Frank e o amor [Resenha Literária]


Frank é um adolescente da Califórnia que vive em conflito com o lado tradicional de sua família coreana e com sua vida americana. O protagonista não fala coreano e seus pais falam mal inglês, são racistas, capazes de banir a filha mais velha por ela namorar um homem negro. Para eles só os coreanos prestam.

Frank se apaixona por sua colega de escola, Brit, e para lidar com seus pais ele faz um acordo com Joy, também filha de coreanos, que ele conhece desde pequeno. Os dois fingem namorar e assim, o protagonista pode sair com a Brit sem levantar suspeitas e Joy pode sair com o namorado chinês sem problemas também. Os pais dos dois sonham em ter os filhos juntos, namorando. 


Joy e Frank fazem parte de um grupo de pais coreanos que se reúnem regularmente e embora eles se encontrem com frequência, a amizade só realmente flui depois do acordo entre eles. Foi interessante ver a amizade do dois acontecendo, um apoiando o outro, como amigos eles funcionam muito bem. O problema é quando começa a ter mais do que amizade. O autor estava desenvolvendo um relacionamento bem interessante com os personagens e desde o início o leitor percebe que o caminho deles seria mais do que amizade, a questão é o tempo de desenvolvimento foi curto e a forma como acontece foi abrupta demais, Aliás, uma determinada cena com Q, melhor amigo de Frank, também sofre do mesmo problema, é inesperado e não convence.

E falando em convencimento Frank não conseguiu me convencer dos seus sentimentos, como um adolescente impulsivo diz “eu te amo” com muita facilidade para duas meninas em pouco tempo. Além de ser um tanto omisso sobre o que acontece com sua irmã, embora mostre em pensamentos sua indignação. No entanto, apesar de tudo, é um personagem bastante simpático que mostra cansaço em relação ao preconceito dos pais. Aliás, difícil não se indignar com os pais de Frank. 


O melhor do livro me pareceu a abordagem sobre uma pessoa que nem se sente coreana por completo e nem totalmente americana. O termo “limbo” usado por Frank para definir o grupo de filhos americanos de pais coreanos que se encontra regularmente se encaixa muito bem. E a jornada sobre sua identidade foi o que mais gostei na história, muito mais do que o romance adolescente. 

A narrativa no começo foi difícil, Frank é um tanto prolixo de início e o romance não me convenceu. Foi uma leitura cheia de altos e baixos, mas é possível perceber que os personagens principais da história passam por um certo amadurecimento. o que me deixou bem satisfeita com o final. 


Sobre a edição, como li o ebook do NetGalley não posso comentar sobre a edição física, apenas que adorei a capa da Editora Seguinte

FICHA TÉCNICA

Título: Frank e o amor
Autor: David Yoon
Nota: 3/5
Onde Comprar: Amazon

 

Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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2 comentários:

  1. Olá, Michele.
    Eu acho interessante o assunto abordado no livro. É tipo o negro filho de um negro com branco que fica no meio do caminho sem ser aceito por nenhum lado. Mas acho que não gostaria muito da forma como foi abordado e não sei se leria ele.

    Prefácio

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  2. Oi, Mi
    Ansiosa pela sua resenha porque eu tive o mesmo problema com o romance. Joy e Frank não me convenceram em nenhum momento, fiquei P da vida quando eles ficaram juntos e a circunstância que os fizeram "se declarar um ao outro". Acho que quebrou o encanto e um pouco do apelo do personagem ficar com uma garota diferente do que os pais esperam. Mas de forma geral, eu curti o personagem e a narrativa, achei bem gostosa.
    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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