As crônicas de Nárnia [Devaneios]



Este post não poderá ser uma resenha. O motivo é que comecei a ler os livros logo após o filme ter saído no cinema e dei tanto espaço entre a leitura de um e de outro que muitas coisas já esqueci. Lembro mais do que aconteceu nos filmes, porque o telecine tem reprisado muitas vezes. Entretanto vou falar da série como um todo e de por que C. S. Lewis ser fascinante.

Hoje li "A última Batalha de Nárnia". De todos foi o livro que menos gostei, mas mostrou que Lewis não é um autor que escrevia para o mercado. Há outras provas disso durante a história: nem todos os livros falam dos mesmos heróis. A marca do mercado é a obsessão por tudo que acontece com um personagem principal ou grupo de personagens, mas o autor faz um rodízio de heróis. Isso me faz crer, que antes de pensar em agradar um público, ele estava interessado em contar sua ideia, talvez uma "mitologia", mas cá entre nós, o autor estava mais interessado no universo cristão. Por que eu disse isso? Bem, Lewis escreve sobre a origem de um mundo chamado Nárnia, sobre todas as histórias mais empolgantes vividas por esse mundo e também sobre seu apocalipse. Parecido com a Bíblia, não?


Mas as semelhanças com o livro mais importante do Ocidente não param por aí. Aslam, que acredito ser como um deus para Nárnia, se entrega em sacrifício para salvar a vida de Edmundo, um traidor, da mesma forma que Jesus morreu na cruz para salvar o mundo e no lugar de Barrabás. Além disso, o Leão ressuscita  e duas mulheres (eram meninas, mas no caso dá no mesmo) são as que o veem pela primeira vez após a ressurreição. Há também o caso em que Aslam salva um calormano da morte, da mesma forma que Jesus salvou um gentio da morte por causa da fé e do amor que estrangeiro sentia.

Há muitas outras semelhanças, mas não posso dizer aqui para não dar spoillers, mas sobre essa ligação com o Cristianismo, há quem discuta se foi intencional ou não, mas Lewis mesmo responde no final (pelo menos no volume único) na seção "Três maneiras de escrever para crianças":
"A única moral que vale alguma coisa é a que brota inevitavelmente de toda a estrutura de caráter do autor. Aliais, tudo na história deve brotar da estrutura de caráter do autor."
Para historiadores, um autor sempre se utiliza das próprias vivências para formar suas hipóteses e escrever suas monografias. Apesar de não falar delas diretamente, as mesmas aparecem no texto de forma camuflada, mas ao se estudar o contexto social do autor, podemos entender tudo isso que ajudou a formar a "estrutura de caráter do autor" e que chamamos de não dito. Como não posso voltar no tempo para descobrir o não dito de Lewis, copiei um trecho de sua biografia da Wikkipédia:
"Clive Staples Lewis (Belfast, Irlanda, 29 de Novembro de 1898 — Oxford, Inglaterra, 22 de Novembro de 1963), mais conhecido como C. S. Lewis, foi um professor universitário, teólogo anglicano, poeta e escritor britânico, nascido na Irlanda, atual Irlanda do Norte. Se destacou pelo seu trabalho académico sobre literatura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É igualmente conhecido por ser o autor da famosa série de livros infanto-juvenis de nome As Crônicas de Nárnia, em sete volumes, pela qual lhe foi conferida inúmeros prêmios — incluindo a renomada medalha de Carnegie —, e pelo qual é mais referido."
Lewis valorizava a mensagem que as histórias passavam "naturalmente", ou talvez inconscientemente. E realmente Nárnia passa algumas mensagens,  que correspondem ao não dito do autor , ou seja, o conhecimento do Lewis teólogo. Resta saber se é  apenas o que ele tinha para passar ou não. Eu suspeito que seja esta a verdade, pois o autor critica muito os autores que escrevem o que as crianças querem ler e inserem morais que elas querem "ouvir". Sua preocupação é com a veracidade que a moral passa, pois os autores que forçam uma moral na história não conquistam as crianças.  Eu concordo com ele e fiquei feliz de ter chegado ao final da saga, pois foi bem original, apesar de não ser o que eu esperava.

Para quem ficou interessado segue a sequência da série:

1-O sobrinho do mago;
2- O leão, a feiticeira e o guarda-roupa;
3- Ocavalo e seu menino;
4-Príncipe Caspian;
5- A viagem do Peregrino da Alvorada;
6- A cadeira de prata,
7- A última Batalha.

Alê Lemos
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

12 comentários:

  1. Oi!!
    Eu já li todos mas também me esqueci de muita coisa, pois já faz uns anos que li...
    Adorei a análise que você fez da história!

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  2. Eu li todos os livros, mas em alguns eu quase dormi. Já não lembro muito bem porque fazem anos que li, mas eu não leria de novo e achei interessante sua análise e a comparação com o Cristianismo, concordo que há realmente muita coisa parecida.

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  3. Voltando lá atrás, fiquei doida pra ler O Irresistível Café dos Cupcakes.
    Penso que não quiseram manchar a memória do Tim Maia mostrando no filme a realidade, mas então pra que fazer o filme? Nem vale a pena! Melhor ler o livro e ouvir as músicas na voz dele mesmo.

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  4. Eu não li nenhuma das crônicas, só vi os filmes, os quais gosto muito, mas quero ler um dia todas elas, acredito que vou ficar ainda mais encantada e também quero conferir o que foi mudado nas adaptações.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  5. como não se apaixonar por estas histórias? de certa forma eu cresci lendo Nárnia e todo o encantamento das tramas continua vivo em mim
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Já li duas vezes a serie e amo! Acredito que ele escreveu na intenção sim, pois, ele é cristão. E foi até bastante criticado por isso, principalmente pelo final que ele deu a Suzana. Mas independente disso, acho que As Cronicas tem que ser lidas por todas as crianças.

    Blog Prefácio

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    1. Eu odiei o final que ele deu pra Susana, confesso! rs

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  7. Tenho o livro aqui na estante e quem disse que eu tenho tempo para ler ele? RSRSR Está na fila de futuras leituras.
    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  8. Essa é de longe a melhor resenha que li sobre Nárnia!!
    Tenho o livro aqui há um tempinho já mas ainda não peguei pra lê-lo, ainda tem algo que me barra...mas li sua resenha e gostei bastante!
    Quem sabe não dou uma chance? =)

    Beijos, Bá.
    http://cafecomlivrosblog.blogspot.com.br

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  9. Sem dúvida parece excelente, ainda estou longe de começar a ler e assistir, mas quero muito. A série é bem longa e requer ânimo rs

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista. São 6 livros para escolher, kit de marcadores e 3 ganhadores.

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  10. Oi Alê. Realmente, tive que concordar com você. O teor religioso desse livro é bem grande, apesar de não estar explicito. E o final me pareceu muito com o paraíso, mas cada um tem sua visão né! Onde nós enxergamos algo a mais, tem gente que não vê nada além e uma história infanto-juvenil. Bjoks da Gica.

    umaleitoraaquariana.blogspot.com

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  11. Um bom "estudo" sobre as Crônicas de Nárnia. É uma pena que na época que li os livros, eu não tenha notado essas semelhanças, mas me recordei das cenas quando você citou-as no texto. São devaneios que fazem a diferença.

    Até mais

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