Amor nos tempos de cólera [Resenha Literária]

Gabriel Garcia Márquez é um autor que você ou ama ou odeia. Eu pertenço ao último grupo.

Pode-se dividir sua obra em 2: contos e romances.
Seus contos são loucos - e não no bom sentido. Neles você encontra crianças se afogando na luz ou um lençol voando - isto nos melhores contos.
Quanto aos romances, que se pode destacar quatro:

  • "Crônica de uma morte anunciada" (único que li com arroubos de qualidade); 
  • "Cem anos de Solidão" (que eu não li, pretendo não ler, e é considerado por muitos sua magnus opus);
  • "Amor nos tempos de cólera"
  • "Memórias de minhas putas tristes".
Admito que a capa é bonita.
Ele se tornou famoso junto com alguns outros autores nos anos setenta durante um chamado "boom literário". Há muita discussão se houve realmente um boom ou não, mas não vou entrar neste interim.

Amor nos tempos de cólera é uma história lenta, nem um pouco inspiradora e que parece tentar entediar os leitores a cada única palavra. Também entra na lista dos piores livros que já li em 2º lugar.

Situada nos anos 30, conta a história de oh, um triângulo amoroso, tão imaginativo e original... que dura 60 anos e 500 páginas. 500 páginas do mais puro tédio. 60 anos de definitiva enrolação em narrativa transitória e travada.
E que ele tem cara de ter sido
um ótimo avô.

A história abre com Juvenal Urbino, velho médico de uma cidade fazendo uma espécie de autópsia num homem chamado Jeremiah Saint-Amour. Este se suicidou porque não queria envelhecer e não é mais citado durante o resto do livro. Todo o primeiro capítulo é desperdiçado nisto. 

À continuação de descobre que Urbino é  casado com Fermina Daza, e que,como maior parte dos casais casados há milênios, sua convivência é bem marcada por picuinhas infantis, batalhas rotineiras e um certo grau de cumplicidade.

Após nos fazer entrar em coma tentando engolir o livro, Urbino morre. Isto abre espaço para Florentino Ariza, antigo amor de Fermina, tentar se reaproximar dela. No dia do velório. 

Ela prontamente o rechaça. A partir daí o livro entra em flashbacks para contar a história deles. Florentino era apaixonado por Fermina e blá blá blá, após muito tempo tentando e blá blá blá, pai dela não permite. Fazendo comparações esdrúxulas entre amor e a cólera, a doença, que supostamente tem sintomas em comum, Marquez nos leva por uma viagem inútil, deprimente, extremamente detalhista e entediante, isto tudo permeado por histórias bizarras como uma acusação de passar informações a rebeldes pelas notas de um violino.

Os fãs dizem que esta é uma narrativa que mostra o amor florescendo em todas as idades e suas diversas formas. Esta é uma leitura possível. No entanto, é muito difícil enxergá-la ao meio de tanto desperdício de tempo e de tanto que Márquez tenta forçar que é um bom autor, com grande vocabulário e uma suposta linguagem poética. Não tenho problemas com vocabulários rebuscados, desde que sejam bem aplicados e que fluam naturalmente no texto, se bem feito, podem tornar um texto muito mais prazeroso, o que não é o caso deste.

"Mas Rafael, GGM é um autor tão reconhecido e famoso, como pode ser tão ruim assim?"

Julguem por si mesmos.

"Tinha ido descobrindo aos poucos a insegurança dos passos do marido, seus transtornos de humor, as fissuras de sua memória, seu costume recente de soluçar durante o sono, mas não os identificou como os sinais inequívocos do óxido final e sim como uma volta feliz à infância. Por isso não o tratava como a um ancião difícil e sim como a um menino senil, e esse engano foi providencial para ambos porque os pôs a salvo da compaixão."
"Começaram a se ver com menos frequência à medida que ela alargava seus domínios, e à medida que ele explorava os seus tratados de encontrar alívio para seus velhos padecimentos em outros corações desarvorados, e por fim se esqueceram sem dor."

O livro é de todo ruim?
Não. Tem uma frase no livro que é extremamente interessante, e retrata a visão de de Urbino a respeito da morte. Uma frase. Só uma. Não duas. Uma.

"Cada qual é dono de sua própria morte, e a única coisa que podemos fazer, chegada a hora, é ajudá-lo a morrer sem medo nem dor.".



Nota: 0,5
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Sobre Rafael Castro

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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6 comentários:

  1. ficou ótimo o layout. é o meu preferido do gabriel garcía marquez. simplesmente maravilhoso esse livro. beijos, pedrita

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  2. Olá!
    Tenho pavor de triângulos amorosos então não tenho interesse nenhum nesse livro, fico triste ao saber que alguém não gostou de um livro, mas te entendo totalmente.

    http://whoisllara.blogspot.com.br/

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    1. Eu não diria que eu tenho pavor de triângulos, mas a maior parte das palavras que eu usaria para definir não seriam muito adequadas aqui. É uma piada. Eu acho.
      Entre elas entram "desgosto", "vergonha alheia" e "ESSA CARNIÇA FOI ESCRITA NO SÉCULO XX, NÃO FOI TRIÂNGULOS AMOROSOS JÁ ERAM VELHOS EM 1500, DEMÔNIOS! POR QUE NÃO INOVA UM POUCO???? MEDO DE NÃO VENDER????"

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  3. Eu não li este livro do autor, mas outros dele que conferi eu gostei bastante, especialmente De amor e outros demônios.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  4. Eu ri das crianças se afogando na luz e dos lençois voando.
    Confesso que nunca tive vontade de ler nada do Gabriel, então não me encaixo em nenhum grupo.
    Beijos
    Balaio de Babados | Participe da promoção Natal do Babado

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    1. O pior é que isso é sério haha
      Eu não tive muita escolha, tive que ler por conta da faculdade. C'est la vie.
      Até breve, Luiza
      Bons sonhos

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