Eterno Chespirito [Devaneios]

Como todos sabem, esse fim de semana faleceu Roberto Gomes Bolaños, conhecido no México como Chespirito, mas no nosso Brasil ficou eternizado pelo seu personagem de maior destaque: o Chaves.

Ficamos profundamente tristes com a morte do ator e roteirista. E decidimos deixar nossa pequena homenagem a este que deu vida a figuras da cultura pop que desde a década de 1970 até hoje estão presentes na vida de homens, mulheres, jovens e idosos em toda a América latina.

Bolaños nasceu na Cidade do México em 1929, na década de 1950 inciou sua carreira de escritor elaborando roteiros para séries em seu país e mais tarde para filmes. Na década de 1960 começou a atuar também. Uma curiosidade é que o apelido Chespirito é uma forma espanhola de dizer "pequeno Shakespeare", uma forma alegórica de expressar a genialidade de Bolaños.

Em 1968 iniciam-se as transmissões Independentes de Televisão no México e Chespirito foi convidado a escrever para um programa chamado "Los Supergenios de la Mesa Cuadrada". Ao lado de Chespirito, contracenavam Ramón Valdés, Rubén Aguirre e María Antonieta de las Nieves, pessoas que o acompanharam em outras produções artísticas durante sua carreira. 


Em 1970 Bolaños deu vida a Chapolin, um herói atrapalhado e com poucos poderes, mas, das formas mais inusitadas e ao acaso, conseguia desvendar os mistérios a que era convidado a resolver.

Em 1971 surgiu Chavo del Ocho, no Brasil apenas Chaves, sua interpretação de maior sucesso. A série conta a história do menino pobre da vila - todos devem conhecer - e o programa é transmitido até hoje em nossa terra pelo SBT e redes de TV por assinatura.

Bolaños elaborou os personagens interpretados pelos atores Carlos Villagrán, Ramón Valdés, Florinda Meza, Rubén Aguirre, Édgar Vivar, Angelines Fernandez, Raúl Padilla, Horacio Gómez Bolaños e María Antonieta de las Nieves. Claro, cada um desses deu sua cara própria e vida aos interessantes moradores da vila.

Além desses dois principais, Bolaños deu vida também ao dr. Chapatin, o ladrão Chompiras e muitos outros personagens menores. Chespirito quando jovem foi jogador de futebol, boxeador e radialista antes de ingressar na TV, tão multifacetado como seu Madruga, personagem que inventou e foi vivido por Ramón Valdés. Bolaños se casou duas vezes e residia  ao lado de Florinda Meza, que conhecemos bem pelo personagem Dona Florinda.

Sempre gostei de ambos, tanto Chaves quanto o Chapolin, mas meu preferido é desde sempre o herói das anteninhas de vinil. O brilhantismo de Bolaños é notável nessa série. Em momentos diversos, parodiou imortais da música, como Frédéric Chopin, também obras da literatura, como o Fausto de Goethe, do cinema, com Charles Chaplin e o Gordo e o Magro, além de personagens da história como Napoleão, Colombo, e tantos outros.

Com pouca tecnologia, fez esquetes geniais e atemporais, atrelado a sua genialidade no roteiro, com uma ótima equipe de atores e atrizes, que fizeram dos programas sucesso em toda a América. Bolaños era formador de opinião no México e vinha recebendo homenagens diversas nesses últimos anos.


Chaves e Chapolin são atemporais. Fazem rir, mesmo com insistentes reprises, sabemos as falas de cor e salteado, falamos elas até mesmo antes do personagem na telinha e damos risadas logo após, mesmo assim amamos.

Sobre Chaves, conversamos com idosos e  com crianças em um mesmo tom. Bolaños conseguiu unir gerações por meio do riso simples, sem apelação sexual e na inocência que tanto faz falta nos dias de hoje.

Bolaños faleceu em 28 de novembro de 2014, por complicações respiratórias e diabetes em sua residencia na cidade de Cancún, no México. Seu enterro foi transmitido para vários países, seu corpo foi velado no estádio de futebol de seu time do coração.

Chespirito morre, mas sua obra continuará ainda por incansáveis reprises que ainda dão um gosto de inédito quando assistimos. Seus bordões como "Ninguém tem paciência comigo", ou "Sigam-me os bons!" continuarão a fazer parte de nossas vidas e quem sabe até de mais uma geração, ou duas... só o tempo dirá. Ainda veremos muitos memes nas redes sociais com seus personagens. Mas que seja assim. a vida segue, o corpo se vai, a obra permanece.

Gracias  por siempre, Chespirito!

Alexandre Melo
Compartilhe no Google Plus

Sobre Alexandre Melo

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

7 comentários:

  1. Alexandre, também jogo no time dos que preferem o Chapolin, é uma série de humor perfeita, que sabia contar histórias muito bem e mesmo sem que se tivessem personagens recorrentes como em Chaves, tem alguns simplesmente inesquecíveis: como se esquecer do PIrata Alma Negra? Bolaños era mesmo um gênio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Chapolin é o melhor, e além de tudo, um herói latino-americano

      Excluir
  2. Olá! Eu assistia muito Chaves quando pequena, tenho saudade dessa época. A morte dele foi uma grande perda para sociedade.

    http://www.whoisllara.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assisto chaves e chapolin desde antes de você nascer, e espero que meus filhos também assistam. É um seriado que nunca fica velho. Abraços. Lara!!

      Excluir
  3. Acho que tb fez uma referencia ao principe e o mendigo, qdo transformou a florista vivida por dona florinda. Chaves eh eterno kkk

    ResponderExcluir
  4. Que post bacana! Uma bonita homenagem ao Chespirito! ♥
    Gênio mesmo! Um cara que criou roteiros comoventes, divertidos, sem apelação, apenas com a sua inventividade e criatividade naturais. Personagens que marcaram épocas (continuam e continuarão marcando). Como bem disse você, não importa quantas vezes assistamos aos episódios de Chaves, ou Chapolin, sempre rimos, sempre nos divertimos, ainda que tenhamos decorado as falas.
    Gênio é assim mesmo: imortal.

    Um abraço!

    • Sacudindo Palavras •

    ResponderExcluir