Jesus Superstar [Resenha do Filme]



Hoje é sexta-feira santa. Dia em que os cristãos reproduzem, segundo fragmentos de textos contidos na Bíblica Cristã e da tradição tida como oficial, os últimos dias de Jesus até o ápice de sua história que é a ressurreição; ressurreição este celebrada na Páscoa. Foi pensando nisto que resolvi resenhar o filme “Jesus Superstar”. Filme este  fruto de um musical da Brodway que após o sucesso acabou por ganhar uma versão fílmica. 

A produção é de 1973, sendo a composição de Andrew Lloyd Webber, com texto de Tim Rice; traçando uma narrativa dos últimos dias de Jesus. O interessante desta obra é que, além de ser um musical, retrata os personagens centrais (Jesus, Pôncio Pilatos, Pedro, Maria Madalena e Judas Iscariotes) em torno da história da paixão de uma forma muito intrigante e diferenciada. O que fez também que o filme recebesse muitas críticas negativas por parte de alas mais conservadoras das igrejas cristãs. 

O fato é que Jesus é apresentado como um jovem hippie. Demonstrando aspectos bastante humanos. O Jesus construído nesta produção não é um Jesus etéreo, mas um Jesus humano que comemora e celebra com seus apóstolos e que ao mesmo tempo está permeado de incertezas. Postura esta que acaba sendo por vezes não compreendida por seus discípulos que apresentam uma visão muito mais ativa frente às tensões instauradas. O interessante deste debate é que ele está longe de dialogar com as narrativas da paixão. O que se percebe é o contexto geopolítico internacional vivenciado na década de 1970; o planeta estava com a presente configuração: países capitalistas, países socialistas e países emergentes. Cada grupo apresentando diferentes respostas “a era dos extremos”. 


Neste sentido, a figura de Judas também será fundamental para a construção da narrativa. A começar pelo fato de Judas ser negro. O que acaba por dialogar com os movimentos nos EUA pelos direitos dos negros. No entanto, outro elemento que permite traçar uma comparação à postura de Judas e o forte movimento pela igualdade de direitos; são as críticas que Judas levanta por conta da postura de Jesus (completo desinteresse ou falta de planejamento político para um movimento que ganhava uma grande repercussão), sua postura realista e incompreendida. Estes elementos configuram a dificuldade de assimilação da população negra na sociedade americana. Dificuldade esta que se instaurou desde os tempos da Guerra de Secessão (1861-1865). Além disso, a postura crítica revela a repercussão do movimento por direitos, mas que ao longo de seu movimento nem sempre apresentou um planejamento ou orientação única. 

Outra personagem de destaque nesta produção e que vale apena ser ressaltada é Maria Madalena. Esta é uma indígena e muito próxima a Jesus. Mesmo nem sempre compreendendo o que seu mestre dizia, estava sempre ao seu lado. Amparando-lhe e apoiando. A ideia de prostituta arrependida é perpetuada, mas há um diferencial. O fato de ela ser identificada como índia nos leva a refletir sobre a condição da América Latina (ou como gosto de pensar das Américas Latinas). Onde se faz necessário a presença de um indivíduo distinto em ideias e conhecimento para mostrá-la o que seria o verdadeiro caminho. Trazendo esta mesma ideia para a política internacional norte americana veremos fortes paralelos.

Enfim, "Jesus Superstar" é um belíssimo musical que nos permite não só refletir sobre a semana santa, mas também sobre o meio em que vivemos. Afinal, questões como a política internacional americana ou mesmo a luta por igualdade de direitos ainda se fazem presentes em nossos dias... 

Feliz Páscoa! 

Abs, Juliana Cavalcanti
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Sobre Poesias e Coisas Nada a Ver da Ju

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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10 comentários:

  1. nunca vi esse filme. não sei se verei. beijos, pedrita

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    1. Juliana Cavalcanti18 de abril de 2014 09:41

      Pedrita, vc acha ele no youtube. ;)
      Bjs,
      Ju

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  2. Imagino que esse filme tenha sofrido a mesma incompreensão que o Noé.
    Mas de qualquer forma, ele é um desses em que gostar ou não, não importa,
    o importante é o que ele te inspira. Agora só temos que aguardar Mr Xaramanguá
    trazer o melhor comentário do post kkk. Beijos Ju e ótima semana santa!

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    1. Juliana Cavalcanti18 de abril de 2014 12:24

      Como sempre fico grata por suas colocações, Aleska. E eu vejo realmente dessa forma, personagens que são constantemente ressignificados. E é provável mesmo que o Robério comente. rs
      Um ótimo feriado para vc também.
      Bjs,
      Ju

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  3. Eu fiquei mto interessada nesta releitura, queria ver o musical que está aqui em SP. Por enquanto eu não poderei ir, mas ver o filme por hora irá me consolar.
    Ótima dica!

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    1. Juliana Cavalcanti18 de abril de 2014 15:45

      Se eu pudesse eu também iria a São Paulo. rs
      E obrigada, Dayane!

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  4. Olá!!

    Nunca tinha ouvido falar que havia um filme como esse. Uau. Não é difícil imaginar do porque das críticas que a igreja católica teve contra o filme. Enquanto lia essa parte, lembrei-me de O Código da Vinci e todo o tumulto que o livro causou entre os católicos mais fervorosos.

    Interessante, pode ser que algum dia eu venha a assisti-lo. Nunca diga nunca não é?

    Até a próxima!!

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    1. Juliana Cavalcanti18 de abril de 2014 20:46

      Olá, Natália!
      Seu raciocínio está correto, as censuras derivam disso mesmo. E espero que vc assista.
      Abs,
      Ju

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  5. Ja tinha ouvido falar deste musical, apesar de ser a primeira vez que realmente leio algo sobre ele.
    Parece ser interessante, mas não sei se veria.

    Beijos,
    Bell


    http://contosdoguerreiro.blogspot.com.br

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    1. Juliana Cavalcanti20 de abril de 2014 21:47

      Obrigada, Bell pela visita ao blog. :)

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