Conversando com um serial killer: Ted Bundy [Resenha da Série]


Conversando com um serial killer: Ted Bundy, a nova série da Netflix de documentário sobre crimes reais demonstra que, mesmo após sua morte, Ted faz seu próprio show. 

Um grande número de serial killers são narcisistas – geralmente do tipo que sofrem delírios de grandeza. Uma das implicações da nova série de documentários sobre crimes da Netflix, é que o assassino – um dos serial killers mais conhecidos do Estados Unidos – manipulava perpetuamente a mídia e seus muitos entrevistadores para alimentar sua glorificada narrativa de si mesmo. Ironicamente, o ponto central da série se manteve focado nas conversas. 

O documentário, que foi lançado no dia 24 de janeiro, é uma dramatização do livro Ted Bundy: Conversations With a Killer, dos jornalistas Stephen Michaud e Hugh Aynesworth, ambos produtores da série, e de lá é destrinchado muitas horas de entrevistas gravadas que foram realizadas durante sua prisão na década de 70.

Usando uma mistura de imagens de arquivo das investigações sobre os crimes do serial e suas posteriores detenções e julgamentos, imagens dos detritos culturais da década de 70 e entrevistas, a série de quatro partes da Netflix conta a história de dezenas de assassinatos e sequestros do assassino. Além de incorporar as entrevistas da prisão de Bundy, os cineastas conversaram com jornalistas, detetives e amigos do mesmo, advogados e até mesmo uma de suas sobreviventes em um esforço aparente para equilibrar as palavras do assassino sobre si com um contexto e insights mais amplos.

 
Como uma fã da área da psicopatia, li acerca da vida dele na época da minha graduação em Psicologia, e tive acesso à cronologia básica dos seus crimes, sua prisão e sua condenação que o transformaram em um elemento cultural do mal. Há muitos documentários e gravações previamente disponíveis e facilmente acessíveis das entrevistas gravadas após a sua condenação em redes sociais, e eu já estava um pouco familiarizada com a arrepiante história desse serial killer.

Foi o próprio Bundy que ajudou a criar e embutir na consciência cultural tantos dos arquétipos que associamos ao serial killer: a ideia da vida dupla, o "lado negro" secreto que chega como um choque total para a família e os amigos que ficam a mercê dessa situação. 

O encanto plácido que mascara as camadas de narcisismo virulento e raiva misógina. A habilidade do gato e do rato com a qual ele é capaz de fugir da imposição da lei; a combinação de carisma pessoal e uma personalidade anti-social letal que permite e encoraja-o a arrebatar suas vítimas, muitas vezes em plena luz do dia. A mídia subsequente e fixação cultural no assassino em detrimento dessas vítimas.

Detetives afirmam que o conceito de um "serial killer" não existia antes dos anos 70, quando a era pós-Charles Manson significou uma crescente conscientização pública da classe de assassinos que sempre estiveram entre nós - os famosos assassinos em série anteriores a 1970 incluem Albert Fish, HH Holmes e, é claro, Jack, o Estripador. A série demonstra e faz afirmações de que “não tínhamos a tecnologia “ que temos hoje para lidar com situações tão graves como aquelas. 


Uma coisa que fica muito clara em todo o documentário é que mesmo durante os anos em que ele era um suspeito amplamente divulgado que aguardava/escapava/evitava o julgamento, recebia infinitas oportunidades de dar entrevistas, declamar sua inocência, rir e brincar com todos. A formação de repórteres mistificados que entraram em sua órbita, e detalhava o quão irresistível o caso foi para a mídia, demonstra a comoção que envolveu todo o caso durante anos, 

Se você não sabe muito sobre Bundy, há o suficiente para série te atrair. É especialmente arrepiante o vislumbre do documentário onde é mostrado elementos usados por ele durante os assassinatos e é interessante ver os fiéis da igreja a qual ele frequentava enviando inúmeras cartas e o apoio que lhe deram no tribunal. 

