Perfil H. P. Lovecraft

Cthulhu

Não sou um grande fã de terror. Nem de longe. No entanto, sou leitor de fantasia e o terror está constantemente relacionado à mesma. Assim, me acostumei com o terror lido. Acho que consegue ser muito mais invasivo e completo que o de um filme, que conta com elementos multissensoriais para conseguir colocar a audiência neste estado de tensão.
Cara de bem amigável e simpático, né? É o sorriso.

H.P. Lovecraft é considerado um dos maiores nomes do terror moderno, moldou o gênero como é hoje e influencia diversos autores. King, Moore e Del Toro vão beber nele. Ser cânone não é sinônimo de qualidade, mas ser Lovecraft é. Dentre seus contos, meu favorito é Aprisionado com os Faraós, presente na antologia A Tumba e Outras Histórias.. Este conto me perturba de forma infantil até hoje, mais de cinco anos após tê-lo lido.

Criador e representações de criatura.

Narrado em primeira pessoa, o protagonista é ninguém menos que Harry Houdini, que, ao visitar o Egito, teria ficado intrigado pela Esfinge e uma espécie de lenda que a envolve: o rosto que podemos observar hoje em dia é o de um faraó, mas este não seria o rosto original. O original é algo primordial, primitivo, sombrio e desconhecido. Após ser capturado por uma turba que queria testar suas habilidades, Houdini se vê preso dentro da pirâmide de Quefren. Explorando-a, o mágico vai explorando a pirâmide e a esfinge, até descobrir um ritual macabro acontecendo.


Domando a tensão como o Hans Zimmer domina os scores, Lovecraft fez um trabalho exemplar neste conto. O início parece uma narrativa comum, mas pouco a pouco, da forma mais sutil possível, o leitor vai ficando tenso. Nervoso. Teso. E sem nem saber com o quê. Eventualmente descobrimos o que nos deixa tão aflitos: uma única imagem. Ela é preocupante e desconcertante, mas não se torna realmente aterrorizante até Lovecraft explicar, de forma indiferente e despreocupada, bem blasé, em uma única frase, o que é nos aflige.

Olhe para a imagem deste hiperlink e diga que você não quer.
Eu te desafio.
Outra de suas obras famosas é Cthulhu Mythos, que é de difícil definição, mas seria algo como uma bíblia/compêndio de contos que compõem uma mitologia: a de Cthulhu e os Antigos (Great Old Ones). São criaturas divinas absurdamente terríveis, enormes, antigas e que um dia voltarão para dominar e aterrorizar a humanidade. E também para vender pelúcias como essas, PORQUE CTHULHU, A BESTA DEVORADORA DE MUNDOS CHIBI É UMA FOFURA E TODO MUNDO QUER.


Algumas pessoas criticam Lovecraft e algumas de suas posturas, e o adjetivo que mais costuma acompanhar estas críticas é “racista”. No entanto, estas pessoas simplesmente não entendem Lovecraft:  ele não era racista. Ele odiava toda a humanidade de forma homogênea, incondicional e sem preconceitos. Seria adorável não tomar uma garrafa de vinho com este cara. 

Rafael Castro
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Sobre Rafael Castro

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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4 comentários:

  1. Eu AMO histórias de terror (apesar de não suportar ver filme de terror) (contraditório, não?). Infelizmente nunca li nada do Lovecraft, mas o carisma dele nessa foto me conquistou hahahha
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    1. Oi, Luiza!
      Não acho contraditório não, acho que apenas as pessoas mais legais sentem isso haha
      Se for começar a ler, recomendo começar por A Tumba e partir daí pras outras.
      Abraço

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  2. Existem diversos contos traduzidos na internet. Posso recomendar Dagon, A Tumba e O Templo :). Sobre a questão "racista" do autor, é preciso levar em consideração os fatores da época como a grande depressão, a invasão de imigrantes (e o senso de ameaça ao trabalho) e a cultura de escravidão vindas dos antepassados. Lovecraft era uma pessoa tímida e reservada que não teve uma infância fácil, o que ajudou a criar insegurança e preconceito em relação aos "estrangeiros". Parabéns pelo artigo \o

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    1. Olá, Fernando!

      Obrigado!

      E sim, é preciso considerar e entender o contexto histórico e vida do autor, mas, como uma amiga certa vez me disse, falta a sensibilidade para fazê-lo.

      Já disse em outros textos que não devemos julgar um autor pela sua posição ideológica (no sentido mais aberto possível), mas sim suas obras pela sua qualidade.

      Obrigado pelo comentário.

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