As vantagens de ser invisível [Resenha Literária]


Livro: As vantagens de ser invisível
Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco - jovens leitores.

Há uns dois anos esse livro estava muito falado na blogosfera. Li muitas resenhas dele e não me aguentei: furei meu jejum de livros e o comprei na bienal. Não lembro se li "Jogos vorazes" primeiro (também comprei esse livro no stand da Rocco), mas com certeza gostei muito mais de "As vantagens de ser invisível". Distopias são interessantes, mas muito violentas.

Enfim, além do enredo ter me conquistado, Chbosky merece elogios por sua forma de escrita. Não que "romances epistolares" sejam a maior invenção desde a roda ou o bolso, mas o autor consegue narrar bem os fatos e considerações de Charlie sem aquelas frescuras hiper descritivas, tipo: "fulano fala comigo enquanto limpa o molho do canto da boca". Na minha nada humilde opinião, os autores contemporâneos carregam seus textos de inutilidades para encher linguiça e competir uns com os outros para ver quem é o melhor, mas isso deixa o leitor  mega cansado e frustrado. Afinal, o molho que caiu da boca do personagem tinha alguma substância tóxica de relevância primordial para o conflito do herói? Não? Então relaxa, cara! Não precisamos saber tanta informação assim...

Voltando à vaca fria ao livro, pode ser que até agora você não tenha se interessado por ele, afinal, histórias sobre adolescência se multiplicam como germes, mas "As vantagens de ser invisível" tem ainda mais um atrativo: há um mistério no passado de Charlie um pouco sinistro, que ele mesmo não se lembra, mas que lhe traz consequências no presente. Se você não viu o filme, não veja ainda! É importante para aproveitar a leitura que não se saiba o mistério.

Quando terminei o livro estranhamente me senti em paz - acho que pela forma como o Charlie compreendeu o que tinha acontecido com ele - e muito marcada pela leitura. Entrou para meu hanking de favoritos e imediatamente comecei a sentir saudades do dia em que comecei a ler, até porque os personagens eram dos anos 80 e curtiam "Smiths", então rolou muita empatia entre nós.

Acho que não tem mais como continuar a "rasgar seda" desta história sem acabar entediando vocês, então termino esta resenha deixando um trecho do livro que resume a nossa fase mais problemática:
"Só queria que Deus, ou meus pais, ou minha irmã, ou alguém, me dissesse o que há de errado comigo. Que me dissesse como ser diferente de uma forma que faça sentido. Que fizesse tudo isso passar. E desaparecer. Sei que é errado, porque a responsabilidade é minha, e sei que as coisas pioram antes de melhorar porque é o que diz meu psiquiatra, mas essa fase pior está grande demais para mim."                                                                            Stephen Chbosky
PS: Eu disse que era o fim, mas acabei devaneando aqui sobre esse trecho, vejam: o mais bonito é que quando crescemos descobrimos que na verdade não há nada de errado com a nossa personalidade, que os conflitos sociais da "aborrecência" existem porque todas as pessoas da nossa idade estão passando por conflitos existenciais e não se conhecem de verdade, o que as impossibilita de enxergar o outro e a realidade como realmente são.

Com amor
Alê Lemos.

Nota: 6 harrys.





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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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4 comentários:

  1. Só vi o filme e adorei. O livro faz parte da minha lista. Também penso que está muito longe de ser apenas mais uma historinha adolescente, pelo contrário.

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  2. Comecei a leitura desse livro 2 dias atrás e agora não quero que ele acabe! Me identifico muito com o Charlie, a dor, o medo, a maneira muitas vezes errada de se expressar, a melancolia, a paixão pelos refúgio que os livros nos proporcionam, é tudo muito eu, e adorei isso. Gosto de me identificar com personagens, acabo aproveitando melhor a história e tudo o que ela oferece. O Charlie está sendo uma ótima companhia, e quando o livro acabar eu ficarei triste. Antes de ler o livro eu assisti o filme e me apaixonei pela história, assisti por causa do Ezra Miller que interpreta o Patrick (por quem sou apaixonada) e acabei me derretendo por tudo aquilo.
    Adorei o post.
    Beijos
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  3. Li o livro e assisti ao filme, em ambos a história me deixou emocionada. É uma história que mexe com a gente, e trabalha assuntos polêmicos de maneira inteligente, sem aquele moralismo, e sim com sensibilidade.

    Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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  4. Gostei bastante do livro, a leitura e leve e rápida, as revelações que vão ocorrendo com o decorrer da leitura são surpreendentes e tristes, mas o livro não é envolvo por uma tristeza diante da crueldade do mundo, mas a sensação de esperança e acreditar que dias melhores estão por vir
    Já estou seguindo ;)

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

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