Original Netflix: O Justiceiro


Introduzido no Universo Marvel Netflix na segunda temporada de Demolidor, o personagem O Justiceiro, volta a programação do serviço de streaming agora com uma série própria com 13 episódios. Enquanto na série anterior o ex-fuzileiro Frank Castle (Jon Bernthal) foi introduzido para fazer o mais famoso dos Defensores se questionar sobre a moralidade da justiça vigilante, agora a história é mais focada principalmente em contar a origem do personagem, mas principalmente sua trajetória de vingança e a busca pelo que ele considera justiça.

O Justiceiro é um tipo de super-herói que considera o “olho por olho, dente por dente” a forma mais adequada de resolver suas pendências. E devo confessar que em diversos momentos tive que concordar com ele, especialmente quando se trata do envolvimento daqueles que juraram servir e proteger, pois ao longo da temporada ele vai descobrir que agentes do alto escalão da CIA, FBI, NSA e até do exército estão envolvidos com o assassinato a sangue frio de sua família. 

Porém, o que causou que seus antigos aliados planejassem a sua morte? Frank fazia parte de uma equipe de elite, que segundo suas próprias palavras, era o talibã americano. A missão do time era capturar, interrogar e assassinar possíveis ameaças (pessoas) as operações americanas, mas a verdade é bem mais complexa. Uma dessas missões é gravada por um dos militares que não está nada satisfeito com as missões a eles designadas e envia um dvd a um analista da NSA (National Security Agency = Agência de Segurança Nacional), agência que integra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos


O analista em questão, David Lieberman (Ebon Moss-Bachrach), por receio de ter agentes envolvidos interceptarem a gravação e saírem impunes, decide não enviar ao seu superior na cadeia de comando da agência, e ao invés disso, envia diretamente para outra agente, Dinah Madani (Amber Rose Revah). Uma decisão que viraria a sua vida e de sua família de cabeça para baixo, pois a agente vai até seu comandante e acaba sendo desligada do caso, enquanto ele é perseguido e precisa fingir estar morto, até mesmo para sua família. 

David, agora agindo como Micro, sabendo do envolvimento de Frank no assassinato do vídeo e que o mesmo é O Justiceiro, decide que eles devem se aliar para se vingar de seus verdadeiros algozes. O que ele não contava é que Frank fosse achar que ele fosse seu inimigo e com a ajuda de Karen Page (Deborah Anne Woll), aquela de Demolidor e Defensores, fosse encontrar ele antes. Dizer que não gostei da cena do encontro dos dois é pouco. 

Enquanto isso, Madani continua a caça de Frank, acreditando que ele é o maior responsável pelo que aconteceu no Afeganistão. Em seu caminho surge Bill Russo (Ben Barnes), que também era da equipe de Castle no Afeganistão, mas que agora comanda a Anvil, uma “agência de segurança particular”. Em meio a tudo isso ainda temos o drama vivido por Lewis Walcott, que participa do grupo de apoio do também ex-fuzileiro Curtis Hoyle (Jason R. Moore), amigo de Castle e Russo. Apesar de ter sido usada para nos contar sobre as consequências da guerra em algumas pessoas, essa parte da história é totalmente dispensável ao meu ver.


Agora vamos as questões que fazem desta série imprópria para menores de 18 anos. Primeiro as cenas de ação, que sim são muito boas e não tem como dizer o contrário. O ator Jon Bernthal já havia nos dado uma amostra de sua presença física em Demolidor, mas agora as cenas de luta provam o quanto ele é bom em cenas de porradaria, tiros e bombas. Porque sim! Tem tudo isso, contra tudo e contra todos. Em alguns momentos tem tanto sangue envolvido que fica até difícil de identificar os personagens. 

Em uma das cenas com Russo, vai ficar fácil entender porque nos quadrinhos ele se torna o vilão Retalho. Isso não é spoiler minha gente, isso é de conhecimento público. Como não li os quadrinhos, não posso dizer como Russo é originalmente, mas sinceramente em Justiceiro ele parece um Dorian Gray, personagem que o ator já viveu nos cinemas (O retrato de Dorian Grey, 2009), extremamente vaidoso, ganancioso e mulherengo. Este lado de sua aparência e personalidade é abordado na série, e eu não conseguia deixar de compará-lo ao Dorian quando falavam disso. 

O que nos leva a questão sobre a previsibilidade do roteiro. Sério, exceto pelo primeiro episódio, que até agora não entendi porque precisava começar com os pedreiros, diversos acontecimentos são extremamente previsíveis, até quem vai transar com quem e quando, que é legal em um romance, mas com mais de um casal em uma série de super-heróis, ficou estranho. 

