O Beijo Traiçoeiro [Resenha Literária]


Seria um romance histórico cheio de aventura? Ou um romance de espião com uma pitada de romance? Uma tentativa de escrever um livro jovem com roupagem de romance histórico? Só lendo mesmo para saber do que se trata O Beijo traiçoeiro, primeiro volume da Trilogia do Traidor, escrito por Erin Beaty, publicado pela Editora Seguinte em setembro deste ano. Sage Fowler é uma garota de dezesseis anos que ao ficar órfã foi acolhida por sua tia Braelaura, ou lady Broadmoor, casada com Lord Broadmoor, ou tio William como é chamado pela garota. 

Órfã de mãe desde muito cedo, a menina foi criada pelo pai, um passarinheiro, com muito mais liberdade que suas contemporâneas, além de ter tido muito mais instrução, assumindo posteriormente o papel de tutora dos primos. Sua maior ambição é se tornar professora, mas qualquer profissão que proporcione liberdade é aceitável, desde que seu caminho não seja o casamento, um posicionamento tido como rebelde para a época. Como tem a idade apropriada, os Broadmoor a enviam para uma entrevista com a casamenteira da região, Darnessa Rodelle, atitude que resulta em nada menos do que desastre. 

Mas os planos da casamenteira se mostram muito mais peculiares no decorrer da história, incluindo a verdadeira história dos pais da garota, e após algumas semanas a jovem recebe o convite para se tornar aprendiz de Darnessa. Com nenhuma outra perspectiva, Sage acaba aceitando devido as possibilidades que esse aprendizado pode proporcionar. Uma das coisas que ela vai descobrir é a verdadeira importância das casamenteiras em sua sociedade. 


Paralelamente vamos conhecer o capitão Alexander Quinn e seus companheiros, os tenentes Casseck e Gramwell, e dois filhos do rei, Robert Devlin e Ash Carter, sendo o primeiro o príncipe herdeiro e primo do capitão e o segundo, um filho bastardo. Agindo sempre em conjunto, um deles, geralmente Ash, assume o papel de Rato, codinome do espião do esquadrão. Após o resultado de uma missão ser considerado um fracasso, a equipe junto com alguns soldados, são enviados para fazer a escolta da comitiva de noivas de Lady Darnessa até o Concordium, evento que ocorre a cada cinco anos na capital do reino onde os casamentos entre as principais famílias são arranjados.

Outro ponto de vista importante é do Duque Morrow D’Amiram, que guarda um grande rancor da dinastia Devlin. Um sentimento cultivado por seus antepassados, responsáveis pela unificação de Demora, mas que devido a corrupção perderam o trono do reino há aproximadamente duzentos anos para os atuais governantes. Desesperado para retomar o poder, o duque faz uma aliança perigosa com um reino vizinho, Kimisara. Sem querer pisar no terreno do spoiler, o único comentário que farei sobre este “vilão” é que ele é o típico vilão burro, assim que conhecemos seus planos, sabemos que ele está fadado ao fracasso. 

Os capítulos são narrados de forma intercalada por esses três personagens na maior parte do livro. Os capítulos com maior conexão e relevância são de Sage e Quinn, o que de início me fez achar que eles formariam o par romântico da história, mas nem sei como explicar essa confusão sem contar o que realmente acontece, então essa parte vou deixar para vocês descobrirem durante a leitura. 

Mas que eu fui enganada, isso eu fui. A forma como a trama foi escrita me fez gostar de ser ludibriada, o que não é muito comum, então fico bem feliz quando acontece, pois mostra uma preocupação do autor quando este está escrevendo um livro que envolve espionagem. É muito prazeroso descobrir os fatos junto com as personagens, e foi justamente isso que ocorreu, especialmente com Sage começando como professora e se tornando espiã. Só há um problema na execução dessa parte. 


O meu problema com Sage foi unicamente ela ser uma garota de dezesseis anos que não teve treinamento para se tornar uma espiã, assumir esse papel tão rápido. O que fica ainda pior quando você descobre que a autora serviu a Marinha dos EUA, como oficial de armas e instrutora de liderança, ou seja, ela sabe o quanto se tem que trabalhar duro para chegar a uma posição estratégica dentro do exército. 

O mesmo não ocorre com Quinn, que foi promovido recentemente a capitão ainda aos vinte e um anos, pois os meninos são enviados ao exercido aos nove anos de idade para iniciar o treinamento. Ou seja, passou por muita coisa antes de chegar onde está, mas é sempre Sage quem desvenda a trama maior devido a sua perspicácia. Acharia mais crível se ela tivesse ao menos uns 19 anos, e já estivesse na estrada há pelo menos três, mas não foi o caso. Teve também a questão do praticamente instalove, mas tem gente que não liga, então é de acordo com o gosto de cada um. 

