Xena, a princesa guerreira [Resenha de séries]



"Xena" era uma série australiana estrelada por Lucy Lawless que passava no SBT todos os domingos de manhã no início dos anos 90 e depois foi vendida para a Record. "Xena" derivou do seriado "Hércules" (que também passou no SBT) estrelado por Kevin Sorbo, mas acabou se tornando mais popular que o programa que lhe deu origem.

Pelo que me lembro, o tema do seriado era a busca pela redenção dos pecados de Xena, pois após seu encontro com Hércules, a princesa guerreira parte em missão de penitência pelos assassinatos que cometera. No entanto, longe de ser uma personagem melancólica, a protagonista era bruta, cínica, impaciente e acaba arrumando uma ajudante que é o seu oposto: sensível, romântica, filosófica e sonhadora. O resultado são grandes risadas porque as duas personalidades tão opostas acabam gerando muitos embates cômicos, ao mesmo tempo que se completam (em resumo, Xena zomba da Gabrielle o tempo todo, mas se apaixonam uma pela outra).

As duas vivem grandes aventuras pela Grécia Antiga, pela Britania, pela China, pela Índia e cometem os maiores anacronismos possíveis.

Esses anacronismos, na realidade, são fruto das mensagens ou reflexões que o diretor e o roteirista desejavam passar. Mensagens estas com um cunho profundamente judaico-cristão. Xena e Gabrielle estavam supostamente na Antiguidade, mas seus discursos e questões eram o tempo todo da contemporaneidade. E essas questões, por serem o cerne, faziam com que a preocupação com o tempo e espaço fosse sempre colocada de lado. O que não impediu de forma alguma que a série fosse um enorme sucesso. Até hoje a série mantém fãs em diferentes países. 

No entanto, talvez seja interessante falarmos um pouco sobre a forte presença de ideias judaico-cristãs nas aventuras de Xena e Gabrielle, pois, imagino eu que os amigos leitores irão pensar: ‘a Ju e a Alê alopraram. Xena é uma história de luta, ação e muita emoção’. 

Devo lembrá-los, primeiramente, a história narra à trajetória de uma guerreira que busca se redimir e para isso ela não apenas quer prestar atos benevolentes, mas vai atrás de filosofias diferentes para que ela possa encontrar o real sentido da vida, sendo que os caminhos percorridos lembram (e muito) um tipo de redenção ou de um messianismo (se lembram que Xena tem uma gravidez apocalíptica?). 

                                                  

Um segundo aspecto é que dentre essas filosofias uma é altamente ressaltada na série. O roteirista e o diretor tentaram disfarçar ao mudar o nome do personagem, mas quem assistisse saberia bem que o homem que pregava amor e paz, homem por quem Xena e Gabrielle ficaram encantadas, era um profeta messiânico (João Batista? Jesus? Bar Kocka?). 

Um terceiro exemplo é sobre um episódio onde Ares comenta que na modernidade os deuses não têm mais espaço. Em especial os deuses Greco-romanos e para sobreviver ele cria outras formas para fomentar a discórdia e a guerra entre os mortais. O diálogo é perfeito, muito interessante e quem conhece ou já ouviu falar nas ideias de Nietzche vai ser reportado logo para obras deste filósofo, como Ecco Homme, em que ele discute de que forma a modernidade recriou as crenças e como as religiões judaico-cristãs fazem para perpetuar suas ideias. 

Enfim, esse foi um post delirante de duas amigas que não tinham mais o que fazer e que resolveram aplicar suas leituras a uma série que marcou tanto as suas respectivas infâncias (rs).

Até a próxima!

Bjs,

Nota:




Alê Lemos e Juliana Cavalcanti.
Compartilhe no Google Plus

Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

17 comentários:

  1. De vez em quando vejo esse seriado passar em algum canal da SKY e assisto. Ainda quero assistir desde o primeiro até o último em sequência, pois eu adorava!! Muito bom relembrar :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. também gostaria de fazer isso! Seria demais!
      Bjins da Alê.

