando tive uma folguinha dos estudos, peguei o livro (que era da coleção Vira-Vira 2 em 1) e devorei A Garota Americana. 288 páginas num dia só. Gostei bastante do jeito engraçado de  escrever que Cabot possui. A heroína Samantha Madison é uma filha do meio que vive na sombra da irmã mais velha, que era a mais popular da escola. Ela é uma desenhista incrível, mas como a maioria dos adolescentes é cheia de preconceitos e é muito rebelde. Em muitos pontos eu me assemelhava a ela quando tinha meus 14, 15 anos. Também tive um professor de pintura que me ensinou que várias cores compunham algo que cotidianamente chamamos de "branco", e odiava a escola, onde todas as meninas me desprezavam  e eu não sabia porque. Esse primeiro livro acaba muito bem, dá para sentir a evolução dos personagens.  No início Sam tem sua rotina transformada ao salvar o presidente dos EUA, pois este (em gratidão) praticamente a obriga a virar a heroína da nação e tenta manipulá-la para melhorar sua imagem. Com o passar dos dias ela aprende a se expressar e se impõe.

O segundo livro (para mim) não começou muito bem. Parece que o final do primeiro foi apagado com uma borracha e Sam voltou a ser tão bobinha em "Quase pronta" quanto no início de "A Garota Americana", sem falar que a neurose dela de perder a virgindade na viagem de 2 dias com David (o primeiro garoto) seu namorado encheu um pouco a paciência, mas o livro tem seus pontos bons. Sam está sempre aproveitando para protestar, mesmo que seja contra seu "sogro", o presidente dos EUA. Aliais, o tema do protesto da heroína me chamou atenção para um aspecto da cultura norte-americana: o contraditório conservadorismo em relação ao sexo. Isso deve parecer estranho, porque eles adoram fazer filmes com cenas de sexo muito apelativas, mas nesses livros e também no filme "Little Miss Sunshine" (quando a garotinha é expulsa do concurso por causa da sua coreografia sensual) é possível perceber que a família americana é ultra-tradicional e conservadora. O presidente nesse livro queria fazer um plano de fortalecimento da autoridade dos pais, para evitar que os adolescentes fizessem sexo, como se isso fosse diminuir a gravidez na adolescência. Sempre que se reprime um desejo ou sentimento, ele se acumula de tal forma que explode, e por isso que Sam se revolta e declara na MTV sua opinião, mas sofre bullying na escola por causa das hipócritas do grupo estudantil "Caminho Certo", que pregavam a abstinência.

Acho que ela realmente tem "fogo nas ventas" por desafia o chefe de Estado americano publicamente, mas de certa forma ela também é muito conservadora. Vive reclamando da irmã que usa minissaia  dizendo que ela está indo contra o movimento feminista, o que para mim é um desconhecimento grave desse "ismo". Pelo que sei, a luta atual das feministas é pelo direito das mulheres de usarem as roupas que quiserem, e ainda assim continuarem a ser respeitadas pelo que são e não pelo que vestem. Sem falar na luta contra o "ensinar as meninas a não serem estupradas", pois a justificativa das pessoas para o estupro é o top , a calça justinha ou a blusa transparente. Em outros termos, a culpa da violência contra a mulher é a mulher na nossa sociedade ocidental e muito mais na oriental, me atrevo a dizer. Acho que a culpa da violencia sexual é do tabu do corpo humano e a massificação intensiva da importância do sexo através dos meios de comunicação. Praticamente o que aprendo na tv é que para ser feliz é preciso transar muito e ter muito dinheiro.  Não nego que o sexo seja bom, mas pô só isso e umas verdinhas te deixariam feliz? Eu me sinto tão vazia quando não tenho nada em que pensar que fico triste...

