Original Netflix: Mindunter


Ambientada nos Estados Unidos dos anos 70, Mindhunter é uma série original Netfflix baseada no livro homônimo Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano, escrito por John E. Douglas e Mark Olshaker, publicado recentemente pela Editora Intrínseca. O livro se baseia nas experiências de Douglas, que foi agente do FBI por mais de 20 anos, enquanto que na série criada por Joe Penhall e dirigida por David Fincher, vamos acompanhar os agentes da agência Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany). 

Inicialmente, Holden é um negociador de sequestro e professor de táticas de negociação. Logo no primeiro episódio vemos ele se envolver com uma estudante de pós-graduação, Debbie (Hannah Gross), que o incentiva a voltar a estudar e ter conhecimentos mais modernos sobre análise de perfis de criminosos, uma área que ele demonstra tremendo interesse logo no primeiro encontro dos dois. 

Sabendo do interesse do subordinado, o chefe da divisão no estado da Virginia, Sheppard (Cotter Smith), o apresenta a Bill, um agente veterano do departamento de Ciência Comportamental, que atua como professor de campo, viajando pelo país, ensinando policiais e detetives sobre técnicas de análise comportamental desenvolvidas pelo FBI. Na vida pessoal, vamos ver o quanto o trabalho dele afeta sua vida pessoal, sendo um homem casado com um filho adotivo de seis anos, com alguns problemas de comunicação. 


Os dois agentes começam a trabalhar como parceiros, sendo Holden o assistente de Bill nos treinamentos nas delegacias, mas essa atividade rapidamente é delegada a segundo plano, quando finalmente os dois passam a explorar o universo da psicologia de crimes hediondos, especialmente os por serial killers, termo que somente seria apresentado posteriormente. Essa mudança ocorre devido a curiosidade de Holden, que decide fazer uma entrevista com um notório criminoso, Edmund Kemper (Cameron Britton), que passa a ser um personagem central da trama, aquele que dá início ao projeto de interesse da série, levando a outras entrevistas que passam a fazer parte do projeto principal da nova equipe. 

Neste cenário, o agente veterano acaba inserindo a Dra. Wendy Carr (Anna Torv) na equipe, de início apenas em uma consulta em alguns trabalhos, e posteriormente se tornando consultora especial da agência governamental, devido a sua vasta experiência no estudo de sociopatas. Sua vida pessoal também tem conflitos, especialmente devido a sua sexualidade, por ela ser lésbica. 

Dois pontos altos da série são certamente a fotografia e a trilha sonora, agindo em plena sintonia, trazendo sempre um clima pesado para os ambientes. Mesmo durante o dia, sabemos que nada de bom ou positivo nos será apresentado, devido a cartela de cores escolhidas pela direção, sempre pendendo para o cinza, nublado, um mundo sem raios de sol e arco-íris. É só coisa ruim mesmo!


A relação dos agentes, em particular de Holden, com os criminosos condenados entrevistados evolui de forma significativa, sobretudo com Ed e Jerry Brudos (Happy Anderson), ambos condenados por assassinatos em série, mas com predileções bem particulares. Os dois atores representam muito bem seus papéis, mas eu fiquei muito impressionada com Cameron Britton, pois o personagem Ed funciona como uma representação quase perfeita de um dos grandes medos de grande parte das mulheres, que é ser escolhida de forma aleatória por um estuprador/assassino, mas foi sua atuação que trouxe maior impacto ao personagem. 

Já no quesito roteiro, a principal falha foi para com os personagens, alterando-os de forma que, ao meu ver, não foi nada positiva. Após algumas consultorias bem sucedidas em duas investigações, Holden passa de um agente interessado em fazer algo que melhore o processo de identificação de criminosos para reduzir o número de vítimas, a uma pessoa, totalmente autocentrada, como se o sucesso do projeto se devesse única e exclusivamente a ele. 

Já Bill foi sendo apagado gradativamente pelo roteiro, o que me chateou muito, pois apesar de ele ser aquele agente caricato, que fuma o tempo todo e fala como um policial “das antigas” com cara de mau no primeiro episódio, eu imaginei uma trajetória completamente diferente para o personagem. Sua família é o ponto principal dessa insatisfação, pois sua mulher e filhos são apresentados, e somos levados a acreditar que esta relação será melhor explorada, mas não é. No fim da temporada fiquei me perguntando o motivo de eles terem sido incluídos no roteiro. 


