Tudo que aprendemos juntos [Resenha do Filme]



Essa é uma daquelas resenhas difíceis de escrever, pois Tudo que aprendemos juntos é um filme sobre duas coisas nas quais eu estou mergulhada dos dedinhos dos pés até o último fio de cabelo, a saber: a vida na periferia (favela) e a docência. Sou, entre muitas coisas, professora e moradora de uma favela na zona norte de uma metrópole (Recife), então me identifiquei tanto com a trajetória do Profº de música Laerte, quanto dos alunos deles tornando a escrita dessa resenha capciosa.


A vida numa periferia definitivamente não é fácil, aqui além da dificuldade natural que todos os seres humanos enfrentam diariamente existem os muitos problemas de urbanidade e uma negligencia deliberada no oferecimento de serviços como educação, saúde, segurança, saneamento básico. No entanto, esse contexto, é bom deixar claro, não tira a humanidade de ninguém, nos endurece, é verdade, mas não nos torna menos humanos. A carência e a sensibilidade natural do ser humano para se deleitar com a arte não abandona as pessoas que vivem na periferia, entre becos, vielas, escadarias e ladeiras circulam pessoas que sonham, amam, desejam e são facilmente sensibilizadas pela arte quando entram em contato com ela.


Em Tudo que aprendemos juntos, Laerte, um violonista brilhante, que por nervosismo não consegue ser aprovado em um teste para OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), aprende tudo isso quando por força da necessidade acaba tendo que aceitar o emprego como Professor de Música de uma escola na periferia de São Paulo.

Para alguns a docência é escolha, para outros é um escape, para todos, em qualquer contexto, é um desafio, em uma escola pública na qual o máximo possível pode ser o minimo necessário o desafio é maior ainda, assim como os resultados possíveis de serem obtidos pelos professores que se propõem a trabalhar de fato. Existe uma dor e uma beleza nesse trabalho sem tamanho, você descobre a força que existe do outro lado da fraqueza, encontra lágrimas, e na mesma medida sorrisos sem tamanho. Sorrisos de ORGULHO! E isso é algo que o Professor Laerte também aprende.


Tudo que aprendemos juntos é um filme muito verdadeiro. Lazaro Ramos fez um professor Laerte sem excessos, ele não é um herói ou um líder carismático, ele não está ali por convicção e sim por necessidade. Ele se destaca apenas por fazer seu trabalho de forma conscienciosa, às vezes é insensível, mas se deixa moldar da melhor forma pela experiencia da docência. Ensina música e aprende novas sensibilidades, às vezes se sente frustrado, me identifiquei muito quando ele tomou um porre (quem nunca?), às vezes ama a ponto de ir trabalhar no sábado, às vezes quer sair correndo (quem nunca [2]?).


Sem excessos, com muito respeito, o diretor Sérgio Machado adentrou o espaço da periferia e fez dela e de seus sujeitos personagens um cenário para um filme inspirado em uma história real, a da Orquestra de Heliópolis. Vê esse filme foi uma experiência única, me vi sorrindo e chorando, me identifiquei e indico a quem gosta de uma boa história, um tanto dramática, mas com um desfecho cheio de esperanças.

Tudo Que Aprendemos Juntos
Direção: Sérgio Machado
Gêneros Drama/Musical
Lançamento: 2015 
Distribuidora Fox Film


O dvd deste filme nos foi gentilmente cedido pela Fox Film


Jacilene dos Santos (Pandora)
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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16 comentários:

  1. Olá! Não sou muito acostumada a ver filmes brasileiros, mas esse parece ser muito bom.
    O jeito que você descreveu na resenha parece ser um filme ótimo, e cá entre nós, adoro uma coisa dramática hahah


    Beijos,
    Natália.

    www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com.br

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  2. Oi, tenho que ser sincera não assisto filme brasileiro mas esse parece ser bom, acho que vou assistir porque gostei da sua resenha, foi muito bem feita.

    tem um sorteio rolando la no blog e gostaria de convidar vc e seus leitores para participarem,bjus

    http://dicasdachil.blogspot.com.br/2016/04/sorteio-1-ano-de-blog-dicas-da-chil.html

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  3. Oi, Jacilene! O filme parece ser muito bonito. De vez em quando a gente vê histórias de pessoas que fazem trabalhos como o de Laerte, mas por escolha e vontade de levar arte (ou o que quer que seja) para pessoas tão carentes de tantas coisas. Mesmo sem ter visto o filme, posso imaginar que ele aprendeu bastante com a experiência.

