Original Netflix: iBoy


ATENÇÃO: Pode conter spoiler sobre o enredo! 

No começo eu achei que fosse um filme de ficção científica, depois que comecei a assistir, percebi que poderia ser uma história de um novo super-herói justiceiro bem na pegada de Demolidor, mas então iBoy começou a me surpreender com sua história forte, e em alguns momentos pesada, que lida com temas como violência urbana e sexual. 

Tom (Bill Milner) é um rapaz comum, provocado eventualmente pelos valentões da escola, principalmente por ser jeito calado e reservado. Apaixonado por Lucy (Maise Williams), o protagonista aproveita qualquer chance para ficar perto dela, o que nem sempre acontece, mesmo com os dois morando no mesmo prédio de moradias populares desde crianças. Certo dia, a garota o convida para estudarem juntos, o que sem saber vai mudar a vida de ambos drasticamente. 

Os valentões da escola na verdade são integrantes de uma gangue violenta que atua em nome de um poderoso traficante local, Ellman, que saiu do mesmo complexo de moradias em que os jovens vivem, e de seu braço direito, Cutz. 


A vida de todos se cruzam, quando ao chegar ao apartamento de Lucy, Tom se depara com o irmão dela desmaiado na sala e escuta o grito dela no quarto. Ao ser notado pelos invasores, Tom sai correndo do apartamento e é perseguido por eles e é baleado na cabeça. A grande virada da história acontece neste momento, pois o rapaz é baleado enquanto tenta ligar para a emergência, e o tiro apesar de feri-lo gravemente, não o mata, mas faz com que fragmentos do aparelho sejam instalados no cérebro do garoto. 

Dias depois, Tom acorda no hospital e fica sabendo do que aconteceu, mas é informado de que os agressores não foram identificados e, portanto, ainda estão livres. Livres não apenas de ter atirado nele, e batido no irmão de Lucy, mas também por agredi-la, no filme não fica claro se chegaram a estuprá-la, mas é o que dá a entender. 

Tom vai para casa e sente-se culpado por ter corrido e não podido ajudar, mas aos poucos começa a perceber os reais efeitos colaterais de ter fragmentos de um celular em seu cérebro, pois o rapaz começa a controlar diversos tipos de dispositivos eletrônicos. Meio que sem querer ele acaba identificando um dos agressores através da rede wi-fi da casa de Lucy, e então começa sua vingança contra os membros da gangue local. Tom descobre que a ação não foi um ato de violência gratuita, mas algo planejado e executado por ordem de membros com posições mais altas na hierarquia do grupo, e começa então sua vingança de forma mais elaborada. 


Eu não sou uma pessoa que se prende muito a filmes de super-heróis cheios de efeitos especiais, explosões e pirotecnia, e foi justamente pela quase total ausência destes recursos, que iBoy mais me prendeu. As ações de Tom são planejadas e calculadas, salvo poucas exceções quando ele tem que improvisar. 

Por ser um filme de ficção científica sobre um super-herói adolescente, era de se esperar o contrário e é aí que percebemos o quanto iBoy tem de novo e fresco, pois utiliza das relações humanas e da organização daquela comunidade para contar a história destes jovens, tanto dos “bonzinhos”, quanto dos “vilões”. 

Coloco entre “aspas”, porque os vilões são um retrato da sociedade atual, onde garotos jovens de famílias de baixa renda são atraídos pela possibilidade de mudar de vida e ganhar dinheiro e acabam se tornando criminosos. 

Outro ponto positivo é a mudança de cenário, pois a história se passa em Londres. E como é bom ver algo do gênero acontecendo fora dos EUA. Pelo menos eu, fico dando pulos de alegria! 


Apesar de a motivação inicial do nosso protagonista ter um fundo romântico, essa relação não se torna um foco do filme, apesar de ter me feito torcer pela possibilidade de um relacionamento amoroso entre os dois durante o desenrolar da história. Maise Williams, aliás, protagoniza uma das cenas mais emocionantes do longa, quando sua personagem sai pela primeira vez de casa após o ataque para comprar leite. 

