Era uma vez em...Hollywood [Resenha do Filme]


Todo filme do Quentin Tarantino acaba ganhando um hype enorme só por ser do diretor e Era uma vez em...Hollywood não foi diferente, ainda mais por ter Brad Pitt, Leonardo Dicaprio e Margot Robbie no elenco e abordando Hollywood dos anos 60 com alguns personagens reais como Sharon Tate, Polaski, Charles Mason, Bruce Lee, entre outros.

Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator que já foi bastante famoso, mas agora precisa lidar com a decadência, já que agora só interpreta vilões e não mais os mocinhos. O protagonista é bastante emotivo e não lida tão bem assim com sua nova fase. É um personagem simples, mas divertido. Cliff Booth (Brad Pitt) é seu dublê, ex-veterano de guerra, um homem destemido, que encara qualquer coisa e é uma espécie de faz tudo para Rick, além de um grande amigo. Cliff é um personagem mais complexo, mais debochado e mais interessante. Rick é vizinho de Polanski (Rafal Zawierucha) que se mudou com sua nova esposa, mas eles não mantêm contato e apesar da proximidade das casas Rick nunca foi pedir emprego ou tentar forçar a amizade.


A trama segue três narrativas, Rick tentando se reerguer em Hollywood, Cliff e sua rotina e coragem (e conhece um grupo de hippies liderados por Charles Mason) e Sharon Tate se deslumbrando com seus filmes (Margot Robbie). Os três são bastante carismáticos. Rick e Cliff nos envolve bastante com suas personalidades e diálogos, os dois nos sets de filmagens nos proporcionam momentos hilários e os diálogos de extrema perspicácia. Difícil não rir com a interação de Rick e a atriz mirim de oito anos, seus rompantes emocionais ou não admirar Cliff que encara um grupo de hippies sozinho em uma situação bastante tensa. Já Sharon de Margot Robbie tem pouquíssimas falas, é praticamente uma coadjuvante de luxo e todas as vezes que aparece é exibindo um grande sorriso, mostrando-se feliz com a vida, praticamente nos fazendo lamentar a todo momento Charles Manson estar tão perto dela, nos remetendo ao crime que aconteceu em 69. 

Não é novidade o ritmo lento, mas neste caso existe uma clara sensação de que nada impactante acontece na trama. E não acontece mesmo, algumas cenas são bem engraçadas e servem até para nos fazer entender melhor as características dos personagens. Cliff no rancho dos hippies ganha contornos de verdadeiro suspense, mas nada parece acrescentar muito na história até os minutos finais. Tarantino vai conduzindo tudo de maneira um tanto morna, contemplativa até atingir o clímax nas cenas finais. São poucos minutos de muita tensão, sangue, horror e violência. Muita violência! Já disse que é violento? Violento, genial, exagerado, um pouco bizarro, típico de Tarantino. E inacreditavelmente todo o conforto que o diretor nos colocar no início da trama se desfaz no final. 

Esteticamente é perfeito, figurino, a ambientação hollywoodiana, os sets de filmagem, música, maquiagem, tudo impecável. As atuações de Dicaprio e Brad Pitt também ficaram perfeitas, pena que Margot Robbie não foi devidamente explorada e isso pode decepcionar quem estiver esperando mais da personagem. 


O longa mistura fatos reais, com a ficção e a mescla ficou excelente. Muitas referências à cultura pop, uma verdadeira homenagem ao cinema da época. No entanto, é importante ressaltar que o é longa mais sensível, com um ritmo às vezes lento, e que a tensão é criada aos poucos, gradativamente até os minutos finais. E não se enganem, Tarantino vai te surpreender. 

Era uma vez em... Hollywood não é o melhor filme do diretor, infelizmente demora mais do que eu gostaria para criar toda a tensão na trama (e o filme tem 2hr40 de duração) e pouco explora Margot Robbin, até a cadela de Cliff tem mais destaque do que a atriz. Porém, é inegável a qualidade do longa, a inteligência do roteiro, a química dos atores e uma cena final que vale simplesmente todo o filme. 

Trailer


FICHA TÉCNICA

Título: Era uma vez em….Hollywwood
Título Original: Once Upon a Time ... in Hollywood 
Diretor: Quentin Tarantino
Data de lançamento no Brasil: 15 de agosto de 2019
Nota:4/5

Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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4 comentários:

  1. Amei sua resenha, não tinha visto nada sobre esse filme. Mas que elenco hein? Uma pena o filme ter se enrolado, mas que bom que o fim fez o filme todo valer a pena!

    https://www.kailagarcia.com

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  2. Oi, Mi!
    Quero assistir esse filme, apesar desse tantão de hora hahahhaha Eu já sabia que a Margot não teria muito destaque, mas ela está muito a cara da Sharon
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Amei seu artigo, estou acompanhando seu blog há alguns dias e posso dizer é estou adorando. Sempre tem conteúdo de qualidade com bastante dicas e informações interessantes!

    Parabéns!

    Meu Blog: Alagoas da Sorte

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  4. Poxa, uma pena os diversos pontos negativos. Imaginava mesmo que a obra poderia ter enrolações, mas fico feliz de já saber que achou o roteiro sagaz. E a Margot é incrível! Se em tanto tempo de filme ela não foi bem explorada, fico pensando nos outros erros ainda possíveis. Nunca fui muito chegada ao diretor, mas imagino que as entrelinhas possam fazer valer. Resenha impecável.

    semquases.com

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