    Beijos, Entre Aspas

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  4. Oi
    Parece ser um filme bonito e com uma história envolvente e além disso tem o Lazaro que acho ele um ótimo ator, gostei da sua opinião e fiquei com vontade de conferir por conta desse poste,

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  5. Oiii

    Não conhecia o filme, mas gosto bastante do Lazaro. Parece ser um filme tocante!
    Vou anotar sua sugestão.
    Beijos!

    Cintia
    http://devaneiosdeumacindy.blogspot.com.br/

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  6. Oi, Pandora!
    Eu não conhecia esse filme do Lazaro Ramos, mas anotei aqui pra procurar na netflix.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  7. Pôxa Pandora, fazia tempo que eu não lia alguma coisa sua. Hoje me deparo com esta resenha brilhante que nos deixa com vontade de conhecer o filme aobre o qual você escreveu. Nunca tinha ouvido falar deste filme mas, certamente vou anotar na lista dos meus desejados. Adorei lhe reencontrar aqui. E parabéns.

    Sou Alberto Valença do blog Verdades de um Ser e colaborador do Meu pequeno vício e Depois da sessão de cinema. Agora criei também um blog de viagens - O seu companheiro de viagem.

    Verdades de um Ser
    O seu companheiro de viagem

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  8. Olá!
    Também sou da região metropolitana do Recife e adorei vir aqui e ver essa crítica tão bem escrita por uma conterrânea! Como você msm disse no blog "Balaio de babados" precisamos de um clube do livro por aqui!
    Eu tenho assistido poucos a filmes brasileiros, mas é sempre bom encontrar um que valha a pena. Vou procurar esse.
    Já estou seguindo aqui, beijo!
    Lua.

    http://luahmelo.blogspot.com

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  9. Oi, oi Pandora!
    Eu não conhecia esse filme, mas só de ter o Lazaro já sei que quero muito ver. Os trabalhos dele são de ótimo gosto e pela sua review, o filme também é muito bem abordado. Amei a indicação! <3
    Beijos!
    Borboletas de Papel | Fanpage

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  10. Este é mais um dos filmes maravilhosos que o Brasil possui, mas que não são conhecidos. Eu não conhecia, mas adorei conhecer. Fico feliz em saber que os filmes brasileiros não são só "peitos, bundas e piadas forçadas".

    Abraços,

    Blog Decidindo-se \o/

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  11. Oie,
    não conhecia o filme, mas parece ter uma história bonita. Aposto que meu marido iria adorar.
    Vou procurar na netflix.

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  12. Olá, Pandora.
    Não conhecia o filme, mas fiquei muito interessado. Já vou conferir se tem o filme na Netflix para assisti-lo.
    Também sou professor e dou aula em uma comunidade carente. Então, sei bem como são as dificuldades enfrentadas em colégios públicos. Aliás, a vida na chamada periferia não é nada fácil. Principalmente por causa da negligência governamental.
    Ótima dica.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de maio. Serão três vencedores!

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  13. Ah, eu quero muito ver esse filme. Tb sou professora, mas de inglês. E música está no meu sangue, minha família toda é formada por músicos. Amo tudo relacionado a ela!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

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  14. Olá, Pandora.
    Você apresentou dois motivos para ter se identificado com o filme, eu me identifiquei foi com um outro. Amo filmes que tenham músicas. E esse me pareceu ser lindo. Ainda não conhecia ele e não sou muito de assistir filmes, mas vou anotar aqui porque me interessou.

    Blog Prefácio

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  15. Oi doce Pandora!
    É um filme lindo por excelência e um tapa no rosto de muita gente. Sei que você como ninguém sabe como sentir e entender a essência desse filme.
    Linda e emocionantes resenha.
    Beijinhos

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  16. Olá, Pandora.
    Quando eu vai esse filme em cartaz aqui em SP, eu já quis assistir por conta da presença do Lázaro Ramos, que é um ator que admiro muito.
    Agora, depois de ler a sua resenha, a vontade de assistir aumentou consideravelmente, afinal, também sou uma pessoa periférica, que estudei em escolas públicas a minha vida toda, então acho que vai ter muita empatia.

    Abraços.

    Minhas Impressões

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