Original Netflix: Alias Grace


Após o sucesso da adaptação de O Conto do Aia, da escritora canadense Margareth Atwood, chegou a vez de Vulgo Grace ganhar uma versão em formato de série, ambos os livros tiveram relançamento recente pela Editora Rocco no Brasil, que inclusive está com um novo projeto gráfico para as obras da autora. Enquanto a primeira é uma série original Hulu, serviço de streaming ainda não disponível no Brasil, desta vez foi a Netflix a responsável pelo projeto. 

Intitulada Alias Grace, a minissérie tem como protagonista Grace Marks (Sarah Gadon), uma criada acusada e condenada à prisão perpétua por ser cúmplice do assassinato da governanta Nancy Montgomery (Anna Paquin) e do patrão Thomas Kinnear (Paul Gross). Baseada em fatos reais, até hoje não se sabe o real papel de Grace, então uma jovem de 16 anos, nos crimes. Seu cúmplice, o jovem de 20 anos, James McDermott (Kerr Logan), não teve a mesma sorte, acusado e condenado à morte por enforcamento, morreu jurando que a mentora dos crimes foi na verdade a garota. 

A história se passa nos anos de 1840 no Canadá, na região hoje conhecida como Ontário. A história nos é apresentada inteiramente pela visão de Grace, tendo em alguns momentos flashs do que pode ter sido a realidade dos fatos, mas sem que nos seja entregue o que foi que aconteceu na realidade, deixando ao leitor e agora ao espectador, a possibilidade de escolher no que acreditar ou ficar na dúvida mesmo, que foi o meu caso. Foi ela uma marionete nas mãos de homens inescrupulosos ou uma psicopata que soube como enganar as pessoas para escapar da morte? 


A minissérie conta com seis episódios, de aproximadamente 45 minutos, nos quais somos guiados pela mente de Grace pelo Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft), médico contrato pela comunidade para determinar se Grace agiu devido a problemas mentais ou não. Enquanto relata os fatos por sua perspectiva, a jovem deixa bem claro para nós que escondeu alguns fatos e sensações do médico, e isso é mais um artifício que nos leva a duvidar de sua inocência, mas ao mesmo tempo não nos deixa saber o quão culpada ela é. 

Um ponto delicado da relação médico/paciente foi a erotização deste relacionamento. Jordan chega a ter sonhos eróticos com a paciente, e em algumas cenas parece que Grace, já uma mulher adulta que passou muitos anos presa, parece ser consciente da capacidade de mexer com a mente do doutor de uma forma sexual, mas sempre se mantendo no papel de mulher recatada, chegando ao ponto de rechaçar a linguagem vulgar que ele utiliza para fazer perguntas a ela em alguns momentos. 

Durante essas conversas, logo de cara ela nos desperta um sentimento de empatia. Primeiro devido a morte da mãe e posterior maus tratos pelo pai alcoolista, Grace então uma jovem de 15 anos é enviada por ele para trabalhar em uma casa de família, com a responsabilidade de enviar dinheiro para a casa, uma vez que o progenitor não tem a menor vontade de trabalhar. Chegando lá, ela conhece Mary Whitney (Rebecca Liddiard), uma jovem que também trabalha na casa, e que vai ajudar a protagonista nesta nova fase de sua vida. 


A história da série neste ponto diverge em alguns pontos da original, mas acho que foram mudanças necessárias para o andamento da série. Alguns exemplos destas alterações é que o emprego na casa do Sr. Kinnear na verdade foi seu quinto, e não o segundo como na adaptação, e as mortes terem ocorrido apenas um mês após a chegada a casa, e não seis, além de ela ter chego ao Canadá aos doze anos e não aos 15. Como não li o livro, não sei como é na adaptação literária, mas achei apropriado fazerem as mudanças, uma vez que não acho que seria possível apresentar toda a história em apenas seis episódios com a mesma qualidade. 

Voltando a série, Mary iria desempenhar um papel importantíssimo na mudança de emprego de Grace, mas também em sua personalidade. Ela passa de jovem completamente ingênua, para uma mulher muito mais alerta sobre os perigos de ser uma mulher sozinha no mundo. Em determinado momento ela mesmo fala para o Dr. Jordan que apesar de ela achar na época que era uma mulher, na verdade ela era apenas uma menina. 

Como a história nos é contada pelo ponto de vista de Grace, McDermott não é apresentando como seu par romântico, apenas em flashs em que a história é vista pelo depoimento que ele deu a polícia é que vemos outro tipo de relacionamento entre os dois. Aqui cabem mais perguntas, pois é impossível não questionar se não havia um envolvimento entre os dois, pois ela estava envolvida nos assassinatos e fugiu com ele para os EUA, logo seria pouco provável que não houvesse um envolvimento romântico entre os dois. 

