A vida de Brian [Resenha do filme]


Depois de um tempo sem postar por conta de uma série de atividades, resolvi fazer uma postagem muito especial já que estou completamente envolvida com as celebrações natalinas. Celebrações estas que para os cristãos é uma das datas centrais por marcar o nascimento de Jesus. Uma figura que também é fundamental para o pensamento ocidental.

E, pensando nisso,  me lembrei de um filme que curto muito chamado Life of Brian (A vida de Brian). Uma produção de gênero comédia de 1979 dirigido por Terry Jones. A proposta do filme é bastante ousada por meio da sátira Terry Jones reflete sobre a figura central da cristandade. A personagem central é Brian um indivíduo que tem um histórico semelhante ao de Jesus, nascendo, inclusive no mesmo dia, horário e local que Jesus, o que os separou foi apenas o estábulo. De resto, são figuras que possuem um nascimento duvidoso (assim como Jesus é apontado em alguns documentos do século II E.C. como sendo filho de um soldado romano, Brian descobrirá que é filho de um centurião romano) e terão o mesmo destino a morte de cruz porque serão acusados de serem messias ou opositores ao Império Romano.

Neste sentido, a narrativa do filme além de crítica e dialogar com outros materiais que não são os existentes no chamado Novo Testamento ou Bíblica Cristã, apresenta um ambiente interessante. Ambiente este onde Jesus não foi uma exceção, mas apenas mais um dentre vários movimentos messiânicos que eclodiram ao longo do século I EC.

A justificativa apresentada pelo diretor para o surgimento de tantos movimentos é interessante e ao mesmo tempo irônica. Pois, Jones nos apresenta um cenário de subjulgamento ou colonização romana. Colonização que fomentava a formação de grupos dos mais variados contra a postura imperialista romana. Todavia esta postura é tida como positiva e necessária em certo sentido.

A ideia fica clara em dois momentos: 1) quando os personagens do Partido Judeu do Povo afirma ser necessário se opor aos romanos porque os subjulgam, mas estes acabam por reconhecer que graças aos romanos suas condições de vida melhoraram. Já que houve paz, construção de aquedutos, estradas, entre outros elementos; 2) quando dois grupos judaicos rivais buscam sequestrar a esposa de Pilatos. A cena transmitiu que os judeus eram incapazes de se organizar. A incapacidade era tamanha que o plano de sequestro simplesmente não ocorre já que os membros dos dois grupos optam por lutarem entre si até a morte restando apenas Brian que se opôs a esta situação.

Outro ponto central no filme é sobre a questão judaica. Brian quando descobre que é filho de romano aborda uma série de características que seriam próprias de um judeu: não tem amigos, é egoísta e pensa apenas em dinheiro. A sua fala sobre as características que seriam próprias da comunidade judaica é reforçada em diferentes momentos no filme. Uma delas já foi citada acima, outra que podemos apontar é quando Brian tenta comprar um disfarce para escapar dos soldados romanos. Esta ilustra o quão mesquinho seria um judeu, pois o que fica claro é que um bom judeu não compra ou vende absolutamente nada sem partir para uma negociação que é claramente desonesta.

Essa construção acaba por revelar uma situação complexa, mas que está presente na maioria dos filmes que falam sobre Jesus e os judeus. Ou seja, as produções fílmicas apresentam um ambiente antissemita. Ambiente este que produziu situações vergonhosas como foi o holocausto.

Mas talvez o leitor esteja se perguntando: mas afinal, o que este filme tem haver com o natal? Por que ver um filme que apresenta práticas antijudaicas e ironiza a vida de Jesus? Responderei apenas afirmando que o natal é uma data de recordação ou de esperança de uma sociedade mais justa, livre de hierarquias e de comensalidade. Sociedade esta pregada por figuras como Jesus e no caso do filme Brian.

Acredito, neste sentido, que independente da posição religiosa tomada ou mesmo a não crença em nenhuma experiência religiosa o fato é que o filme nos permite refletir sobre nossa realidade nos mais diferentes âmbitos.

