Original Netflix: Master of None


ATENÇÃO! Esta resenha não contém exatamente spoilers, mas algumas dicas da trajetória de alguns personagens. Algumas informações estão na sinopse dos episódios na Netflix, mas podem ser interpretados como spoilers. 

Diversas estreias importantes ocorreram em maio na Netflix, mas uma das mais aguardadas por mim certamente era a segunda temporada de Master of None, que teve sua primeira temporada premiada pelo Emmy, como Melhor roteiro de série de comédia, e pelo Critics Choice Awards, como melhor série de comédia. 

Para quem não acompanha o programa, a história gira em torno de Dev Shah (Aziz Ansari), ator constantemente em busca de trabalhos mais significativos na profissão que escolheu, mas que também tem que lidar com diversas questões, algumas relacionadas a sua ascendência indiana, como racismo e as dificuldades de um relacionamento entre pessoas de etnias diferentes, mas também, como feminismo, autoestima, homossexualidade, homofobia, criação dos filhos na sociedade moderna, religião, entre outras.


Dev não é retratada como coitado, o que é muito importante para mim, filho de imigrantes indianos, seu pai é um médico importante e sua mãe é dona de casa. A relação de pais e filhos e da família em geral é abordada em diversos episódios e não apenas da família Shah, mas de outros personagens, com discussões importantes sobre carreira, respeito, amor, religião, medo, apoio familiar, entre outras. 

Na segunda temporada vemos um aprofundamento de algumas questões abordadas anteriormente, mas a que mais me tocou foi o episódio em que o foco foi dado a personagem Denise (Lena Waithe), amiga de infância de Dev. No episódio intitulado Ação de Graças, acompanhamos diversos jantares da comemoração durante os anos 90, enquanto descobrimos como foi a descoberta da sexualidade de Denise, e como foi a luta até o momento em que ela conta para a família. Detalhe que a personagem é negra, ou seja, ao passo que ela enfrenta o medo de não ser aceita pela família por ser homossexual, a mãe também aponta o fato de como é difícil ser negro, ou seja, a sexualidade pode ser um motivo adicional de preconceito e ainda mais sofrimento. 

Outro personagem de apoio muito importante é Arnold, e com ele acho que uma das questões centrais é a autoestima, e uma nova abordagem sobre o tema, uma vez que ele não se encaixa em nenhum estereotipo de homem bonito, é muito alto e um tanto quanto desengonçado, mas se aceita como é, e chega inclusive a tirar proveito disso, protagonizando diversos momentos hilários, nas duas temporadas da série. 


Outro amigo de Dev que também o ajuda muito, especialmente na questão racial é Brian (Kelvin Yu), um personagem que aparece um pouco menos, mas quando aparece sempre é para tratar de temas importantes, como herança cultural, sendo ambos filhos de imigrantes, e na segunda temporada um tema pouco abordado que é o namoro na terceira idade. No episódio 7 da segunda temporada, vemos o pai dele revelando ao filho que voltou a namorar e todo o dilema enfrentado com relação a escolha de uma nova parceira nessa fase da vida, e quais são as qualidades que uma pessoa mais velha busca em uma companhia. 

Uma das novas questões abordadas nessa segunda temporada é o assédio sexual no trabalho, e confesso que achei bastante realista a forma como foi retratada, uma vez que o assediador pode ser qualquer um, inclusive o galã do escritório de quem ninguém suspeita, e não apenas aquele cara com cara de tarado. Como as mulheres devem se comportar nestes casos? Como os homens que presenciam estas situações podem ajudar? 

Com relação ao romance, apreciei muito mais na primeira temporada, principalmente por que o interesse romântico de Dev na segunda temporada é uma pessoa que não me cativou. Francesca é muito indecisa e sinceramente, achei ela desonesta em diversas situações, fazendo com que eu não conseguisse torcer para que o casal fique junto ou se quer me importasse com o destino da personagem, o que geralmente são os meus medidores para decidir se gosto de um romance ou não. As relações românticas tem um grande papel na série, mas eu resolvi não abordar porque é a parte que menos gosto, sinceramente. 


Master of None é uma série que recomendo, mas ao contrário da crítica especializada, eu ainda prefiro a primeira temporada. Acho que justamente o romance, foi o que estragou um pouco da série para mim, mas continua trazendo temas importantes de uma forma mais leve e mais próxima da nossa realidade, principalmente por ser baseada na vida do ator Aziz Ansari, sem contar o roteiro maravilhoso e um elenco talentoso. Certamente é uma das comédias mais importantes da atualidade e espero pela terceira temporada ansiosa, só espero que não demore tanto quanto a segunda demorou. 

Trailer:



Luciane Leite
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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4 comentários:

  1. Oi
    já vi o banner dessa série na netflix, mas nem sabia sobre o que falava.
    Agora até fiquei interessada, porque também mostra diferenças culturais.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Oi Luciane, tudo bom?
    Eu acho esse ator hilário! Não conhecia a série, mas comédias boas assim são sempre bem-vindas pra desestressar. Especialmente se o roteiro lida com questões importantes <3
    Adorei a indicação!

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  3. Oi Luciane,
    Confesso que não sou nem um pouco fã de comédias :(
    Tanto que nem assisti a primeira temporada. Mas adoro ver produções de qualidade ganhando o merecido destaque.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br

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  4. Oi Luciane, tudo bem?
    Seu post caiu como uma luva, porque eu tava cogitando assistir a essa série, mas não sabia muito sobre ela. Pulei a parte do meio pra não pegar "spoilers", mas gostei do que li.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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