Cartas Náuticas das Desimportâncias [Resenha Literária]


Faz pouco tempo que comecei a ler livros de poesia. É claro que já tinha lido na escola poemas clássicos de nossa literatura, como Vinícius de Morais, Drummond, Castro Alves entre outros e até arrisco de vez em quando fazer uns versinhos, mas não era assídua leitora deles.

Acontece que há mais ou menos 5 anos ganhei um sorteio num blog amigo e o prêmio era um livro de poemas chamado “A moça do Sonho” da poetisa Janaina Cruz. Eu estava me sentindo culpada por ter ganho porque imaginava que ia ler metade e parar, só que acabei lendo o livro todo e A-DO-RAN-DO! Depois disso fiquei empolgada e comprei um livro da Lica Sebastião e li tudinho também, foi aí que entendi que o que gosto mesmo é de poesia contemporânea, porque quando eu lia os nossos clássicos não conseguia me concentrar e estranhava o jeito como as poesias eram construídas. O pessoal de antigamente estava muito preocupado com a forma e a sonoridade dos poemas e isso me causava estranhamento.


Quando a Michele me pediu para ler o livro da Fabíola eu fiquei na expectativa do estilo dela não ser tão formal e ufa! Não era [risos]. É claro que ela tem conhecimento do assunto, mas acho que prefere dar um ar mais contemporâneo e descolado:

“Meto os pés gelados

No mocassim de camurça,
Apanho a bolsa, retoco o lápis,
reforço o batom carmim.”

(RODRIGUES, Fabíola, Le Jour Gris, pg. 11; 2015)

Tem muitos poemas com versos livres, algumas prosas poéticas e o que me cativou mais foram os poemas com temas cotidianos, porque por mais que poemas de amor sejam bacanas, um poeta que só fala disso me parece aquele tipo de pessoa que coloca o marido na foto de perfil do facebook. Em outras palavras, que não tem mais nada de si para compartilhar com as pessoas.

Viajei bastante na alma da Fabíola, ou melhor no eu lírico dela! Tipo nesse texto fofo:

“L’oiseau et la pluie”

Chove muito lá fora
E a tarde é tão fria...
Na rua, uma agonia quieta,
E o pequenino lá,
Pendurado, manso, imóvel,
Sem um pio, sem um gesto,
Altaneiro e solitário,
Nenhum assobio de dor ou de cólera

Só meu coração alvoroçado,
Choroso...
Rodopia desengonçado
Perturbando essa beleza triste.”

(2015, pg. 22)

Fiquei envolvida pelo passarinho, coitado passando frio do lado de fora! A vontade que dá é de pegar e colocar no colo (“instinto” materno falando alto).Brincadeiras à parte, acho que esse tipo de poema mostra como o cotidiano é cheio de poesia e que basta olhar para pequenos detalhes com alma de poeta para encontra-lo.

Ok,ok agora eu deixou outro trechinho de poema  para vocês, pessoas românticas sedentas de amor:

“Versinhos de amor”

(...)
Andréa, meu amor
Todos os sábados
De lua cheia
Quero tocar minha lira
E beber vinho
Escorregar macio
No cetim cor de jambo
Das suas frutadas planícies de ardor e desejo.

Esse trecho até pega fogo hein? Vinho, ardor, desejo... sei não essa mistura causa incêndio... (e um brinde após nove meses).

Parando com a palhaçada, uma coisa me deixou encucada. No início do livro tenho uma citação do Freud sobre os sonhos serem egoístas e o último poema retoma essa referência. Será que o livro todo trata-se de sonhos? Ou será que é apenas o último?


Dados do Livro

Cartas Náuticas das Desimportâncias
Autora: Fabíola Rodrigues
Editora 7 Letras.
Ano: 2015.



Alê Lemos
Compartilhe no Google Plus

Sobre A Menina das Ideias

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

13 comentários:

  1. Oi Alê, tudo bem?
    Que coincidência, hoje é o terceiro livro de poesia que me indicam. Faz muito tempo que não leio livros desse gênero, mas eu gosto muito e achei esse diferente justamente por ser contemporâneo, estou mais acostumada aos clássicos. Mais um que vai para a lista com certeza!!! Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhodosrabiscos.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Oi, Ale!
    Que leitura diferente, começando pelo título.
    Faz tempo que não leio poesia, mas gosto muito. Sua resenha me deu vontade de retomar esse estilo :)

    Beijos!
    Gatita&Cia.

    ResponderExcluir
  3. Confesso que poemas nunca me chamaram atenção também até que conheci Bukowski e hoje sou completamente apaixonada e tenho uma tatuagem em homenagem. haha
    Lindos poemas, e adoro conhecer autores, principalmente poetas.
    Beijos!

    http://curaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Ei Ale, tudo joia?
    Vou confessar a você que não sou muito fã de poesias, e nem sequer tenho um livro desses aqui em casa. Mas já li que faz muito bem para alma, e que é recomendado ler um poema todo dia antes de dormir hahaha Sempre digo que irei fazer isso mas até hoje nada...
    Gostei da dica, parece ser uma boa coletânea de poemas.

    www.booksever.com.br

    ResponderExcluir
  5. Oi Ale, tudo bem?
    Faz muito tempo que não leio nada do gênero. Teve uma época que lia muito. Tipo 3 a 4 livros de poesia por mês e acho que acabei enjoando. kkk
    Mas gostei da dica.
    Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

    ResponderExcluir
  6. Oi Alê,
    Eu não tenho o costume de ler livros de poesias, mas confesso que o título dessa obra já me intriga.
    Seria algo para sair da rotina, rs.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  7. Oii!
    Gosto muito de poesia, mas não leio com muita frequência! Amei a sua dica <3 Parece ser um livro bem legal e os poemas ótimos! Dica anotada :)

    Beijão!
    Vem conhecer o meu cantinho ♥
    http://cantinhodosrabiscos.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  8. Que indicação bacana. Não tinha ouvido falar da autora. Adorei o cantinho!

    SEMQUASES.COM

    ResponderExcluir
  9. Livros de poesia tem me surpreendido bastante ultimamente também. Cada textinho rico, cada coisa linda de se ler...

    Beijos,
    Postando Trechos

    ResponderExcluir
  10. Olá, Alê.
    Apesar de ter achado a capa do livro maravilhosa, acho que não leria esse livro. Não entendo muito de poemas e poesias. Se você não fala que era sobre o passarinho que estava falando aquele ali, eu nem tinha me tocado hehe.

    Blog Prefácio

    ResponderExcluir
  11. Oi
    Eu não sou de ler poema, então não leria o livro, mas os que você separou no poste são interessantes e que bom que curtiu ler o livro.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  12. Olá Alê;
    Amo poemas, crônicas, pensamentos e afins, claro que não é algo que lemos com frequência, mas quando me deparo com algum livro do gênero leio com afinco.
    Adorei ler uma resenha sobre o tema.

    Beijos da Camila.
    http://cabinedeleitura1.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  13. Olá!
    Já li alguns livros de poesia mas infelismente não consigo gostar. Acho bonito, mas não consigo apreciar de verdade :(
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas

    ResponderExcluir