Dica para ver nas férias: Bonequinha de Luxo


Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's) filme clássico, estrelado pela atriz Audrey Hepburn, era um dos filmes mais queridos de uma amiga minha. Lembro dela ter ficado chocada, não só por eu nunca ter visto, mas também por nunca ter ouvido falar nele, ou na própria Hepburn. Ela dizia que era um filme lindo, romântico e que eu não sabia o que estava perdendo.

Bom, fiquei sem saber por muitos anos a mais, até que num domingo qualquer eu o encontrei no Netflix e resolvi assistir por pura curiosidade. Não achei que fosse lindo, ou que viraria um dos meus favoritos, mas não dá para negar que o filme é uma comédia (morri de rir do início ao fim), mas também fala da liberdade sexual feminina, máscaras sociais, identidade, medo e uma profundidade de outros temas.

Audrey vive uma caçadora de dotes que arranca dinheiro de ricaços (até para ir ao toilette). Seu lugar favorito é a loja Tiffany's em Nova Iorque e sua fonte de renda mais fixa é passar mensagens criptografadas para um traficante preso em Sing Sing. Logo no início da história ela conhece Paul, um jovem escritor com quem simpatiza imediatamente e se identifica, porque ele ganha dinheiro por dormir com sua “mecenas”. Ela pula na janela dele para fugir de um amante descontrolado, dorme no peito de Paul e depois pula da cama brigando com ele. Acho que foi essa inconstância que fisgou o mocinho, porque eles passam a ser inseparáveis.


A ideia do filme me lembra um trabalho que li sobre uma produção dos anos 1950. Digo isso, porque Holly (a personagem de Audrey) é uma mulher que vive cuidando de si mesma, é muito consumista e dorme com quem quer sem se apaixonar, mas que no fim deseja é a proteção de um marido (hem, hem da conta bancária de um marido). Todas essas características também aparecem no filme Como agarrar um milionário (estrelado por ninguém mais que Marilyn Monroe) e reproduzem a situação da mulher na década de 50, onde coisas importantes, como a pílula anticoncepcional estavam começando a revolucionar a vida da mulher. Essas semelhanças parecem dizer que em 1961 a mulher americana ainda estava presa à propaganda dos setores tradicionais da sociedade que tentavam fazê-las voltarem a se dedicar exclusivamente ao lar*.

Além dessa curiosidade histórica, gostei principalmente do Gato, o pet de Holly que não tem nome. Ele é tão livre como sua dona e também vive aprontando, como se fosse um gato selvagem, pulando nas pessoas. Por causa dessa semelhança, Holly transfere para ele sua identidade problemática. Ao não dar-lhe um nome priva-o de sua identidade, assim como se priva disso fingindo ser a pessoa que seus amantes querem que ela seja.


Quando ela conhece Paul, afirma que só batizará o bichano quando achar um lugar a que possa pertencer, o que na minha cabeça parece ser o sinal que Holly espera para ser ela mesma. O que ela não sabe, é que esse lugar não é físico, é dentro dela, mas o filme parece discordar de mim e dá a entender que é no coração de Paul. Deve ser porque é através da ação dele que a verdadeira Holly é desvendada e seus segredos mostram que por baixo da capa ela não é nada fútil. 

Bom, vou ficando por aqui. Espero que se vocês forem super fãs do filme, evitem jogar legumes podres em mim. Gostei do filme, gostei do jeito maluquinho e livre de Holly porque ela ama com desprendimento, mas se eu quiser ver um romance vou dar sempre preferência a Orgulho e Preconceito. Um abraço! 

Alê Lemos. 

*Durante a 2ª Guerra Mundial, as mulheres avançaram no mercado de trabalho por causa da ausência de trabalhadores homens.
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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13 comentários:

  1. Olá!

    Apesar de conhecer, nunca assisti. Apesar de ser um clássico, nem tenho tanta vontade de ver assim. Prefiro os clássicos dos anos 80 e 90. Mas gostei da sua visão apresentada na resenha.