Enfim amigos, um feliz natal! Abs, Juliana Cavalcanti

Nota:


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Sobre Poesias e Coisas Nada a Ver da Ju

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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19 comentários:

  1. Não conhecia o filme, mas achei bacana você resenha-lo porque o maior significado do Natal é o nascimento de Jesus e no meio da imprensa tudo isso se perde pelo valor comercial. Não conhecia o filme, mas parece ser bacana.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Olá, Gabriela! O filme foi uma mega produção em finais da década de 1979, mas por ter sido considerado pelas igrejas cristãs um filme blasfemo. O que fez com que o filme se restringisse ao pequeno e médio circuito. O filme vc pode encontrar na íntegra no youtube. Vale muito a pena ver. :)

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  2. Juliana minha querida! Muito bacana sua resenha, pois justamente meu amigo Victor vive falando sobre esse filme clássico. E agora estudando jesus histórico, tudo que de certa forma possa lembrar o ambiente e a figura por exemplo de Brian que faz lembrar jesus se torna muito importante. Parabéns por mais essa resenha e até a próxima. (Robério Xaramangua)

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    1. Meu querido amigo, obrigado pelas palavras. E realmente o filme nos é útil para a nossa linha de pesquisa. Mas mais do que ajuda a refletir sobre nossa realidade...

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  3. Gostei da sua resenha do filme.
    Eu tinha uma vaga lembrança de já ter escutado sobre o filme, mas não tinha certeza sobre o que falava.
    Achei legal o tema, principalmente por falar sobre os Judeus, e por ser um filme que permite refletir.
    Beijos,
    Yasmin
    deitadosnagrama.blogspot.com.br

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    1. Olá, Yasmin! Obrigada! Fico feliz que por vc ter se interessado. O filme realmente reflete e muito sobre a questão judaica. Uma questão que é uma demanda contemporânea.
      Abs,
      Juliana

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  4. Oi Ju! Desculpe a demora em responder, mas até quando ficamos em casa o dever nos chama, e só agora é que entrei na internet. Eu tinha ficado interessada quando vi o inicio desse filme, onde a mãe de Brian expulsa os reis magos kkkkkk. Obrigada pelos esclarecimentos históricos! Sua participação no blog é sempre enriquecedora. Beijos!

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    1. Oi, amiga! Obrigada pelo comentário. Fico feliz por estar contribuindo. :)
      E sim, essa cena é sensacional. Na verdade, a mãe do Brian é de um genialidade incrível. rs

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  5. Não conhecia esse filme
    Mas gostei da dica e parece ser bastante interessante
    Vou procurar para conhecer mais

    ~* Boas festas ;)
    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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    1. Olá, Angela! Tenho certeza que vc irá gostar. E se quiser, estou a disposição para trocar ideias. ;)
      Boas festas!
      Abs,
      Juliana

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  6. Esse é um daqueles que preciso assistir e acabo sempre deixando para depois. Está na minha lista para 2014. Gostei muito da tua resenha.

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    1. Olá! Obrigada! Assista sim. E como disse para a Angela me coloco a disposição para trocar ideias. ;)
      Bjs,
      Juliana

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  7. Só por ler a resenha, pude perceber o quanto esse filme pode gerar impacto ainda nos dias de hoje. O pensamento iluminista de que precisamos pensar por nós mesmos é muito claro, qualquer um poderia ser o "messias"... Todo esse tratamento irônico mostra a grande alienação da massa por ter a necessidade de sempre seguir alguém maior do que eles... Uma espécie de "Deus"
    Fiquei com uma vontade enorme de ver o filme!

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    1. Minha querida orientanda, muito me alegro em ver os seu progresso. A cada dia percebo que muito em breve teremos uma grande pesquisadora no campo da história das religiões. E me alegro mais ainda por poder estar te acompanhando desde os seus primeiros passos. De fato, o pensamento iluminista norteia todo o pensamento contemporâneo. É por isso mesmo que Eliade afirma que o homem religioso, em especial, vivencia dois tempos: o linear e o cíclico.
      Veja sim o filme, podemo debater melhor sobre o mesmo.
      Bjs,
      Ju

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  8. Para ser sincero, não estou lembrado de ter ouvido falar neste filme.
    Mas me pareceu muito legal. Um filme que deixa claro a importância de cremos no que realmente cremos, quero dizer é um livre bem impactante para muitos, acho que irei gostar de ver...
    http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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    1. Olá! Como comentei em um dos agradecimentos. O filme por não ter sido bem recebido pelas igrejas cristãs (lembrando o contexto em que foi produzido) acabou se restringindo ao pequeno e médio circuito. Mas sem dúvida é um filme que deve ser visto.
      Abs,
      Juliana

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  9. Nunca tinha sequer ouvido falar! E fico imaginando se iria gostar do filme [provavelmente não]. Mas gostei do seu ponto de vista. E tem a ver com o Natal, de alguma forma. {Emilie Escreve}

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    1. Olá, Suzi! Acho que vc deveria para tirar suas próprias conclusões. Mas agradeço. O que eu explicitei um pouco aqui também é fruto da pesquisa que desenvolvo.
      Bjs,
      Juliana

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