Mas onde a série talvez encontre seu ponto mais forte é em seu último episódio, que apresenta extensas imagens de arquivo do julgamento de Bundy em 1979. Em meio a uma exibição perturbada da equipe de defesa, com ele atuando como seu próprio advogado, fica nítido como a falta de escuta não somente naquela época, mais dos dias atuais, enfraquecem as vítimas e as deixam na mão de assassinos e em muitas vezes não se tem uma punição para esses homens. 


A série deixa claro o verdadeiro jogo do crime e levanta algumas questões, especialmente de como o assassino é mentalmente competente, e apresenta que outros serial killers com transtornos de personalidade anti-social, conseguem controlar suas ações. 

Se as quatro décadas seguintes desde sua captura final em 1978 nos ensinaram alguma coisa, é que Bundy é o oposto de especial. Ele é igual a qualquer outro narcisista dirigido pela raiva que canaliza o ressentimento por um rompimento, um casamento fracassado ou uma falta de controle sobre suas vidas em violência. 

Se você gosta do gênero e de histórias reais, vai se interessar por esse documentário. Completamente pertinente, retrata a vida de um assassino em série, que durante muito tempo aterrorizou a vida de inúmeras mulheres nos Estados Unidos. 


No mesmo ano de lançamento da série da rede Netflix, temos o lançamento do filme de Berlinger, uma obra biográfica que irá contar a história de Bundy, estrelado por Zac Efron no qual não temos data prevista de estréia no país. E está em pré-venda pela DarkSide Books a história de Ted em uma edição inédita contada por Ann Rule (ex – colega de trabalho de Bundy), que nos apresenta mais um capítulo da jornada desse assassino que fez inúmeras vítimas enquanto estava vivo. 

FICHA TÉCNICA

Título: Conversando com um serial killer : Ted Bundy 
Título Original: Conversations With a Killer: Ted Bundy 
Criador: Joe Berlinger 
Data de lançamento: 24 de janeiro de 2019
Nota: 5/5
Netflix

Natália Silva
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Sobre O Que Tem Na Nossa Estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

comentário(s) pelo facebook:

7 comentários:

  1. Olá, Natália.
    Eu acho esse assunto bem interessante, mas acho que não é uma série que eu assistiria porque li bastante comentários sobre ela já e acho que não iria me dar bem com ela. Esse negócio dela ser bem perturbadora me deixa com um pé atrás.

    Prefácio

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  2. Oiii Natália

    Mega interessante essa série, o rosto do Bundy me dá calafrios justamente por ser o típico cara normal, aquele que a gente passaria por ele na rua e jamais suspeitaria de nada, terrível. Eu fiquei curiosa em compreender mais dessa história, vou procura pela série

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  3. Oie Natália =)

    Não sou muito fã desse tipo de série. Acho a temática um pouco pesada, sabe? Mas, para quem gosta de séries desse gênero com certeza é uma boa opção.

    Beijos e uma ótima semana;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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  4. Estou doida para ver. Não conhecia a história de Ted Bundy, estou conhecendo agora com o sucesso da série e a publicação do livro da Darkside, mas adoro o tema e com certeza não deixarei de ver =D

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  5. Oi, Natália
    Eu sou apaixonada por documentários e adoro histórias de serials, apesar de não conhecer bem a história do Ted. Acho que tá na hora de descobrir mais sobre ele, né? Ainda mais com um filme quase a sair com o Zac Efron. Espero gostar!

    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br

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  6. Oi, Nat!
    Assisti esse documentário logo quando saiu e adorei. Eu já quero logo o filme com o Zac, pois ele ficou muito idêntico ao assassino.
    Balaio de Babados

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  7. Olá Natália!
    Netflix sempre surpreendendo né? É tanta coisa boa no streaming que nem fazia ideia do lançamento dessa série, fiquei sabendo por aqui e super me interessei!
    Ótima resenha,
    Grande abraço
    EVENTUAL OBRA DE FICÇÃO

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