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  2. é ótimo mesmo. demorei anos para ver e não sei pq esperei tanto. beijos, pedrita

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  3. Ahh eu não diria que o fato de ela se encontrar no coração do Paul faz com que esse filme seja mais sobre romance do que sobre outras coisas... Holly nunca foi amada e pra se encontrar, acho que ela precisou perceber que poderia encontrar apoio em alguém.
    Sou muito fã da Audrey e talvez isso faça com que eu admire muito essa obra, mas acho que realmente Bonequinha de luxo é um verdadeiro clássico e quem ainda não viu, tá perdendo muito!
    Beijoss
    www.vidaemmarte.com.br

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  4. Oi, oi!

    Eu nunca assisti a esse filme, mas já ouvi muito falarem dele perto de mim. Mas, eu tenho uma coisa de julgar filmes mais antigos, sabe? Tenho medo de ver e não gostar. =/

    Vou adicionar esse na minha listinha, vai que eu gosto...

    Bjs!


    Não me venha com desculpas

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  5. Já bati o recorde de tantas vezes que assisti Bonequinha De Luxo e sempre que posso recomendo ele a alguém.
    Gostei muito do post
    Beijo

    www.tecontopoesia.com

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  6. Estou na mesma situação do início do post. Tenho uma amiga que adora e eu nunca vi. Eu já conhecia um pouco da história, mas a sua resenha aprofundou os meus conhecimentos sobre.

    Beijos,

    Algumas Observações

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  7. Olá Alê. Como você está???

    Já tinha houvido falar desse filme, mas não sabia sobre o que se tratava. Fiquei super curiosa para ver, pois adoro esse tipo de filme que retrata essa transição entre a mulher que se arrumava toda como se tivesse o dia inteiro para isso, mas mesmo assim era independente para trabalhar ou dar golpes por aí! kkkkkkk :D :D Super indicação, adorei! Bjoks da Gica.

    umaleitoraaquariana.blogspot.com

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  8. Parece ser um filme incrível. Além de ter marcado uma época, traz questões bem interessantes.
    Vou conferir.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de janeiro. Serão dois vencedores!

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  9. Oi Alê! Eu amo esse filme, Audrey Hepburn é diva né! Tenho meu box com filmes dela aqui :) Esse filme tem linguagem atual, uma mensagem pra passar pra nosas geração e é maravilhoso, assiste também My Fair Lady e Sabrina :) Orgulho e Preconceito também vai ser pra sempre meu favorito ^^ Amei o post e seu ponto de vista! Beijos!
    http://www.trocandodisco.com.br/

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  10. Olá!
    Amo esse filme, não só pela história, mas por esses figurinos e cenários lindos que me fazem querer voltar no tempo para viver nessa época.

    http://whoisllara.blogspot.com.br/

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  11. Se tem um filme que eu já tentei ver várias vezes foi esse, dizem que é ótimo.
    Mas eu nunca consigo passar de 20 minutos de filme.
    :(
    Quem sabe esse ano eu tento novamente!

    bjs!
    www.auniversitaria.com

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  12. Fiquei muito contente ao ler a sua crítica sobre este filme maravilhoso. Primeiro porque vejo que pessoas jovens também podem admirar um filme bom do passado e segundo porque li uma crítica muito bem estruturada com análises bem consistentes e explorando aspectos pouco analisados nos filmes e, neste em particular. Você foi fundo nas suas observações Marise pelo que lhe dou os parabéns. Sinceramente, não esperava que alguém tão jovem quanto você pudesse alcançar detalhes tão milimétricos do filme como, por exemplo, o que o gato dela simboliza. Você realmente me deixou muito feliz.

    Sou Alberto Valença do blog Verdades de um Ser e colaborador do Meu pequeno vício e Depois da sessão de cinema. Agora criei também um blog de viagens - O seu companheiro de viagem.

    Verdades de um Ser
    O seu companheiro de viagem

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  13. Olá, Alê.
    Eu já até conhecia o filme, mas nunca assisti. Nem nada da atriz. Achei a história interessante mas não sei se assistiria. Eu li um livro com esse mesmo nome, sabe se é adaptação ou não tem nada a ver?

    Blog Prefácio

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