Soundtrack [Resenha do filme]

Conferimos a Cabine de Imprensa de Soundtrack.

Antes de assistir Soundtrack eu vi o trailer e fiquei me perguntando sobre o que exatamente o filme se tratava e confesso que ao terminar de ver o longa, mesmo tendo essa resposta, ainda fico questionando todo o propósito do protagonista.

Cris (Selton Mello) é um fotógrafo que decidiu viajar até uma estação de pesquisa polar para se isolar e tirar selfies que capturem as sensações causadas por uma série de músicas pré-selecionadas por ele. No local, o protagonista conhece o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson), o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran). De diferentes nacionalidades, os cinco passam a conviver juntos o que não é nada fácil, já que que cada um tem uma diferente perspectiva sobre a vida, a arte e inclusive sobre a ciência.

Aos poucos vamos descobrindo um pouco sobre cada personagem e as histórias de cada um. Mark recebe Cris no seu alojamento e gostaria de estar com a esposa grávida e não de “babá” do fotógrafo, Cao, também brasileiro, tem mais simpática por Cris, assim como Rafnar, mas Huang é o mais distante e visivelmente não quer ter nenhuma amizade com o protagonista.


Todos em algum momento questionam os motivos de Cris para se isolar em um lugar tão gélido com uma natureza tão agressiva apenas para tirar selfies, mas aos poucos Cris vai mostrando sua perspectiva sobre a arte e Mark que a princípio não era uma pessoa tão aberta e amável com o protagonista, passa a acreditar no potencial de Cris. No entanto, em muitos momentos fica a dúvida se o personagem acredita mesmo em seu próprio potencial e quando sofre um acidente por negligência, me perguntei sobre a sanidade de Cris, assim como Huang questiona algumas vezes.

O longa vai mostrando a rotina na instalação científica e acredito que a história de Mark, que alterna momentos mais rabugentos e outros bem-humorados, seja mais interessante que a do próprio protagonista. Sem dúvida Ralph Ineson (A Bruxa e Game of Thrones) carrega boa parte dessa história com uma interpretação cativante em contraponto a Cris, uma figura bem morna e nem com a história de sua mãe (que explica boa parte de suas atitudes) consegue comover.


A narrativa do longa é bem arrastada, com alguns cortes mais bruscos, mas com uma excelente trilha sonora (como já era esperado) e um cenário incrível que fica difícil de acreditar que todo aquele gelo foi trazido de outro lugar para a gravação. Só acreditei porque o produtor Júlio Uchoa contou na coletiva de imprensa. Os diálogos por vezes são mais filosóficos, principalmente quando se tem o confronto ciência e arte e por vezes até religião, mas em alguns momentos o roteiro acerta muito bem nas piadas e dei boas risadas, mais até do que imaginava. Outro aspecto positivo foi o idioma usado no longa. Seria bem irreal os personagens falarem português numa estação de pesquisa, então o uso do inglês ficou bem coerente com a história.

De todas as formas é importante ressaltar que Soundtrack é um filme em que a parte técnica chama mais atenção do que o plot de Cris que não convence muito como artista e nem como uma figura perdida. Por diversas vezes me perguntei o que ele realmente estava fazendo numa estação polar isolado do mundo e o quanto suas fotos era mais importante que sua própria vida. Talvez não seja um longa que vá agradar a maioria pelo desenvolvimento do enredo, mas tem personagens marcantes e uma trama que apesar de lenta é bastante original.

Trailer:


FICHA TÉCNICA

Título: Soundtrack
Diretor: 300 ml
Data de lançamento no Brasil: 06 de julho de 2017.

Michele Lima

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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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3 comentários:

  1. Caramba kk nunca ouvi falar desse filme mas o titulo me deu interesse em assistir!!
    Uma resenha bem completa!!

    https://blogimaginantes.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Mi. Infelizmente eu desisto de ver filmes brasileiros que não sejam voltado para comédia ou histórias reais, é que o drama não consegue me cativar. Acho os filmes mórbidos e super chatos, não sei nem como você consegue assistir, mas agora já sei que de longe desse filme devo passar.
    Beijo!
    https://leitoraencantada.blogspot.com.br

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  3. Oi, Mi! Eu gostei muito de Soundtrack. Achei um proposta bastante diferente e amei como ele não apenas tratou um pouco da arte versus ciências, como de um dos temas mais lindos: amizade! Fiquei impressionada ao saber que todo o filme foi gravado em estúdio aqui no Brasil e ficou muito bem feito, se levarmos em conta as condições. Eu também gostei bastante das atuações do Selton Mello e do Seu Jorge, imagino que tenha sido um grande desafio interpretar personagens em outro idioma. Tenho consciência de que ele não é um filme que agradará um público mais amplo. Mas eu realmente consegui ver a beleza e a mensagem que ele quis passar <3

    Adorei ler o seu ponto de vista!

    beijos

    Psicose da Nina | Instagram
    Colunista no Estante Diagonal

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