Não pare na pista - A melhor história de Paulo Coelho [Resenha do Filme]


Eu realmente não gosto do Paulo Coelho. Não é nem uma questão literária (o único livro que li dele foi "O alquimista", que eu li rápido esperando que acontecesse algo - e não aconteceu nada, a não ser me deixar neurótica com essa mania de ver sinais por tudo), é mesmo uma questão de personalidade. A indiferença - e até certo desprezo, às vezes - com a qual ele se refere ao Raul Seixas me convenceu de que ele é um ser um tanto egocêntrico e, portanto, egoísta e imbecil. E quando eu usei meu horário de folga pra ir no cinema assistir "Não pare na pista: A melhor história de Paulo Coelho" foi com o claro objetivo de sair de lá resmungando e aumentando minha lista de razões para não ir com a cara dele. Mas eu não consegui.

Não assisti um filme de um egocêntrico - muito menos identifiquei um fã alienado por detrás da produção. Vi a história de um escritor. Relembrei de Floriano Cambará (para muitos os alterego de Erico Veríssimo em "O tempo e o vento"), de T. S. Garp (personagem do livro "O mundo segundo Garp", de John Irving, e encarnado nas telonas por Robin Williams) e dos protagonistas de John Fante: todos eles me fizeram compreender e ser compreendida no que se refere ter uma necessidade inexplicável de viver de escrever. A cinebiografia de Paulo Coelho também. 

O filme retrata concomitantemente três distintas fases do escritor: a década de 60, onde ter uma máquina de
escrever era seu maior desejo ao mesmo tempo que enfrentava o pai linha-dura e as internações psicológicas; a década de 80, pós Raul Seixas e real encarar do sonho de ser escritor; e 2013, com a saída dele do hospital pós uma séria cirurgia. Devo dizer que senti falta de datas mais específicas, para tentar me localizar em cálculos de idade e essas coisas que meu cérebro gosta de fazer; mas no geral achei uma montagem interessante. 

Choques elétricos, ditadura, drogas, polícia, sucesso, recusas, ritos... Tudo isso e mais um pouco preenche o filme. Aliás, devo dizer que também achei confusa as questões religiosas/rituais/espirituais apresentadas. Me questionei se elas era reais, meras alucinações ou simples invenções. E o Raul? Aparece pouquíssimo no filme - mas é fantasticamente bem interpretado. (Um presente pra vocês.)

Não, eu não mudei minha opinião sobre Paulo Coelho - no máximo conheci fatos que podem me ajudar a entendê-lo, mas devo dizer que achei o filme interessante - e muito melhor do que aquele documentário "O início, o fim e o meio" feito sobre o Raul Seixas, no qual estavam mais interessados em saber quem foi a mulher preferida dele do que investigar o espírito do pai do rock nacional.

Minha palavra final sobre o filme: é válido ser visto. Antes de mais nada, é uma história de vida e, como qualquer outra cinebiografia, te deixa com aquela pulguinha atrás da orelha perguntando: "E eu, o que eu faço da minha vida?". Então, sim, provavelmente é a melhor história do Paulo Coelho, já que pode atrair até os que não gostam dele - como eu. 

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Ficha técnica:

Título: Não pare na pista - A melhor história de Paulo Coelho
Duração: 112 min.
Gênero: Drama/Biografia
Classificação: 16 anos
Direção: Daniel Augusto 


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Sobre Ana Seerig

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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8 comentários:

  1. Oii!
    Também tenho esse pé atrás com o Paulo Coelho e o modo como ele fala de sua amizade com o Raul. Admito que fiquei um tanto curiosa com o filme, mas não o bastante para me fazer sair correndo assistir. Entrou para a lista dos que podem ser vistos quando surgir a oportunidade. :)

    Beijo,
    http://www.pitadadecultura.com/

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  2. Eu nunca li nada dele então não tenho uma opinião a respeito. Não leio por uma questão religiosa, sou evangélica, ele espirita. Mas não vem ao caso. Infelizmente é um filme que não tenho vontade de ver, mesmo você dizendo que te conquistou não sendo fã dele.

    Blog Prefácio

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  3. Quando eu vi o trailer confesso que achei que era um filme sobre Raul Seixas. E respondendo talvez a uma pergunta, eu não li nada do Paulo Coelho, mas tenho certa curiosidade em saber de onde vem tanta fama. Acho que ele é o único autor brasileiro que tenho conhecimento que foi traduzido para tantos idiomas. E fico daquele jeito: qual livro eu devo ler dele? Qual livro deve ser lido primeiro? Será que eu vou gostar? Essas coisas.

    Enquanto eu não passo essa fronteira...

    Até mais

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  4. é um filme interessante pra conhecer mais do autor em trajetória de vida, seus altos e baixos, seu processo criativo de escrita

    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    também não sou fã do P.C.!
    e queria ver só para resmungar depois - assim como voce!
    maaaaaaaaas essa trilha sonora sempre me chama a atenção.
    confesso que sua resenha me deixou menos preconceituosa com o filme! quem sabe nao dou uma conferida?

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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  6. É, se até vc que é frescurenta com o Coelho gostou, então é porque pode ser bom. Não sei não, porque tb não sinto lá essas coisas pelo livros dele, mas pode ser que um dia ainda me renda a tal. Bjoo

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  7. Oi Ana, apesar de não compactuar com a sua ojeriza a Paulo Coelho, adorei a sua postagem. E, como você me mostrou um ângulo novo para meu blog - a música - quero tentar mostrar pra você, um ângulo novo sobre o autor. Na verdade, não sobre ele, mas sobre um pequeno aspecto do filme. Também fiz uma resenha sobre este filme no meu blog e gostaria que você a lesse.
    Há no filme uma revelação que, pra mim pelo menos, foi surpreendente: o fato de uma música - Gita - que sempre tinha ouvido como sendo de Raul Seixas e, pelo menos no que o filme mostra, é na verdade de Paulo Coelho. Embora haja aí um fato insofismável - Raul Seixas já morreu e não pode contestar a afirmação. Mas, certamente ele tem herdeiros, ou amigos, ou simpatizantes, que podem.

    Sou Alberto Valença do blog Verdades de um Ser e colaborador do Meu pequeno vício. Criei agora outro blog sobre viagens. Se puder passar por lá irei gostar muito. Parabéns pela idéia.

    Verdadesdevum Ser
    Meu pequeno vício
    O seu companheiro de viagem

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