Voltando à vaca fria, acho que Samantha Madison é um personagem que muitos se identificariam. Não é uma patricinha que tem problemas normais com namorados e amigas invejosas. Ela é aquela excluídona  que faz questão de ser ela mesma e tem uma ou duas garotas pegando no pé dela. Às vezes me parece pedante, como todo jovem idealista, principalmente quando ficou de luto pela juventude apática e fútil de sua escola (ela tingiu todas as suas roupas de preto). mas de certa forma, essa era eu na escola. Apegada a religião achava muito estranho aquela minha escola onde boatos de amigos que estavam transando com 14 anos, e bebendo no boteco da esquina da escola. É muito ruim quando a pessoa se enche de preconceitos assim, mas apesar disso,é lindo ver um jovem cheio de ideias para salvar o mundo. Por todas essas contradições, aconselho a você que leia os dois livros da série, isso se você gosta de romance adolescente.

PS: Um último ponto fraco que queria mencionar, é que David, o par de Sam não parece um garoto. Infelizmente a maior fraqueza das escritoras de romance é fazer um homem agir como uma garota. Afinal que cara namoraria uma menina por um ano e meio e não pensaria em transar com ela? Sou meio exigente com a caracterização dos personagens sabe?  Acho que a escritora mesmo que não consiga escrever um homem com verossimilhança, ela precisa tentar e pesquisar as reações masculinas. É verdade que ela tem licença poética, mas veja bem, muitas meninas se guiam pelos romances que leem e muitas delas se ferram achando que eles vão reagir do mesmo jeito que elas.

Alê Lemos
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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12 comentários:

  1. Vai pra lista, não vai ser logo no princípio, mas lá no final porque gostei da sua resenha e sim, eu leio romances adolescentes, adoro!

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    1. Tô convencida e achando que tenho talento depois dessa rsss

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  2. Sabe que já pensei em comprar esses livros umas mil e quinhentas vezes Aleskita?!?! Felizmente estive em economia de guerra para poder ir a São Paulo ai nunca rolava!!! Mas a vontade tentativa continua firme e forte!!!

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    1. Calma rss em outubro vc vai compensar tudo isso com teu bonus da prefeitura.

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    2. Aleska, Deus te ouça \o/ #MãosCoçando

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  3. Alê, que bom que gostou da Meg! Que já se tornou a minha escritora favorita! Queria comentar algumas coisas. Em relação ao ismo vc tem razão, mas acho que mesmo as feministas tem um certo "problema" com a forma de vestir de algumas mulheres por se rebaixarem a simples objetos sexuais, que é o que algumas fazem, infelizmente, e não se preocupam com isso, não se importam de serem apenas objetos de desejo e vacias intelectualmente. Mas não gostar de mini saia é um exagero, eu adoro, ou melhor adorava, quando mais nova! Agora morro de vergonha! rsrsrsrsrsrrsrs

    Depois em relação aos homens em romance, eu concordo plenamente, mas se vc ler os romances adultos da Meg vai perceber que isso é uma falha que não a persegue em todas as suas obras!

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    1. kkkkkkkkkkkkkk bom na verdade acho que é mais fácil uma menina não engajada no movimento falar uma coisa dessas. Um monte de meninas se diz feminista mas nem leu simone de bouvoir e é a favor do cavalheirismo*. Feminista de verdade defende a liberdade da mulher vestir o q quiser e de continuar a ser respeitada. Tô com um pouco de receio de ler os livros adultos dela. Não por ser da Meg, mas em geral esses romances Hot são mal construídos.

      *Feminista que se preza gosta de gentileza, e não de cavalheirismo. Há uma diferença significativa nisso.

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    2. Eu já fui a favor do cavalheirismo... como a gente muda com o tempo néh?!?! Mas feminista ou não continuo achando ótimo quando um grandalhão fica entre a porta do ônibus e a multidão para que eu possa passar ou meio que me arruma um espaço para passar quando quero descer do ônibus!!! #GentilizaGeraGentileza

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    3. Sempre aceito gentilezas, mesmo sendo de homens que não entendem que o cavalheirismo é uma ideia errada da mulher. Afinal se eu for parar pra explicar pra ele daria em barraco e ofenderia o cara.

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  4. Nossa escrevi vacias, que é em espanhol! *vazias!

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  5. Ahhhh, bateu uma saudade tremenda agora! Eu lia muito Meg Cabot há alguns anos atrás, me divertia muito e devorava todos os livros dela hahaha <3
    Boas leituras!
    Isabela

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