O Gato Preto [HQ]


Nunca fui uma pessoa de ter superstições e é difícil às vezes entender que ainda existe gente que acha que gato preto pode dar azar. Sinceramente, encontrar gente ruim no caminho que é má sorte! Maior prova disso é o conto O Gato Preto de Edgar Allan Poe.

O conto é um dos mais famosos do autor, que é considerado uma referência do terror moderno, e adaptado para os quadrinhos pela Editora Martin Claret que deixou a obra mais dinâmica e visualmente mais sombria.

O protagonista é o narrador dessa história, e segundo ele próprio, um homem dócil, amante dos animais. Sua casa parecia um lar feliz, em que vivia com sua esposa e seus bichos, em especial um gato preto chamado Plutão que o seguia sempre. O narrador parecia demonstrar um enorme carinho pelo gato, mas aos poucos a personalidade do homem vai mudando severamente. Se antes adorava os animais, passou a maltratá-los, feri-los com crueldade e frieza. O álcool é a grande justificativa para os atos do protagonista que chega a arrancar um olho de Plutão. Depois de um incêndio em sua casa, o transtorno e maldade do protagonista ficam descontrolados, evidenciados quando ele encontra um novo gato, com pelos brancos que parece ter a marca da forca. No fim, todo culmina para um terrível assassinato, encoberto a sangue-frio e até com alívio pelo protagonista.


A aversão que o narrador chega a ter do segundo gato é usada claramente como desculpas pelos seus atos, bem como o álcool. E ironicamente, quanto mais ele odeia o gato, mais sua esposa gosta do animal. Se no começo do conto o protagonista parece viver bem, feliz e estável, no fim está decante, pobre e talvez louco. Digo talvez, porque a loucura é sempre usada como uma justificativa da maldade humana, mas nem todos os loucos são maus.

Poe trabalha com o realismo fantástico e a narrativa pode ser lida de duas formas. Podemos ler de maneira mais crua, vendo o grotesco da alma humana, o que condiz com elementos do romantismo americano, em que o autor coloca o homem como responsável por sua própria loucura e não um elemento externo. Ou podemos ver pelo lado sobrenatural em que gatos podem ser bruxas disfarçadas, ou um ser que busca vingança, que leva a culpa pelas atitudes do narrador. Confesso que estou mais propensa a ver a realidade da narrativa em que temos a maldade humana com o cerne da história.


A natureza humana é abordada pelo autor de forma sombria e a edição em quadrinhos só colabora por isso. Quadros com cores escuras e cenários obscuros permeiam toda a obra e as feições de loucura deixam por vezes o protagonista transfigurado. A edição também conta com uma introdução sobre Allan Poe e no final temos um pouco da vida do autor que teve problemas com o álcool e se casou com sua prima de apenas 13 anos de idade.

O Gato Preto tem todas as características de Allan Poe, é uma história curta, sombria, macabra e coloca o homem no centro de todas as questões, ainda que o sobrenatural possa estar envolvido.


FICHA TÉCNICA

Título: O Gato Preto
Autor: Edgar Allan Poe
Ilustrador: Hugo Matsubayashi
Nota: 5/5
Onde Comprar: Amazon

Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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2 comentários:

  1. Oi Mi! Já tentei ler a obra do autor, mas não funcionou comigo. Eu não conhecia essa versão da obra pela Martin Claret e achei linda. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  2. Oi Michele, tudo bem?
    Não sou muito fã do gênero, por isso nunca me arrisquei a ler nada do autor, mas gostei da edição da Martin Claret.

    *bye*
    Marla
    https://loucaporromances.blogspot.com.br/

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