Acho que esse é um dos grandes trunfos da série, sempre nos fazendo nos questionar sobre a responsabilidade de cada um nos acontecimentos que se sucederam, sem nunca entregar uma resposta pronta. Se você é daqueles que gosta de um final bem fechadinho e claro, acho que o final não será tão apreciado, apesar de toda a trajetória valer muito a pena. 


Certamente que a atriz Sarah Gadon brilhou no papel de Grace, assim como suas companheiras de elenco, Anna Paquin e Rebecca Liddiard. O elenco feminino, acredito que propositalmente, teve maior destaque. Mesmo em momentos em que o Dr. Jordan está em cena, é sempre em função de Grace, mesmo quando não está na presença dela, e isso foi tanto em função do roteiro, quanto da presença da atriz. 

Zachary Levy, queridinho dos fãs de séries pelo papel na série Chuck, interpreta Jeremiah, um vendedor ambulante que aparentemente não teria nenhuma importância, mas revela sua relevância apenas no último episódio, com uma grande virada na vida de ambos. Não estava esperando o ressurgimento do personagem. Portanto, fiquem de olho nele. 

Para quem não tem tanto tempo para maratonar séries, essas minisséries são uma ótima oportunidade, sei que tem mais produções neste formato vindo por aí na Netflix. Alias Grace me surpreendeu bastante pelas sutilezas, pela forma como os personagens foram abordados, pela direção de arte, que apesar de não entender tanto assim, consigo afirmar que a qualidade está altíssima, pela fotografia, pelo roteiro, direção, e claro, pelo elenco. 
Indico.

Trailer:

FICHA TÉCNICA

Elenco: Sarah Gadon, Edward Holcroft, Kerr Logan, Anna Paquin, Zachary Levy, Rebecca Liddiard, Paul Gross, Michael Therriault, David Cronenberg, Stephen Joffe. 

Criado por: Sarah Polley
Emissoras originais: Netflix e CBC Television 
Data de estreia: 03/11/2017 
Número de episódios: 6
Duração dos episódios: aprox.. 45 minutos. 
NETFLIX
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Luciana Leite

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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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9 comentários:

  1. Olá, Luciana.
    Eu gostei bastante da dica. E ainda mais por ser bem pequena. Sofro com essas séries que tem 22, 24 episódios cada temporada hehe. Assim que der eu vou assistir porque o enredo é muito interessante.

    Prefácio

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  2. Olá, tudo bem? Não sabia desta série ainda, mas adorei conhecer, ótima dica! Gostei de saber também que é pequena, heheh.

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  3. Oi Luciana
    adorei a resenha e me instigou a procurar sobre a série na netflix
    tantas séries para ver
    acabo não fazendo outra coisa
    beijão
    Karina Pinheiro

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  4. Oi Luciana,

    Não sabia do livros e nem da série, tem uma premissa interessante, mas não sei se assistiria nesse exato momento.
    Bjs
    http://diarioelivros.blogspot.com.br/

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  5. Olá Luciana. Como vai?
    Eu gostei da sua dica. Deixarei anotada e logo que der irei conferir.
    Bjus
    Doces Letras

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  6. Adoro series curtinhas assim, tenho certa dificuldade em acompanhar aquelas que possuem um grande numero de episódios e temporadas, eu tento acompanhar, mas é difícil.
    Acho incrível isso de manter o mistério e o espectador decidir se é ou não culpado, a duvida que é deixada no ar é muito legal, adoro isso!!
    Com certeza essa série vai entrar pra minha lista!!

    Esperando para voar

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  7. Olá, tudo bom?
    Adorei essa dica! Adoro séries e filmes de época.
    Beijos
    5 O'clock Tea

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  8. Oi Luciana!
    Eu estou vendo a série, terminando já.
    Eu gosto desse formato de minissérie e a Netflix não foi boba em adaptar mais uma obra da Atwood.
    Tô me preparando pro final "sem muitas respostas" kk
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com/

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  9. Oi Lu,
    Gostei muito da indicação. Ainda não tinha visto o trailer e gostei muito da premissa dessa história, só fiquei com o pé meio atrás porque você comentou que não é 100% de certeza que temos ao final da série, mas achei muito interessante sim e por ser curtinha quero conferir.
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    http://leiturakriativa.blogspot.com.br/2017/11/meu-romeu-de-leisa-rayven.html#comment-form

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