Projeto Geringonça [Devaneios]


Ontem (26 de abril de 2014) pesquisei na internet alguma coisa interessante para fazer. Não queria nada que fosse muito óbvio, porque cinema, exposição, praia, barzinho, etc já cansou e não acrescenta muito na vida da gente, né?

estranho foto de escada, né?
Então, acabou que num site desses de dicas de entretenimento, achei esse projeto, descrito como palestra sobre literatura negra seguida de oficina de criação de textos. Fiquei empolgada porque o site prometia publicação dos trabalhos realizados no dia, então mesmo sem companhia fui “com a cara e com a coragem”.

No caminho, peguei um motorista muito sem educação e resolvi nem perguntar a ele em que ponto descer para chegar no Sesc Tijuca. Eu sabia o número, então saltar não seria um grande problema. Até esse momento eu achava que o “mercedão” (como chamamos os ônibus aqui no Rio) iria passar em frente, por causa de uma dica do google maps, mas ele virou a curva no número 672 (aproximadamente) e tive que saltar correndo no próximo ponto, voltar um bom pedaço e andar mais um pedação até encontrar o prédio. Em alguns momentos reconsiderei pegar o ônibus de novo e descer perto do Shopping Tijuca, achando que já devia estar perdida, mas persisti e achei o casarão de pedra do SESC. Tinha elevadores, mas ainda bem que não o usei para subir, porque acabei descobrindo onde era o teatro, vi algumas plantas raras, escadarias muito bonitas cheias de flores no chão e salas em estilo colonial e neoclássico (não fiz uma análise muito completa, mas talvez fosse eclético). Em resumo: achei tudo uma “lindura”.

onde fiquei esperando começar.
Apesar da minha odisseia, cheguei cedo lá. Ouvi algumas pessoas conversando e temi que já tivessem panelinhas, porque odeio ficar deslocada, mas o rapaz que presidia o encontro deixou todo mundo a vontade, arrumou parceiros ao acaso e acabei tirando a sorte grande porque fiquei com uma poetisa que me deu algumas boas dicas para escrever. Perdemos umas duas horas só com apresentações e em alguns momentos foi estranho porque estavam sempre nos perguntando sobre sopa, mas até que foi engraçado. No fim dessa parte do encontro eu entendi o propósito das perguntas: o “apresentador” (será que é a denominação correta?) estava provocando os interlocutores para que eles desencavassem suas memórias afetivas sobre um assunto muito corriqueiro, afim de que a inspiração brotasse para o texto que produziríamos.

A minha sopa.
Por mais incrível que pareça essa sopa rendeu muito! Tinha sopa (texto sobre sopa melhor dizendo), com gosto de tapa na cara, com gosto de saudade, com gosto de melancolia, com gosto de revolução, de poesia, de aconchego e de infância. Eu e minha parceira entendemos a proposta de forma errada. Era para usarmos nossas memórias sobre sopa e produzir um único texto, mas acabamos produzindo poemas sobre as memórias da outra. O da Yassu ficou tão lindo que eu chorei, mexeu bem fundo comigo. Como ela pode captar meus sentimentos mais escondidos foi um mistério, mas fez muito bem. Não consegui declamar o meu na roda porque ainda estava chorando um pouco (travei grande luta para fechar a torneirinha dos meus olhos) e ela se ofereceu para fazer por mim, o que foi bom, porque quando eu leio em voz alta eu nunca gosto do que escrevo, quando ela leu, pareceu tão profissional!

Depois disso, íamos dar pitaco no texto do outro, mas o tempo estava acabando e os organizadores queriam que fizéssemos uma revista com umas figuras que estavam na mesa. Infelizmente (mentira, foi felizmente kkkkk) fiquei sem parceria nessa segunda atividade, porque minha “senpai” foi fazer com a amiga dela, mas não teve problema algum. Eu simplesmente adoro fazer colagens aqui em casa e uso qualquer material que eu tenha. Já fiz figuras em papelão para criar ideia de alto relevo, já usei palitos de picolé, guache, papel sulfite, papel glacê e até mesmo papel de presente (que é o que mais uso). Um monitor lá do projeto estava preocupado que eu estava lá sozinha fazendo tudo, mas para mim, foi a parte mais legal, pois me senti em casa pintando o 7. Não teria ficado à vontade se tivesse que fazer em conjunto.

Como ficou a minha página da revista.

biscoitinho japonês.
Foi uma das melhores coisas que fiz esse ano. Deixar a criatividade livre é muito prazeroso. Esse projeto além de ter uma proposta muito legal e os organizadores são super convidativos, porque é de graça mas eles lembram até de nos saciar a fome (mas o mais incrível nisso é que a comida era ótima! Normalmente nesses espaços eles servem cream cracker e pastinha). Gostaria que tivesse um espaço como o SESC aqui no meu bairro. Para lazer todos daqui precisam pegar um ônibus e ir para outras localidades mais próximas e normalmente para se enfurnar em shoppings e fazer aquela velha rotina massacrante: comer, ver filme e fazer compras. Não que seja ruim fazer isso de vez em quando, mas shopping center não tem que ser a única diversão da gente, né?Se não vamos virar Zumbi.

Um beijo gente!
Alê Lemos.
Compartilhe no Google Plus

Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

8 comentários:

  1. Aleskita esse foi um texto delicioso!!! Eu respirei lendo ele novamente... li só pelo prazer da leitura, de sentir sua aventura urbana. Quero ter o tipo de coragem que vc teve nesse dia para se aventurar a viver uma coisa totalmente nova com pessoas totalmente novas.

    Obrigada por compartilhar sua aventura. Eu espero que isso inspire outras pessoas a se aventurarem também.

    Cheros.

    ResponderExcluir
  2. Que delícia sair assim, foi mesmo uma aventura como disse a Pandora, e muito proveitosa. É bom inovar e ir em busca de novas coisas, algumas vezes fui em eventos sem combinar com ninguém e encontrei várias pessoas legais. Bjos!!!

    ResponderExcluir
  3. Amei a sua iniciativa de procurar algo novo para fazer
    E olha que você achou!!!
    Achei super interessante e bastante enriquecedor e o bom é o compartilhamento que você fez, trazendo isso aqui no blog
    Parabéns
    Já estou seguindo ;)

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Oi! Achei o projeto muito legal! Você foi muito corajosa de ir sozinha, eu sou muito tímida e jamais faria uma coisa dessas.

    http://www.whoisllara.com/

    ResponderExcluir
  5. Olá!!

    Nunca participei de programas como esse. É um tipo de workshop não? Gostei da revista que você fez...
    As únicas coisas que tento fazer sozinha são marcadores de origami e outras coisas...

    Até mais

    ResponderExcluir
  6. gostei do nome do projeto kkkkkkkkkkkkkkkkk é bem minha cara e é interessante o mesmo. vou procurar para ler mais sobre. tenha uma boa semana

    ResponderExcluir
  7. Ooiee Alê! Não sabia que você era do RJ, eu também sou! \o/ Onde moro também é longe de tudo e tenho que me aventurar pegando ônibus. AI...e quase nunca sei desses eventos legais. Deve ser muito bom conhecer novas pessoas e soltar a imaginação.
    Bloody Kisses
    Monólogo de Julieta

    ResponderExcluir
  8. Que otima inicativa.. Vou procurar saber mais sobre esse projeoto!!

    http://foreverabookaholic.blogspot.com.br

    ResponderExcluir