      Excluir
  2. Oi meninas. Realmente essa série era demais! Eu não perdia um ep, mas depois que passou para a outra emissora nunca mais olhei! :'( kkkkkk Agora me deu uma saudade da minha infância. Bjoks da Gica.

    umaleitoraaquariana.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Sabe, aprendi a me interessar por história e filosofia com essa série, que sem duvida - apesar de todos os efeitos mal feitos - é uma das melhores q já foram produzidas até hj, sem contar que cada vez q a assisto percebo uma nova perspectiva. Partiu dela a minha enorme vontade de conhecer a Nova Zelândia tb, q é um dos locais aonde ela foi filmada - amo aquela fotografia! Que demais a gente poder ler sobre as coisas que a gente gosta!!! bjooooooooo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha, eu também me interessei por História por causa de seriados da tv. Desde Xena, Hérculés a Cavaleiros do Zodíaco kkkkkkk. Não conheço nada da Nova Zelândia, mas sabia que a série foi filmada lá porque andei um tempo investigando a vida da Lucy Lawless. ela tem um currículo absurdamente invejável.
      Bjins Alê!

      Excluir
  4. Eu amava essa série, mas confesso que depois de umas temporadas achei que ficou meio maluca e um pouco devaneante demais. Porém, puxava discussões interessantes, minha irmã era muito fã, então durante a época que passava na Record eu meio que acompanhei no embalo, através dela alguns debates interessantes eram puxados sobre história aqui em casa kkkk De certa forma me da um sentimento de nostalgia falar ou ouvir falar dessa "Princesa Guerreira".

    Cheros Meninas, foi interessante ver o jeito da Aleska misturado ao jeito da Ju! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pior é que dá pra saber exatamente quando deixa de ser eu e passa a ser a Ju né? kkkkkkkk
      Beijos da Alê!

      Excluir
    2. Juliana Cavalcanti30 de julho de 2014 17:12

      Ah está tão óbvio assim? rsrs :P

      Excluir
    3. É que eu tenho um jeito meio palhaço de falar as coisas, #sagitarianices

      Excluir
    4. Ju, eu leio a Aleska há uns 3 anos néh Aleskita?!?! Se eu não reconhecesse o humor dela ela poderia me jogar fora, que tipo de amiga eu seria?!?! kkk

      Excluir
  5. Volta e meia eu vejo em algum canal
    Mas nunca parei para acompanhar rs rs
    Gostei da resenha, muito bem feita
    Já estou seguindo ;)

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda passa na tv? Eu comprei a primeira temporada e baixei algumas outras também. Gostaria de rever do início ao fim.
      Bjins Alê

      Excluir
  6. Caraca, eu era viciada nesse seriado <3.
    Lembro que juntava a família toda: eu, minha mãe e minha avó parar assistirmos e era muito divertido. Depois parou de passar na TV aberta e os canais fechados tem horários pouco flexíveis. Mas adorei relembrar tudo!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
  7. Xena era muito legal. Assisti na Record e até tinha uma bonequinha dela!! Infelizmente, lembro-me pouco da série, então não sei realmente o que discutir.

    Gostei do texto das duas. Pode ser que em alguma próxima vez que eu assista a série eu preste mais atenção nessas questões. xD

    Até mais

    ResponderExcluir
  8. Nossa! Lembro que a mãe via esse seriado e adorava, mas como eu era criança, nunca prestei atenção no que ela via. Tenho que prestar rsrs
    http://eucurtoliteratura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  9. Olá meninas! Eu adorava ver esse seriado. Muito bom...era minha diversão em épocas que nem sonhava em conhecer a internet. kkkk Gostei do contexto reflexivo sobre a trama e a vivência da realidade atual.
    Beijos!
    Monólogo de Julieta

    ResponderExcluir