Menina boa Menina má [Resenha Literária]


Menina boa Menina má, é um suspense psicológico sombrio, irresistível e motivado pela voz de Ali Land, que escreveu lindamente essa história. Quão longe a maçã cai realmente da árvore? 

A mãe de Milly é uma serial killer, mesmo amando sua mãe, a única maneira de fazê-la parar é entregá-la para a polícia. Milly tem um novo recomeço: uma nova identidade, uma casa com uma família adotiva e um lugar em uma escola privada. Mas, ela tem segredos e a vida em sua nova casa se torna complicada. Enquanto o julgamento de sua mãe se aproxima, com ela sendo a testemunha principal, as perguntas começam a aterrorizá-la: o que é de sua natureza? Quais coisas ela está nutrindo? Será que ela está destinada a ser como sua mãe? 

Quando as tensões aumentam e Milly se sente presa por sua nova vida ela tem que decidir: ela será boa? Ela será má? Afinal, ela é filha da mãe dela. 


Land faz uma escolha ousada e brilhante nesse livro, deixando de fora os detalhes-chave. Os leitores nunca são autorizados a ler explicitamente sobre a tortura que a mãe de Milly realizava em suas vítimas. A imprecisão permite ao leitor evocar imagens horrendas. Em vez disso, a narrativa se concentra em Milly, criando um texto do ponto de vista intensivo que atrai os leitores para o processo de pensamento dela e sua luta para superar os dois lados: boa e má, a parte muito parecida com a mãe e a parte que quer desesperadamente ser diferente. 

Mesmo quando ela está interagindo com os outros, o texto cria uma espécie de bolha na qual os leitores parecem permanecer dentro da cabeça de Milly. Em alguns lugares, a autora renuncia às aspas, de modo que até a fala de outras pessoas é filtrada por ela. Essa concentração na personagem permite que Land crie tensão e ansiedade. 

Embora os pensamentos de Milly por vezes sejam instáveis em relação ao início da história, eles se tornam ainda mais agitados perto do fim, à medida que a trama chega a sua conclusão inquietante. 


A história é absolutamente autêntica em um sentido psicológico. Milly me seduziu completamente. Em uma linguagem simples, muitas vezes fraturada, transmite a complexidade de uma garota que não consegue escapar do relacionamento com sua mãe - sua necessidade desesperada de pertencer e ser amada, sua lealdade e ambivalência, sua culpa. Eu podia me relacionar com a personagem enquanto ela tentava fazer a coisa certa, enquanto rechaçava as lembranças de ter sido criada por uma mãe abusiva e egoísta. 

Milly é uma narradora confiável por excelência, retendo informações e suas emoções reais tanto de seu pai/conselheiro adotivo, da professora de arte que a encoraja, da garota que ela faz amizade, da cruel Phoebe e de quase todos ao seu redor - como também do leitor. Chegamos a perceber como Milly dispensa o suficiente da verdade para provocar e enganar. 

Por mais perturbador que seja o processo de pensamentos da protagonista, Menina boa Menina má mostra que não é necessário ter um serial killer como mãe para outras pessoas serem perturbadas. A irmã adotiva de Milly tem um tom assustador e cruel, sua habilidade de encantar e manipular as pessoas é uma reminiscência do comportamento da mãe de Milly. Na verdade nenhum dos personagens parece estar bem ajustado. Como tal, os tons de cinza que Land cria dentro do texto adicionam uma camada extra de sentimentos à história; os leitores terão problema para decidir quem é bom ou ruim, ou se esses rótulos têm algum significado. 


Este é definitivamente um dos thrillers psicológicos mais intensos que li em muito tempo. A história empurra todos os limites possíveis, e Land escreveu esse livro com toda sua paixão. Quando cheguei ao final, inclinei a cabeça para trás e respirei fundo. Land leva o leitor sem esforço através da mente de uma adolescente de 15 anos e te coloca pra pensar: até que ponto somos bons ou maus!!! 

A história da autora mostra que ela se formou em saúde mental na faculdade, e trabalhou dez anos com crianças e adolescentes. Enquanto seu passado empresta um tom sinistro à história, o livro brilha por conta própria. É uma descida lenta para uma descoberta aterrorizante de si mesmo. 

FICHA TÉCNICA

Título: Menina boa Menina má
Autora: Ali Land
Nota: 5/5
Onde Comprar: Amazon

Natália Silva
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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5 comentários:

  1. Oi Nat!
    Eu entendi zero coisas da sinopse quando vi o livro zanzando entre os leitores no insta. Mas nem animo. Thriller é um genero que nao dei certo pra mim. Ja tentei e acabo largando ou achando confuso demais, por isso nem me arrisco. Esse ta muito vibe Garota Exemplar, que ninguem sabe quem e culpado e quem e inocente. Fico feliz que tenha sido uma leitura tao positiva, mas comigo nao rola.

    Abraços
    David
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com

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  2. Oi, Nat!
    Eu quero muito ler esse livro. Pelas resenhas que vi, ele dá um grande nó na cabeça e faz tempo que não leio um thriller assim.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio de aniversário Balaio de Babados e O que tem na nossa estante. São quatro kits; um para cada ganhador

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  3. Oi Natália! Resenha intensa e bem carregada, já me senti tensa lendo sobre o livro, imagina a história! Normalmente thrillers não fazem parte das minhas leituras, apesar de gostar do gênero, sempre fico muito ansiosa e angustiada, por isso evito essas histórias, mas como negar a leitura de uma obra tão profunda?!
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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  4. Oi, Nat

    Eu amei esse livro, também o considero uma das minhas melhores leituras do gênero. O fato de tudo acontecer na cabeça de uma menina tão jovem é perturbador, livrão da porra!

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  5. Oi Natalia!
    Pela sua nota e pelos comentários que li falando desse livro. Ele parece ser execelente para um triller. Quando eu resolver ler um livro desse gênero. Irei colocá-lo na minha lista. Ameiiiii sua resenha!
    Beijos
    Ari

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