O Príncipe Leopardo [Resenha Literária]


Elizabeth Hoyt nos leva novamente a Inglaterra do século XVIII, mais precisamente para o ano de 1760, e nos apresenta dois personagens totalmente improváveis de protagonizarem um romance de época. Lady Georgina Maitland, a filha mais velha de um falecido conde, se torna uma riquíssima herdeira após o falecimento de uma tia, e não tem a menor propensão ao casamento, especialmente devido a sua personalidade independente e nenhuma vontade de responder às vontades de um marido, o que não significa que ela não tenha curiosidade sobre o sexo masculino. 

Aos 28 anos já é considerada uma solteirona para a sociedade da época, até mesmo por sua irmã de quinze anos, Violet. Devido as suas responsabilidades com a irmã mais nova, com a mãe hipocondríaca, e sua falta de experiência com a gestão das terras, passa boa parte do tempo em Londres, e por isso, a responsabilidade pela administração de sua propriedade em Yorkshire é delegada a um administrador bastante inofensivo a um primeiro olhar, Harry Pye. É durante um acidente durante a viagem entre Londres e a propriedade rural que os dois acabam se aproximando mais e com isso nasce o desejo da aristocrata pelo empregado. 

O primeiro diferencial desta história é certamente a questão de a protagonista não ser a menos favorecida financeiramente, muito pelo contrário, Harry além de não ter dinheiro, também não vem de família nobre, dois empecilhos fortíssimos para que os dois não se envolvam romanticamente. Mas Georgina não quer um marido, só algumas noites quentes e sem compromisso, mas sabemos que isso não será impedimento para que o amor surja entre os dois. É aquela velha história de “não posso me apaixonar por você”. 


O segundo diferencial é que a autora inseriu um mistério para dar uma boa tumultuada no relacionamento dos dois, não apenas romanticamente, mas profissionalmente também. Acontece que logo que chegam a propriedade, a herdeira descobre que há ovelhas sendo envenenadas nas terras do Grandville, uma propriedade vizinha a sua, e que as suspeitas recaem todas sobre seu funcionário. Acontece que Harry é natural da região e guarda muito rancor de Silas Grandville, dono das terras e magistrado da região, e não é nenhum pouco gratuito, uma vez que ele foi o responsável por toda a tragédia que abateu a sua família. 

Durante a leitura eu sabia que Harry era inocente, mas suspeitei de quase todos os personagens secundários do livro, e algumas vezes até de pessoas que foram rapidamente citadas. O que para mim é um grande mérito da autora, pois até o último minuto, eu ainda tinha dois suspeitos, e errei com relação aos dois. E não foi somente isso, pois a leitura foi feita em grupo e nenhuma de nós conseguiu desvendar o verdadeiro assassino das ovelhas. 

Com relação ao romance, acho que a autora pecou um pouco. Apesar de sabermos que o relacionamento físico iria evoluir para um relacionamento amoroso, afinal de contas se trata de um romance e nem podemos considerar isso spoiler mais, sinto que faltou algo no casal. 

O mistério das ovelhas e a busca dos dois pelo verdadeiro culpado me instigaram muito mais do que a relação propriamente dita. Parcialmente devido a Harry com aquela atitude de “seria uma humilhação ficar com uma mulher mais rica do que eu”, e em parte porque o relacionamento deles foi muito deixado para depois e por motivos que eu considero muito fracos. Ela chega a fugir para Londres por duas vezes. 


Outro ponto que eu estava na expectativa era com relação a forma que seria justificado o título. Em O Príncipe Corvo, primeiro volume da trilogia, a história de um príncipe transformado em Corvo foi contada e introduzida na história de forma muito mais criativa, ao ponto que eu cheguei a ter vontade de ler os começos dos capítulos para saber como a história iria se desenrolar. O que não aconteceu com O Príncipe Leopardo, com Georgina contando uma história sem pé e nem cabeça, que parecia inteiramente inventada na hora, e honestamente, totalmente sem graça. 

Não sei se estou mal acostumada com mocinhos que realmente fazem algo para conquistar suas donzelas ou pior, não consigo me habituar à ideia de ser a mulher quem correu atrás desde o início de forma tão aberta, mas por ser um romance de época, a história dos dois não me convenceu da forma como foi contada. Foi uma boa leitura para passar o tempo e ficar debatendo com as amigas sobre quem era o responsável pelas mortes, mas faltou dar aquela suspirada pelo casal. 


A escrita da autora avança muito bem, apesar de o começo ser meio lento, assim como no primeiro livro, mas depois de aproximadamente 1/3 da leitura, muitas reviravoltas acontecem e me fizeram ficar mais vidrada. A edição está lindíssima, combinou perfeitamente com um romance de época. Aliás, a editora fez um trabalho belíssimo com a trilogia, desde a escolha das cores dos três livros, até a escolha de fonte e imagens de capa, lombada e contracapa. 

FICHA TÉCNICA

Título: O Príncipe Leopardo - Trilogia dos Príncipes # 2
Autor: Elizabeth Hoyt
Para ler a resenha de O Príncipe Corvo CLIQUE AQUI
Onde Comprar: Amazon

 

Luciane Leite
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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7 comentários:

  1. Luciane, não sou lá muito fã de romance (mesmo não sendo tão bom nesse livro), mas sabe que fiquei curiosa? Quero saber agora quem está matando as pobres ovelhinhas. xD

    Beijo!
    Cores do Vício

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  2. Olá!
    Comprei o primeiro livro estou louca para ler 😍
    Adorei a resenha, beijos!

    Books & Impressions

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  3. Oi, Luciane!
    Realmente a história da Georgina não fez muito sentido e nem lembro se ela chegou a terminar hahahahhaha
    No geral, eu curti o livro, mas ainda prefiro O Príncipe Corvo.
    Beijos
    Balaio de Babados
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  4. Oi, Luciane!=)
    Esses livros tem uma edição de capa maravilhosas mesmo! Eu fico admirado. Imagina se fosse em capa dura, que espetáculo seria!

    Ainda não li o livro, mas leio muita coisa positiva sobre o primeiro e não tão boas sobre o segundo.

    Bjão.
    Diego, Blog Vida & Letras
    www.blogvidaeletras.blogspot.com

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  5. Não sei em relação à história mas essas edições são muito amor, adoro as capas! Vou ficar com eles debaixo de olho =)

    MRS. MARGOT

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  6. Eu não gosto quando as histórias são lentas no começo, me desanimo muito fácil e bate uma bad kkk. Não é meu estilo de leitura, mas acho as capas dessa série muito bonitas :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  7. Oi Lu,
    Eu acho essas capas simplesmente maravilhosas, e gosto muito da premissa das histórias. Uma pena que o romance não te envolveu tanto dessa vez, mas pelo que li pelo menos pelo suspense vale a pena ler o livro.Eles já estão na minha lista de desejados e se conseguir quero lê-los logo.
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    https://leiturakriativa.blogspot.com.br

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