O doador de memórias [Resenha do Filme]


No sábado eu assisti a esse filme que há um tempão eu queria ver. Trata-se de uma distopia, onde a humanidade abdicou das emoções, das cores, da música entre outras coisas que hoje são essenciais, para viver num mundo controlado, sem crueldade ou excessos causados pelo egoísmo.  As pessoas são divididas em funções aos 12 anos, entre elas as de cuidadoras (as pessoas não ficam com seus pais originais, ao invés disso ficam numa espécie de enfermaria até que os anciãos designem uma família para cada bebê),  reprodutoras e aviadoras.

De vez em quando surge uma criança que não se encaixa em nada, que desafia os paradigmas criados pela sociedade. Essa criança é designada para ser receptora de memórias, ou seja: para guardar em sua cabeça todo o conhecimento da humanidade anterior a essa nova civilização castrada (já já explico porque escolhi essa palavra). Quando estiver pronta, ela ocupará o cargo de "doador de memórias" e terá de aconselhar os anciãos em momentos de crise, com base no que ele sabe e que ninguém mais está autorizado a saber.

Quando Jonas é selecionado para ser o Receptor de Memórias da vez, as coisas nessa cidade cinzenta e nada emotiva estão para mudar. Uma das regalias de sua profissão é poder mentir e violar o código de gentileza, porém, uma vez que se libertou dessas regas, o garoto toma gosto pela liberdade e aprende o significado de aprender algo sentindo.


Bom, eu esperava bem mais do filme, afinal eu quase fui assisti-lo no cinema um monte de vezes. É claro que teve muitos méritos, achei bem especial essa ênfase na diferença entre conhecer algo lendo sobre o assunto e conhecer vivendo-o e sentindo-o. É por isso que os psicólogos acreditam que os adolescentes só aprendem errando, pois assim o significado fica mais vivo dentro da pessoa. O que não gostei foi essa ideia de que o amor que sentimos por nossos parentes, amigos e pessoas próximas seja o motivo para o caos que vivemos hoje. É claro que no fim do filme ele dá uma guinada para outra direção, mas na minha opinião não anula essa filosofia por completo.

Aproveitando para divagar um pouco, o desamor que vivemos com as pessoas desconhecidas não é causado por causa do amor que temos pelos conhecidos. A indiferença pelo resto da humanidade é causada pela necessidade de nos sentirmos melhores que os outros, pois uma vez que os superamos eles se tornam menos que humanos, pois falharam no regime da meritocracia.

Acredito que os bons sentimentos que possuímos são uma prova de que não nascemos para a maldade, estamos aqui para superá-la e aprender a estender esses sentimentos para o resto da nossa espécie.

Um grande beijo da Alê Lemos.

Nota

 

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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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5 comentários:

  1. Ainda não assisti ao filme. Aliás, ainda não li o livro também. Mas pretendo fazer ambos em breve. Só é uma pena saber que o filme não alcançou completamente o seu objetivo.


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  2. Oie Alê!
    Eu queria muito ler o Livro desse Filme, acho muito interessante a ideia da história, mas acabei desanimando quando descobri o número de páginas do Livro! Achei pequeno!
    Espero gostar do Filme, sempre que assisto o trailer fico bastante curiosa e empolgada! ^^

    Beijos e até logo! :D
    https://worldofmakebelieveblog.wordpress.com/

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  3. Ainda não assisti ao filme e também não li o livro.
    A história lembra um pouco a série Divergente.
    Me interessei pelo filme, lendo sua resenha. Confesso q ainda não tinha ouvido falar dele.
    Estou desinformado...
    Finalizou bem quando disse "os bons sentimentos que possuímos são uma prova de que não nascemos para a maldade, estamos aqui para superá-la e aprender a estender esses sentimentos para o resto da nossa espécie". Como disse Rousseau, nascemos bons e a sociedade nos corrompe. Temos q aprender a não nos deixar corromper e voltar a ter os bons sentimentos.

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  4. Uma característica humana é que não somos completamente bons assim como não somos completamente ruins.
    Todos temos dentro de nós a bondade e maldade, o que nos diferencia é a maneira como reagimos a essas características. Alguns pendem mais para um lado, outros pro outro.. Me atrevo até a dizer que desde o nascimento já temos isso dentro de nós.
    Onde há luz sempre haverá escuridão.

    O Outro Lado da Raposa

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  5. Eu tenho muita vontade de ler o livro. Não sei se assistiria pois li em alguns blogs que é bem diferente as histórias. Nossa fiquei encucada agora com essa filosofia que tentaram passar no filme.

    Blog Prefácio

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