A atriz está muito bem no filme e foi muito legal vê-la interpretando uma personagem contemporânea e diferente da Arya Stark de Game of Thrones. Mostrou que não é atriz de uma personagem só. 

Bill Milner apesar de já ter uma carreira no cinema, tem seu primeiro papel de destaque e não decepciona. Acho possível que muitos garotos de sua faixa etária se identifiquem com ele, pois o ator não deixa o personagem de “looser” ficar caricato, e atua de forma muito natural. 

O elenco é muito bem dirigido por Adam Randall, um diretor jovem e não muito conhecido pelo grande público, mas que me fez ter vontade de conhecer seus outros trabalhos. A forma como o filme foi ambientado e o clima criado, são certamente mérito dele. 


O longa é uma adaptação do livro iBoy de Kevin Brooks ainda sem publicação em português. Se for publicado por aqui, certamente vou querer ler. 

Recomendo para quem gosta de histórias de super-herói, de ficção científica, mas também para quem curte YA contemporâneo e filmes que tem mais de uma camada para mostrar. 

Netflix mais uma vez arrasou e não me decepcionou. 


FICHA TÉCNICA

Distribuição: Netflix
Produtora: XYZ Films / Preety Pictures
Direção: Adam Randall
Elenco: Bill Milner, Maise Williams, Rory Kinnear, Miranda Richardson, Aymen Hamdouchi, Cameron Jack.
Duração: 1h 30min
Classificação etária: 16 anos
Ano de lançamento: 2017

Luciane Leite
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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11 comentários:

  1. Oi Luciane,
    Confesso que quero assistir pela presença da Maise.
    Eu adoro o trabalho da atriz e acho que esse papael fugiria do que eu estou acostumada a vê-la fazer.
    Netflix é um amor da minha vida, rs.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  2. Oie, Luciane!

    Nossa, eu jurava que iBoy era uma série kkk e inclusive a história é totalmente diferente do que eu imaginava. Deve ser legal acompanhar a transformação do personagem de uma pessoa calada em uma vingativa com pensamento calculado. Depois da sua resenha, certamente é um filme que assim que possível irei assistir!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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  3. Oiii,
    Gostei muito da premissa da história, por ser meio YA contemporâneo já fez querer colocar na lista.
    Uma super dica para assistir.
    Bjs e um bom Domingo!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

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  4. Oi, Lu!
    Eu vi o trailer desse filme, mas não tinha uma opinião formada de como seria sua história. Os seus comentários deram uma iluminada e percebi que iria gostar muito do que manda o filme. Já salvei na lista da Netflix.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Literário de Carnaval
    Resenha Premiada Paixão e Crime
    Sorteio Três Anos de Historiar

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  5. Oi, Lu! Eu vi o trailer do filme e não pensei que a história fosse tão profunda assim. Não curto o gênero, mas sua opinião me convenceu a vê-lo (preciso!!!!)

    Ótimo post
    Abraços!
    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  6. Gostei da dica Luciane. O filme não faz muito o meu gênero, mas achei a temática interessante. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  7. Oie,
    gostei da dica, estou curiosa para ver esta série, parece ser boa

    bjos
    Blog Vanessa Sueroz
    Canal no youtube

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  8. Olá, Luciane.
    Eu comecei a ver esse filme logo que saiu no catalogo. Mas não gostei muito e acabei deixando de lado e assistindo outras coisas. mas pretendo voltar e terminar. Ainda mais que é com uma atriz que gosto muito.

    Prefácio

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  9. Oi Luciane, tudo bem?
    Eu nem sabia da existência desse filme e gostei muito da história. Já até adicionei na minha lista de leitura.
    Beijokas
    [SORTEIO]Baile Literário
    Quanto Mais Livros Melhor

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  10. Oi, Lu! Tudo bem?

    Confesso que comecei a assistir o filme mas acabei não gostando tanto assim dele, e consequentemente o abandonei na metade, mas quem sabe eu não dê outra chance para ele futuramente, não é?

    Beijos,
    NATÁLIA | Obcecada Pelos Livros

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