Para falar da personagem Wendy, primeiro devo dizer o quanto sou fã da atriz Anna Torv, e o quanto torcia pelo retorno dela ao elenco principal de uma série ou filme, uma vez que ela não fez nada expressivo desde o final da série Fringe, criada por J. J. Abrams e minha favorita da vida, sendo ela também uma das minhas atrizes preferidas. Ela foi o motivo principal de eu ter adicionado Mindhunter a minha lista, ficando o tema análise criminal em segundo lugar. Uma personagem que tinha tudo para representar as mulheres dentro do ambiente da série, o FBI dos anos 70, mas nem de longe vemos isso acontecer. Wendy é uma personagem que parece estar ali apenas para a série não ser classificada como machista. 

Várias perguntas ficaram sem resposta, como por exemplo, “Qual será o destino dos personagens centrais?”, o que até aí tudo bem, porque se trata de uma série, mas a principal para mim foi “Quem é esse com cara de psicopata?”, um personagem de Wichita, Kansas, que aparece de forma aleatória a partir do segundo episódio. Realizando atividades comuns, como trabalhar e ficar em casa com a família, parece que vai ter um caso relacionado a ele até o episódio final, quando fica claro que o cliffhanger para a segunda temporada está relacionado a ele, quando eu acho que seria mais interessante ter usado ele nesta primeira. 

Se deixei a impressão de que não gostei, essa impressão está errada. Pois apesar dos defeitos, vejo grande potencial na série, uma vez que sou fã do gênero, mas espero que a segunda temporada traga mais aprofundamento dos personagens, que parecia ser o grande diferencial desta nova série. 

Trailer:


FICHA TÉCNICA

Título: Mindhunter
Elenco: Jonathan Groff, Anna Torv, Holt McCallany, Cotter Smith, Hannah Gross, Cameron Britton, Happy Anderson, Stacey Roca, Peter Murnik, Joe Tuttle. 
Criador: Joe Penhall
Direção: David Fincher
Netflix

Luciane Leite
Compartilhe no Google Plus

Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

11 comentários:

  1. Oi Luciane,
    vou começar a assistir em breve. Estou com esperanças nela pois também adoro o gênero!
    bjs

    Amor por Livros

    ResponderExcluir
  2. Oi, tudo bem? Comecei esse série ontem e estou adorando! Estou no terceiro episódio, mas estou real impressionada com a atuação do serial killer, ele real dá medo (principalmente em nós mulheres). Vou continuar vendo pra ver se acho o mesmo que você!

    www.vestindoideias.com

    ResponderExcluir
  3. Oi Luciane,
    Falei ontem dessa série com minha mãe, quero assistir.
    Estou sentindo falta de uma boa série da Netflix, que me surpreenda e me prenda no sofá.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Oi! Eu achei mesmo que você não tinha gostado. Eu quero conferir a série por gostar do tema e espero que me surpreenda positivamente. O livro eu não pretendo ler, achei a adaptação mais interessante.
    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

    ResponderExcluir
  5. Oi Luciane,

    Uma pena a série ter alguns defeitos, mas fico feliz em saber que gostou, pois parece ser uma trama interessante.
    Bjs, boa semana!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

    ResponderExcluir
  6. Oiiii Lu
    Já inclui a série na minha lista. Apesar de não ser meu gênero favorito. Vc sabe que se vc gostou. Eu irei gostar tb.
    Ameiii sua resenha crítica. Ficou realmente muito boa.
    Beijos
    Aril

    ResponderExcluir
  7. Oi Luciane!

    Ultimamente ando meio receosa em ver as séries da Netflix por causa dos cancelamentos. Quem sabe não dou uma chance para esta. Gostei da resenha!

    Beijos

    Vivian
    Saleta de Leitura

    ResponderExcluir
  8. Oi Luciane, tudo bom?
    A Bibs lá do blog apaixonou nessa série, a Duda surtou muito e eu não tô com hype pra assistir, socorro UHASUHASUHUHASUHASUHAS apesar dos pesares, deve ser uma produção muito boa, só não tô na vibe de serial killer e thriller policial no momento :/
    Vou guardar pra quando surgir a vontade.

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

    ResponderExcluir
  9. Ainda não conhecia, mas acho que não assistiria. Não faz mt meu estilo rs Bjs

    www.mayaravieira.com.br

    ResponderExcluir
  10. OOOOOOI

    adorei o post porque tô virando aquela pessoa que tá se acostumando a só assistir séries na netflix (preguiça de baixar, sim HAHAHAH).
    O serviço de streaming acaba que deixando a gente meio dependente :(

    beijo
    www.beinghellz.com.br

    ResponderExcluir
  11. Eu estou bastante curiosa quanto a essa série. Eu gosto bastante de histórias com psicopatas e séries policiais. Não sei se vou assistir ela por agora, mas vai ficar na lista.

    Vidas em Preto e Branco

    ResponderExcluir