A Conspiração Franciscana [Resenha Literária]


A Conspiração Franciscana
Autor: John Sack
Ano: 2007 (2005)
Editora: Sextante

Li esse livro pela primeira vez há quase 10 anos! Sempre fui apaixonada por textos de aventura pautados em temas digamos históricos. O fato é que dando uma geral nos meus livros senti volta de reler e produzir essa resenha.

O livro é ambientado na Itália em pleno século XIII e tem como personagem central Conrad de Offida, um eremita que recebe uma estranha mensagem do Frei Leo, que estimula Corand a realizar um levantamento sobre a vida e a morte de Francisco de Assis. É a partir dessa mensagem que Conrad parte em busca de respostas que o levam a conflitos de seu passado e mesmo de sua ordem que parecem não terem conclusões, ou ao menos conclusões que não implicassem em altos riscos.

Paralelamente a história de Conrand vemos o desenrolar da história de Orfeo, um jovem de Assis e que é amigo pessoal do papa Gregório X. Em um dado momento a História de Conrad e Orfeo se cruzarão e tendo como fio ligante a investigação pela história de Francisco de Assis, o trio de investigadores é fechado com Amata que não apenas ajudará Conrad, mas também se envolverá com Orfeo. Os vilões da história são chefiados pelo frei Bonaventura que fará de tudo para dificultar a vida de Conrad e seus companheiros.

Contudo, é no meio desse desenrolar que vemos uma tentativa de ambientação da sociedade italiana do século XII que estaria diretamente ligada a um mundo de comerciantes e igreja. Não vou discutir história, afinal, literatura e cinema não têm porque necessariamente discutir fatos reais e ambientações precisas, muito embora sejam capazes de produzir um discurso de verdade naquele que lê ou vê. Porém, eu diria também que há uma série de problemas do ponto de vista histórico, tal como uma forte sugestão de Itália unificada, isso não é dito abertamente, mas fica nas entrelinhas.

Talvez o mais interessante da trama seja a tentativa de se espelhar na obra O Nome da Rosa, escrita pelo historiador Umberto Eco, e ao mesmo tempo de fazer críticas abertas e fortes as chagas e consequente experiência mística de Francisco de Assis. E as críticas logicamente passam pelo crivo da razão, isto é, a todo o momento Conrad apreende indícios de que Francisco foi apenas um indivíduo como outro qualquer, que num dado momento se tornou um religioso e tudo o que ocorria em sua vida era fruto ou tinha como norte a sua fé. A questão que sua fé e ações acabaram resultando em um grande movimento, contando com adeptos poderosos e que não estavam dispostos a abrir mão do poder adquirido por intermédio do nome de Francisco. E essa talvez seja a grande crítica: instituições religiosas são forjadas e perpetuadas a partir da manipulação e venda de ideias fantasiosas de líderes de movimento que advogavam terem tido alguma experiência religiosa. E por ato contínuo, os fatos e atos miraculosos não passam de fantasias perversas de uma minoria que visa estar sempre no poder.

Falando assim soa um discurso bastante negativo e talvez desanimador para alguns a leitura do livro. Contudo, eu diria que esse é apenas mais um dos textos tal como os de Dan Brown que apresentam histórias interessantíssimas, mas com forte crítica as instituições religiosas. A questão aqui é não encará-los como uma verdade irrevogável obscurecida pelas instâncias religiosas, mas um texto do gênero épico que permitirá bons momentos de descontração.

Até a próxima!
Juliana Cavalcanti

Nota:



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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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1 comentários:

  1. Oi.
    Tenho esse livro e infelizmente não gostei muito da leitura.
    Achei meio sem graça, a escrita não me agradou muito
    e a crítica religiosa ficou um pouco distorcida.
    Abraços.
    Diego || Diego Morais Viana

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