O príncipe corvo [Resenha Literária]


Autora best-seller do The New York Times com mais de 20 títulos publicados em inglês, todos do gênero romance de época, Elizabeth Hoyt faz sua estreia no mercado editorial brasileiro com O Príncipe Corvo, primeiro volume da trilogia dos Príncipes, já com a confirmação do lançamento dos outros dois livros da série, sendo O Príncipe Leopardo, o livro dois da série, já sendo lançado em agosto, e O Príncipe Serpente, que muito provavelmente será lançado até o final do ano pela Editora Record

O romance se passa em 1760, Little Battleford, Inglaterra e vai contar a história de dois viúvos, Anna Wren e Edward de Raaf, ou Conde de Swartingham. A história dos dois se inicia quando Anna decide procurar um emprego, pois está bastante preocupada com as finanças da família, uma vez que ela ficou responsável pelo próprio sustento e o da sogra após o falecimento do marido. Apesar de não ser muito comum que uma dama trabalhe, o que dificulta ainda mais sua busca, quando está quase desistindo ela acaba esbarrando no Sr. Hopple, administrador da Abadia de Ravenhill, propriedade do conde, o que resolve um problema de ambos. 

O Conde de Swartingham, definitivamente não pode ser definido como um homem gentil. Após perder os dois últimos secretários devido ao seu temperamento, ele dá um ultimato a seu administrador, que deve substituir o funcionário em no máximo dois dias. Desesperado, o Sr. Hopple acaba contratando a Sra. Wren. Quando o conde percebe que ao invés de um secretário, tem uma secretária, já é um pouco tarde demais e devido a qualidade do trabalho dela, ele acaba aceitando-a como funcionária. 


No início a atração é puramente física, mas de forma estranha. Edward acha estranho se sentir atraído por sua secretária, uma vez que se trata de uma mulher discreta, exceto pela boca, que lhe proporciona fantasias eróticas desde o início. Do lado de Anna, podemos dizer que após o choque inicial com relação ao comportamento do patrão, a atração ficou bem óbvia, nada diferente do que vemos na maioria dos romances de época contemporâneos, que em sua maioria se tratam na realidade de romances eróticos com um pano de fundo de períodos históricos de tempos mais remotos, no entanto, é neste ponto que a autora conseguiu ter um diferencial. 

O que difere ambos os protagonistas é que nenhum deles é retratado de acordo com estereótipos de beleza, nem mesmo para a época, inclusive o conde tem cicatrizes de varíola no corpo, até mesmo no rosto, o que mexe muito com sua autoestima. Sua primeira esposa, forçada a se casar com ele, o desprezava por sua aparência física. Mas isso não foi impedimento para que Anna se apaixonasse, e visse o que realmente o conde esconde abaixo da superfície de homem turrão e temperamental. 

Mas se está tudo certo, a atração é mútua, então é só questão de tempo até ficarem juntos, não é? Não, não é. Anna foi casada por quatro anos e nunca ficou grávida, tendo a culpa sido jogada nela própria e não no marido, pensamento bastante comum na época, e Edward, devido a sua posição social e título, precisa de um herdeiro, o que o impede de ceder a tentação e ter qualquer tipo de relação romântica com Anna no início. Atormentado, ele decide que é hora de visitar um famoso bordel de Londres e descarregar em outra mulher o desejo que sente por Anna. 


Neste meio tempo, Anna havia encontrado uma prostituta jogada em uma vala e a abriga em sua casa, mesmo com todos os conselhos contrários, o que acabou sendo de serventia no futuro. Pearl, a prostituta, tem uma irmã mais nova, Cora, que seguiu pelo mesmo caminho, mas conseguiu obter muito mais sucesso e influência, e é ela quem vai ajudar Anna com um plano para seduzir o conde, e é quando a trama dá a maior reviravolta. A partir deste ponto da história, a sensualidade fica mais ainda mais em evidência, com os dois vivendo momentos de paixão intensa, mas com muitos segredos envolvidos. 

Deste momento em diante, qualquer comentário pode ser spoiler, minha gente! Então vamos falar sobre a experiência de leitura. Ao contrário de algumas pessoas deste blog (por exemplo, nossa prefeita = administradora deste blog), eu comecei a ler romances históricos contemporâneos há pouco tempo, na verdade, este ano, ou seja, ainda não conheço muitas autoras, mas já posso dizer como fã de romance em geral, que acho que Elizabet Hoyt tem um diferencial, pois apesar de usar clichês românticos, inclusive alguns que só existem nos romances de época, não deixam a leitura maçante de forma alguma. Tanto a escrita quanto a trama são bastante envolventes, e nos fazem realmente torcer pelo casal. 

