Álbum da semana - Monsters of Folk


No mundo da música muito já se ouviu falar dos supergrupos. Supergrupos nada mais são do que a junção de membros de bandas já consagradas para um novo grupo com ideias novas ou simplesmente para gravarem músicas em parceria, não que necessariamente para se gravar parcerias seja necessária a formação de um novo grupo, mas, às vezes é bem interessante, uma vez que é um grupo novo tentando imprimir a sua identidade e sua música naquele projeto desvinculado de suas bandas de origem.

Muitos são os exemplos de supergrupos que renderam bons frutos. Tobias Sammet e seu projeto de ópera rock intitulado Avantasia conta com nomes de peso como Klaus Meine (Scorpions), André Matos (ex-Angra, Shaman e Viper), Alice Cooper e Timo Tolkki (ex-Stratovarius). Velvet Revolver outro supergrupo contava com um trio poderoso, os ex-gunners Slash, Duff McKagan e Matt Sorum. Talvez, o único supergrupo às avessas seja o The Yardbirds, sendo que seu término foi fonte de mais sucesso ainda. Formado na década de 60, o grupo contou apenas com três dos melhores guitarristas da história do rock: Jeff Beck, Eric Clapton e Jimmy Page. Após o término, Jimmy criou um tal de Led Zeppelin e acho que se deu bem, né?. Clapton entrou para o Cream (outro supergrupo) e Jeff Beck tocou em outras bandas até estabelecer seu próprio grupo e seguir uma carreira de sucesso. Outros tantos fizeram carreiras de sucesso, ou simplesmente gravaram um único álbum dessa reunião. É o caso do supergrupo e álbum que vos apresento agora chamado Monsters of Folk.


Monsters of Folk nasceu em 2004 da união entre Jim James (My Morning Jacket), Conor Oberst e Mike Mogis (Bright Eyes), Will Johnson (Centro-Matic) e o cantor solo Matthew Ward que na época estavam na estrada em turnê com suas respectivas bandas, e após dividirem os palcos e aquela boa resenha no backstage, resolveram a trabalhar juntos produzindo muito material. Em 2009, o álbum fruto dessas composições nasceu e leva o mesmo nome do grupo. O álbum teve uma boa aceitação por parte da crítica, recebendo certo destaque em revistas de música como Mojo e Rolling Stone. Recebeu também quatro de cinco estrelas de jornais britânicos como The Guardian e The Times, sendo que o último afirmou que “esse supergrupo realmente é super”.

Tanto a banda quanto o álbum possuem folk somente no nome, mas de folk mesmo não se tem quase nada. Contando com artistas de gêneros psicodélicos, indie, country e rock alternativo, certamente você esperaria de tudo dessa mistura toda, menos o folk. Mas ai que vem a genialidade e sensibilidade dos componentes do grupo, uma vez que conseguiram imprimir cada um o seu estilo, aliado com vocais e backing vocals limpos, uma harmonização de instrumentos suave e a liberdade na utilização de instrumentos elétricos que dá aquela pitada folk ao trabalho.


Ao longo dos seus quase 55 minutos de duração o álbum te faz flutuar tamanha a leveza que o compreende. É uma mistureba onde todos os elementos estão medida certa e faz muito bem aos ouvidos e pra alma. É um álbum gostoso de ouvir em qualquer momento do dia e da vida. Dentro de suas 15 faixas, é impossível escolher um destaque, já que todas o tornam único, mas merecem certo destaque Dear God, Temazcal, The Right Place e Goodway.


O abre-alas é a deliciosa Dear God. Uma música que é quase uma carta a Deus, um clamor. Relatos de quem o procura, mas que de alguma maneira ou outra sempre se confronta entre o amor de Deus e o sentimento de estar só. Isso fica evidente na maneira como as vozes são postadas durante a música. Sentimentalismo define essa bela música. Temazcal e The Right Place são opostas. Enquanto a primeira talvez seja a mais indie do álbum e relaxante, The Right Place é agitada e com um clima bem agradável. Goodway é um country-indie-folk com vocais que se encaixam perfeitamente bem, quase que como duas tiras de DNA.

Monsters of Folk vai meio que na contramão dos supergrupos dos quais estamos acostumados, mas nem por isso deixa de ser um baita supergrupo e também não deixou nada a desejar no resultado final dessa união. Certamente, é um disco que merece uma chance na sua playlist e garanto que a partir do momento que você apertar o play, não vai querer que ele acabe nunca mais.

João Salmeron
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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3 comentários:

  1. Impossível não se apaixonar pelas músicas, acho que me viciei.

    www.kailagarcia.com

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  2. Eu ainda não conhecia esse grupo, mas eles parecem realmente ter música boa. Eu costumo ouvir de tudo um pouco então eu AMO descobrir novos artistas e o tipo de mensagem que eles querem passar para o público.

    Vi também um post que você fez sobre o Burn The Stage, não tive a oportunidade de assistir no cinema, mas pude ver alguns pedaços aqui na internet. Também sou Army e eu sempre fico impressionada com a dedicação de cada um deles de passar alguma mensagem com os álbuns, o cuidado com o fandom e como eles lutaram para fazer o que ama. O que eu fico mais impressionada é que mesmo com todo o schedule lotado, eles ainda conseguem arrumar tempo para ler como o Namjoon ou cuidar da família. Eu com as minhas poucas responsabilidades já estou ficando louca, imagina com o tanto de coisa que eles passam.

    Ainda não conhecia seu blog, mas estou muito feliz de ter te encontrado <3


    Blog Covil Dourado | Facebook

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  3. Nunca tinha ouvido falar deles em si. Até porque sou bem desligada em relação à música. Mas confesso que as musicas já tinha ouvido por aí, só não sabia de quem eram...

    www.vivendosentimentos.com.br

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