O Amante de Marguerite Duras [Resenha Literária]


Sabe aquele livro que faz parte da sua vida desde quando você se lembra e de tempos em tempos você sente uma necessidade existencial de voltar a lê-lo, quase como se ele chamasse o teu nome? Pois é, "O amante", da francesa Marguerite Duras, é esse tipo de livro.

Quando li esse livro pela primeira vez tinha uns 11 anos, era uma adolescente melancólica e encontrei na narrativa poética, introspectiva e franca da Marguerite um tipo de sincronia afetiva. Vejam bem, não fui uma criança ou adolescente de sexualidade a flor da pele, mas não foi a história contada no livro a responsável pelo meu afeto e sim a forma como a história era contada.


O "Amante" é uma das obras mais autobiográfica da Marguerite Duras. Nele ela conta sobre sua relação com um homem rico chinês quando sua família morava em Saigon, então colonia francesa. Esse jovem ajudava a manter a ela e a sua família por todo o tempo em que a relação durou e a relação durou até ela voltar a França, aos 15 anos.


No frigir dos ovos, a história é comum, não sejamos ingênuos, quantas meninas/mulheres, mesmo na classe média, não mantém "namoros" unicamente pelas vantagens financeiras oferecidas pelo namorado a elas e aos seus? Hoje é comum namorados manterem vida sexual, no inicio do século XX nem tanto, mas relações que são sustentadas por interesse financeiro continuam a existir. Basta olhar em volta e a gente percebe.

Se a história é comum, a forma como ela é contada não. Marguerite se abre com o leitor, nos conta da sua intimidade mais profunda. Ela é clara, lirica, poética, franca, delicada, profunda. Ela nos envolvem em sua história contadas em voltas, de forma não linear.


A história é contada a partir do primeiro encontro da jovem com o homem que viria a ser seu amante, mas a partir dai caminha para o futuro, o passado e o presente da autora, construindo uma atmosfera de intimidade. Assim, a autora conta os detalhes de sua relação com o amante asiático, o prazer do sexo, os atritos com o irmão mais velho, o amor pelo mais novo, a complicada relação com a mãe, o amor pela escrita, como tudo isso influenciou na formação de seu caráter.


Como já disse, li "O amante" pela primeira vez aos 11 anos, recentemente voltei a relê-lo através do kobo e um pouco mais recentemente adquiri o livro físico. Para mim ele é canônico, está na lista das minhas primeiras leituras impactantes, foi companhia. Sei que vou desejar lê-lo novamente daqui a algum tempo.

Indico a quem aprecia ouvir uma história verdadeira, contada de forma franca, sem julgar os sujeitos envolvidos. Marguerite Duras é uma reconhecidamente uma das principais autoras do século XX, "O amante" é o mais autobiográficos de seus livros deu origem a um filme homônimo, como a Marguerite não gostou, eu tenho decidido continuamente não assistir a ele, mas ele está disponível no Netflix.

Minha atual edição integra a "Coleção Cosac Naify Portátil", em outras palavras, um livro de bolso sem muitos malabarismos gráficos. Porém, ele vem com um posfácio Leyla Perrone-Moisés,  Profª da USP, Livre docente, pesquisadora Qualis A do CNPQ. Assim, a edição da Cosac Naify consegue ser , ao mesmo tempo, econômica e completa.

Dados do Livro:

Livro: O amante
Autora: Marguerite Duras
Tradução: Denise Bottman
Posfácil: Leyla Perrone-Moíses
Editora: Cosac Naify
Edição: 1º, 2012

Nota:




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Sobre Pandora

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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8 comentários:

  1. eu li há anos, emprestado de uma biblioteca. uma das que era sócia gratuitamente. amei, bem como o filme tb que vi uns anos depois. legal a resenha. eu sempre fico com pena de reler com medo de deixar vários livros a ler. beijos, pedrita

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  2. Nossa, eu não conhecia esse livro, que vergonha!!
    Adorei demais a história, tenho certeza que é um clássico que preciso ler.

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  3. Não conhecia o livro, então gostei bastante da dica. Apesar da premissa ser meio comum, eu gosto dessa narrativa mais trabalhada. Acho que darei uma chance para a obra.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de agosto. Serão dois vencedores.

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  4. Oi, MIchele! Tudo bem com você?
    Tenho vergonha em admitir, mas conhecia nem o livro e muito menos o filme. Muito obrigada pela dica.
    Beijokas!!!
    http://viciadasemlivros911.blogspot.com.br

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  5. Olááá!

    Adoro poder reler um livro depois de tanto tempo e ainda assim ele ter um grande significado para mim. Acho que essa é a magia da leitura.
    Não sou fã de relatos desse gênero, mas fiquei bem entusiasmada com o que foi dito por aqui <3

    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  6. Oi Pandora.

    Não conhecia o livro, mas de cara fiquei fascinada. Acho fantásticas essas histórias escritas de maneira clara e como se a autora estivesse abrindo sua vida para o leitor. Já anotei a sua indicação e assim que tiver a oportunidade irei ler.
    Bjoks da Gica.

    umaleitoraaquariana.blogspot.com

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  7. Amei o blog! Adorei como você falou do livro, fez eu me interessar muito por ele. Gostei muito da capa também, sempre é a primeira parte a me atrair. Vou colocá-lo em minha lista de leitura.
    Meu blog é novo, se seguir eu retribuo
    http://meninadalivraria.blogspot.com.br

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  8. Sabe que estou lendo esse livro agora? Tenho percebido que gosto demais de prosa poética, e de narrativas não tão lineares. Até o momento estou gostando do livro. Em breve te conto o que achei.
    Abraços Jaci!
    Alexandre do blog Do Que Eu Leio
    @_alexandremelo

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