Nossa! Falando assim até parece que não gostei do livro. Mas a verdade é que gostei apesar destes pontos, o que me fez admirar ainda mais a autora, pois não é fácil me agradar com histórias e personagens adolescentes. Além de uma trama bem amarrada e surpreendente em diversos pontos, a escrita de Erin Beaty é muito fluida e ela tomou uma ótima decisão ao escrever capítulos curtos, a leitura se tornou mais rápida e nenhum pouco entediante. 


Devido aos nomes dos lugares fica muito claro que a história não se passa em nossa linha temporal ou mesmo em nosso espaço geográfico. Até se fala em religião, com a menção de um Espírito e de que eles vão à missa, mas que doutrina é essa também não fica muito claro. É uma sociedade patriarcal muito parecida com a nossa de até alguns séculos atrás, mas não é datado. Resumindo... É muito parecido com o nosso mundo, mas não é. 

O que nos traz a outro ponto positivo, que é o tratamento da questão racial, e que ainda bem que não reflete como foi e ainda é em nossa sociedade. Quinn e Robert, que são primos por parte de mãe, são de pele mais escura e cabelos pretos, uma vez que o território de onde ambas vem, extremo oriente de Aristel, possui uma etnia com pessoas com estas características. Mais um ponto para a autora que trouxe o tema de relações inter-raciais de forma bem natural, uma vez que os pais de ambos provavelmente são brancos, pois o próprio Quinn afirma que essas características foram herdadas das mães deles. 

É uma leitura que apesar de ser mais indicada para leitores mais jovens, certamente pode ser apreciada como uma leitura mais leve por pessoas de diversas faixas etárias, como é o meu caso, pois não tem tanto mimimi adolescente como aconteceu com algumas leituras recentes que eu fiz. 


O segundo volume, The Traitor’s Ruin (ainda sem título em português), tem lançamento previsto para maio do ano que vem, e torço para que a Editora Seguinte prossiga como fez com o primeiro volume e publique em uma data bem próxima do lançamento nos EUA.

FICHA TÉCNICA

Título: O Beijo traiçoeiro
Autora: Erin Beaty
Onde Comprar: Amazon

 

Luciane Leite
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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11 comentários:

  1. Oi, Luciane. Vi outras resenhas super positivas da obra e fiquei muito animada para lê-la. Também acho que aos 16 anos uma menina conquistar posições tão difíceis fica meio artificial demais, mas não sei se realmente não vou curtir ou vou curtir isso nesta história, só lendo para saber.
    Beijos
    http://www.leitoraencantada.com/

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  2. Olá, eu tenho o livro super ansiosa pela leitura já sei que vou gostar muito pela sua resenha. É uma premissa que prende o leitor que gosta desse gênero.

    www.mundofantasticodoslivros.blogspot.com

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  3. To querendo muito ler esse livro depois que a Nati falou sobre ele no Instagram. Fiquei tão encantada que quero que ele seja uma das minhas primeiras leituras de 2018!

    Beijos
    Próxima Primavera

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  4. Uma resenhista lá no Blog não curtiu muito o livro e já vi resenhas bem negativas sobre o livro.
    É uma pena.
    Mas o bom é saber que tem gente gostando. Infelizmente não me senti atraída para ler.


    Beijos,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br

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  5. Oi
    legal que gostou da leitura, mas que mesmo assim comentou de seus pontos negativos, a história parece ser envolvente e leve.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  6. Tô bem animada para ler este livro, só tenho visto resenhas positivas
    Apesar das suas ressalvas, que bom que gostou da trama *-* Eu tbm fico meio assim com tramas mais adolescentes, mas realmente depende de como o livro é, rs
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  7. Oi Luciane.
    Eu já tinha visto o livro pelas redes sociais, mas ainda não tinha parado para ler a sinopse e nem tinha a menor ideia do que seria. A meu ver pela sua resenha, fica parecendo ser uma distopia, e eu não curto muito. Apesar disso gostei de conhecer um pouco da história e gostei da sua sinceridade ao dar sua opinião sobre ela.
    Bjus
    www.docesletras.com.br

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  8. Parabéns pela resenha Luciane! Já li O Beijo Traiçoeiro e amei! Beijo!

    www.newsnessa.com

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  9. Olá Lu!
    Já tinha lido algumas resenhas sobre o livros, e as opiniões se mostraram bem diversas. Não sei se leria o livro por agora. a história parece ser interessante, mas a protagonista em si não me chamou muita atenção.
    Adorei a resenha, beijos!

    Books & Impressions
    Sorteio de Natal

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  10. Oi, Lu!
    Adorei a sua resenha! Foi ótima para me fazer entender um pouco mais sobre o livro.
    Gostei bastante da premissa dele e mesmo sendo mais adolescente, fiquei com muita vontade de ler.
    Principalmente pelo fato do livro te enganar e só te deixar descobrir as coisas junto com os personagens!
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

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