Black Hole [HQ]


Bizarro. Estranho. Intrigante. 

Não sei bem ao certo como começar essa resenha. Black Hole foi um dos materiais mais difíceis para eu começar a escrever sobre e não sei exatamente o motivo. Pode ser um medo de falar besteira, ou de não ter entendido perfeitamente o que se passou, apesar que nem sempre conseguimos entender tudo perfeitamente. Em vários casos nem mesmo os autores sabem o que estavam dizendo.

Charles Burns, que teve seu destaque na revista RAW de Art Spiegelman (Maus) em meados dos anos 80, é autor de diversas obras e ganhador de inúmeros prêmios. Black Hole foi publicada em doze edições entre 1995 e 2004 e a Darkside Books nos presenteia com essa edição completa e muito caprichada. E antes de mais nada preciso destacar a arte de Burns. Feita em preto e branco é incrivelmente detalhista, com as tonalidades certas deixando a arte totalmente compreensível.


Black Hole é algo intenso, visceral e pode não ser para todos os gostos. Não há uma data específica que se passa a história, mas pelo comportamento dos personagens, músicas e roupas, tudo leva a crer que se passa nos anos 70. E essa época foi algo fora da curva, uma era de descobertas, de revoltas internas, de ser diferente. 

Além das drogas e bebidas, o sexo fazia parte do cotidiano dos adolescentes. Eram anos de descobertas, do amor e sexo livre, ninguém se importava muito com proteção ou o que poderia acontecer de errado e todos queriam “curtir a vida”. Usando esse contexto, a obra aborda uma epidemia de DST onde as pessoas tinham parte de seus corpos deformados. Muitas dessas pessoas se isolavam, mantinham distância de outras pessoas e quase não se relacionavam. 


A narrativa alterna entre terceira e primeira pessoa, com alguns flashbacks e muitas cenas psicodélicas. No entanto, é algo que prende, você não vê a hora de virar a página e saber o que vai acontecer. Por alguns momentos pode acontecer de confundir algum personagem e ter que voltar uma ou duas páginas para ter certeza de quem era, mas com o tempo isso deixa de ser necessário. Eu fiquei muito intrigado com a doença em si. O que era, o que causava, como deter ou curar. Mas aí que eu percebi algo errado. A obra não fala da doença em si, ela usa essa doença como um tipo de metáfora para todas as dúvidas e todos problemas que os jovens tinham (ou ainda tem). O distanciamento, a falta de aceitação, o isolamento, a rebeldia, o fato de achar que está sempre fazendo o certo ou o melhor e até mesmo a obsessão e violência é “escondida” por meio dessa epidemia. 


Por esse motivo Black Hole não é algo tão fácil de ser digerido. Houve momentos que eu fiquei sem entender o que se passava, precisando pensar um pouco mais e tentar fazer alguma relação, mas tudo se conecta. Está tudo interligado na mente dos jovens e na sua ânsia de ser diferente e ter seus próprios caminhos. 

Essa é uma obra que precisa ser deglutida aos poucos, algumas cenas são mais pesadas, e pode ser que cause certa repulsa, mas tudo tem sua razão de estar lá. Leia Black Hole com a mente aberta, absorva cada detalhe e cada centímetro da arte e não tenha receio em não ter entendido algo ou ter que voltar para alguma página e ter certeza de alguma coisa, isso faz parte. E ao final você irá compreender a obra como um todo. 


FICHA TÉCNICA

Título: Black Hole
Autor: Charles Burns
Editora: DarkSide® Books
Nota: 4/5
Onde Comprar: Amazon

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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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7 comentários:

  1. Oi, Renato
    Ás vezes também tenho medo de fazer resenhas que não fazem jus ao que a gente sente ao ler uma obra, principalmente essas lançadas pela Darkside que sempre dão um frio estranho na barriga quando começamos a ler. Definitivamente não sei se leria justamente por esse receio de não entender bem o que o autor quer expressar, mas como se trata de uma história em quadrinhos, talvez para mim seja viável.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

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  2. Black Hole é realmente muito difícil de descrever, é algo que eu nunca tinha visto antes, uma abordagem completamente distante do convencional e de fato não é para qualquer um, muita pessoas podem não gostar do que está sendo mostrado na HQ, mas eu particularmente gosto bastante =D
    Ótima resenha!

    Beijão
    Toca da Lebre
    Universo DC 52

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  3. Olá,
    Eu não conhecia esse livro até vê-lo em Planeta dos Macacos: O Confronto haha, fiquei curiosa e nossa, eu leria só pelo teor bizarro. A arte parece estar ótima.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  4. Já tinha ouvido falar que essa HQ é bem maluca kkkk
    História bizarra..

    www.vivendosentimentos.com.br

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  5. Oiii Renato

    É uma HQ diferente, mais pesada, dark mesmo. Ninguém pode dizer que não seja uma leitura diferente até... eu leria, com a mente mais aberta do que com certeza vou para outros livros, sei lá, espero não ficar chocada...rsrs

    Beijo

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Oi, Renato!
    Não conhecia a HQ, mas pelo que você falou não é bem para mim, apesar de que eu leio muitas coisas fora da minha zona de conforto.
    Achei um pouco doido, hahaha, apesar de que eu fiquei bem curiosa, não nego.
    O desenho é bem bacana mesmo e gosto de quando são os traços assim só em preto e branco.
    Achei legal a doença ser uma espécie de analogia de outros problemas e precisar fazer a gente pensar um pouco.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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  7. Eu não sabia muito bem o que esperar dessa HQ mas acho que entendi qual a mensagem que ela deseja passar! A HQ parece repleta de cenas fortes, mas é aquele tipo de leitura que temos que ir com calma e já tendo em mente que não será algo de tão fácil compreensão! Um beijo <3
    Colorindo Nuvens

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