Outro ponto bem bacana que foi inserido na história é uma fábula sobre um Príncipe que foi amaldiçoado a viver seus dias no corpo de um corvo e se transformar apenas durante a noite. Eu quase li esses trechos a parte só para saber como acaba, achei bastante criativo, apesar de o conto seguir certa fórmula para chegar a moral da história. Gostei bastante deste detalhe, que também tem a ver com o título e com temática do livro, de julgarmos algo pelas aparências. O nome da propriedade também tem corvo no nome, Ravenhill, mas esse é um detalhe que só percebi depois. 


A gente sabe que a preocupação com precisão sobre retratar a sociedade da época não é ponto principal destes romances, em alguns deles não existe de forma alguma, e a gente vê muito mimimi por aí sobre isso. E já que essa é minha primeira resenha de um livro do gênero no blog, vou pedir... Vamos parar com isso? 

Existem muitos autores e autoras que escrevem romances históricos que retratam os costumes da época de forma precisa, ou seja, que escrevem romances de costume, não é o caso da maioria dos romances de época que estão na moda no momento, esses tem como foco um romance mais sensual, mesmo que fuja totalmente do comportamento das pessoas da época escolhida. Isso não torna os livros ruins, apenas com uma pegada diferente, e se você não gosta de romances eróticos, este tipo de romance histórico, simplesmente não é para você. 

Voltando ao O príncipe corvo, acho que é uma leitura que vale a pena se você é fã do gênero, primeiro para conhecer a história, que é bastante interessante, mas principalmente para quem é fã de romances onde as personagens tem que superar obstáculos reais para ficarem juntos. 


Agora vamos falar da edição. Uma das coisas que mais gosto é quando as editoras sinalizam nas capas que o livro pertence a uma série, e com a série dos Príncipes, o aviso não está apenas na capa, como também na lombada. Obrigada editora! Faça isso com mais frequência? Por favor? O livro já ganha pontos comigo somente com esse detalhe, mas as capas da série Os Príncipes estão um primor, ainda mais bonitas pessoalmente do que nas fotos. Se fosse só para embelezar a estante já estava valendo, mas a história também vale, então é um combo perfeito. 

FICHA TÉCNICA

Título: O príncipe corvo
Autora: Elizabeth Hoyt
Onde Comprar: Amazon

Luciane Leite
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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13 comentários:

  1. Oi Luciane!
    Acho muito linda a capa desse livro. Que bom saber que você gostou da história, fiquei com vontade de ler!

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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  2. Que saudade que eu estava de passar por aqui para mergulhar nessas análises intensas e reflexivas. Fiquei louca para conferir a obra. Apesar dos clichês românticos (como citado), a própria análise mostrou entrelinhas enriquecedoras que parecem fazer críticas que, inclusive, cabem para os pontos delicados atuais. Lindeza!

    semquases.com/

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  3. Realmente a capa é muito bonita!
    rsrsrsrs

    Beijinhosss ;*
    💻 Blog Resenhas da Pâm

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  4. Oie, tudo bem?
    Que capa incrivel hein! Adorei a dica
    Blog Entrelinhas

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  5. UAU!!

    Que capa fantástica!! Amei a resenha e dica literária. :)

    Um beijo,

    My Pure Style x My Instagram x My Facebook 

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  6. Olá!
    Eu não gosto muito de romances de época, não sei o motivo :/ mas achei essa capa simplesmente maravilhosa!
    Beijos,
    Meise Renata.
    viciadas-em-livros.blogspot.com.br

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  7. Olá, tudo bem? Nunca li um romance de época, mas esse livro super me deixou curiosa... Adorei sua resenha, vou ver se leio!

    Beijos,
    Duas Livreiras / Sorteio "O gnomo Elias"

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  8. Olá!
    Eu ainda não li o livro, mas já adquiri os dois. hahaha Fiquei bem curiosa pela leitura, já estava, mas após ler sua resenha fiquei ainda mais curiosa. Também gosto quando as editoras sinalizam quando é de uma série, ajuda muito ao leitor. rs
    Beijos

    www.lendoeapreciando.com

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  9. Oi, tudo bem?
    Não conhecia o livro e achei a premissa muito interessante, não sou de ler muitos romances mas gosto muito quando é uma boa história. Confesso que achei os nomes dos livros estranhos e não chamaria minha atenção se não fosse essa capa maravilhosa e sua resenha!

    Obrigada pelo carinho. Um super beijo :*
    Claris - Plasticodelic

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  10. Olá, Luciane.
    Eu estou louca para ler esse livro. Mas comprei ele na pré-venda da Saraiva e até agora nada. Já até chegou o segundo da série. Odeio a Saraiva. Essa edição está linda demais.

    Prefácio

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  11. Faz tempo que me interesso por esse livro, parace ser bem intressante!
    Parabéns plo post e pelo blog...

    bjs Larissa

    minhaliteraturinha.blogspot.com.br

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  12. A capa desse livro é maravilhosa 😍 estou louca pra lê ainda mais que é romance de época,amei sua resenha ❤😘
    aleituramagica.wordpress.com

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