Essa questão foi que o que mais me desgostou, pois acontecimentos que eram para ser tremendos plot twist acabaram sendo óbvias e consequentemente chatas demais. Em uma ou duas cenas não seria problema, mas isso aconteceu diversas vezes comigo. 


Outro ponto que achei desnecessário ficar enrolando foi o relacionamento de Frank e Karen. Desde o Demolidor que essa tensão sexual era construída, e aqui ela continua... continua... e continua... Desnecessária essa enrolação em uma série para maiores de 18 anos, quando todo o resto do elenco acaba transando em algum momento. A Karen parece estar ali só para isso mesmo, tem momentos que ela some e não faz falta alguma. 

No entanto, acho que outra personagem feminina foi pior explorada, que foi a Dinah Madani, teoricamente era para ser um prodígio da NSA, mas acaba tomando umas decisões que não tem como nós, leigos em defesa nacional, não questionarmos. É uma personagem que deixa se levar demais pelo emocional, até mais que o próprio Frank, mas que com ela acaba não sendo tão justificado, e fica parecendo que é apenas porque ela é mulher. Parece de propósito e por isso, não gostei. 

Eu geralmente gosto dos caras inteligentes, então nessa série meu favorito não tem como não ser o Micro, que ajuda Frank a usar seu lado mais racional. Afinal ele tem muito mais a perder ou a ganhar se o plano deles não der certo, já que sua família ainda está viva, e para mim isso mostra como ele é mais inteligente, sem que isso passe a sensação de que ele não se importa com a eles. 


É importante ver o Justiceiro para entender todo o universo Marvel/Netflix, mas se você pular uns 40% em cada episódio, ainda assim, vai achar que sobrou alguma coisa. Se a série for renovada, eu espero um roteiro bem melhor.

Luciane Leite
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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6 comentários:

  1. Oi Mi!
    Eu vou ser bem sincero e dizer que acho que a Karen nao tem quimica com ninguem nessas series, porque eu nao curti ela com o Matt e menos ainda com o Frank, justamente por causa dessa enrolaçao.
    Pessoalmente ainda nao vi essa serie, mas ta marcada por fazer parte do universo marvel na netflix, mas eu acho ela desncessaria. Pareceu bem mais uma serie feita para os fas que gostaram do personagem em Demolidor de onde, pessoalmente, eu acho que ele nao deveria ter saido.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com.br/

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  2. Oi Luciane, tudo bom?
    Acho que a questão da previsibilidade é exatamente essa. A série é crua e direta, ela não fica se enrolando em mistérios - não igual Punho de Ferro ou a s2 de Daredevil, por exemplo. Punisher é muito sobre o realismo e soco na cara, e a maneira com que o enredo apresentou isso foi muito bem desenvolvida. Tinha a lentidão nas questões de traição, política e toda a treta com os militares, mas em nenhum momento foi coisa pra virar plot twist. Plot twist é muito mais pra enredo do Tentáculo, porque envolve o sobrenatural e pede por uns momentos de explodir a cabeça. Punisher entregou uma trama bem simples, até, e por isso tão impactante.
    Quanto à Karen e o Frank, não achei enrolado exatamente por estarmos no começo de um relacionamento. É a PROMESSA de uma relação entre os dois; são olhares e toques e aquela confiança cega sendo construída, é o típico slow burn ship. A Karen acabou de perder o Matt, acha toda essa história de herói uma coisa desesperadora, mas o Frank é o oposto disso e ele entende ela melhor do que ninguém - vide as interações maravilhosas entre os 2 na s2 de Daredevil. Acho sim que vai rolar canon pra Kastle, mas isso é coisa pra segunda temporada de Punisher (ou talvez terceira temporada de Daredevil, caso o Frank realmente apareça como estão dizendo que vai).
    Já deu saudade da série lendo tua resenha UHASUHASUHASUHASUHASUH espero que a Netflix confirme a segunda temporada logo!

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  3. Gostei da dica Luciane. Assisti um filme sobre o Justiceiro há alguns anos atrás e curti bastante e acredito que a série seja ainda melhor. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  4. Oiii Lu
    Do pouco que eu assisti, eu gostei da série. Espero ter tempo pra sentar e ver tudo. Pois tenho que colocar em dia as séries não vista.
    Beijos
    Ari

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  5. Queria ver, mas fiquei tão decepcionada com Luke Cage que nem tenho coragem de começar essa hahaha XD

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  6. Luciane, estou assistindo a essa série e amado! O Frank é demais!

    Beijo!
    Cores do Vício

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