Um lindo dia na vizinhança [Resenha do Filme]


A primeira coisa que pensei nos primeiros minutos de Um lindo dia na vizinhança foi: que personagem estranho. Fred Rogers de Tom Hanks é tão bondoso que me causou uma enorme estranheza e, assim como o jornalista Lloyd Vogel (Matthew Rhys), fiquei procurando defeitos nele, algo escondido que mostrasse outra personalidade. O longa é inspirada no artigo da Esquire, de Tom Junod, que conta sua experiência com o Sr. Rogers, algo que realmente mudou a vida do jornalista. 

O filme começa com o apresentador infantil Sr. Rogers em seu programa apresentando a história de Lloyd Vogel, um homem que guarda rancor de seu pai por décadas e essa mágoa afeta sua profissão, seu casamento com Andrea (Susan Kelechi Watson) e até seu relacionamento com seu filho ainda bebê. Jerry Volgel (Chris Cooper) até tenta fazer as pazes com o filho, mas sem sucesso. Até que a chefe de Lloyde pede para que ele faça um artigo simples sobre o perfil de Sr. Rogers. A princípio o protagonista não aceita muito bem a ideia, mas a verdade é que quase ninguém mais quer ser entrevistado por ele, devido a sua acidez. Sem poder rejeitar o trabalho Lloyde tenta decifrar quem é Fred Rogers.


O apresentador é um homem amado por todos! Gentil, carinhoso, bondoso, generoso é quase um Deus na visão das pessoas e Lloyde desconfia muito dele, afinal, quem é esse homem? Não tem problemas? Não tem defeitos? No entanto, o longa não é sobre o Sr. Rogers, embora a gente descubra algumas falhas dele, mas sim sobre o amadurecimento de Lloyde como pessoa. Perdoar nunca é fácil, viver com rancor muito menos e o protagonista chega num ponto em que a mágoa o sufoca. Curiosamente, é o Sr. Rogers que ajuda Lloyde nesse processo doloroso.

O filme pode até falhar ao não nos causar impacto necessário, mas Tom Hanks não falha. Está perfeito no papel do apresentador que tem a compaixão como marca. E tem uma excelente química com Chris Cooper. Claramente os personagens são opostos, enquanto um prega pela gentileza e fé na humanidade o outro pelo sarcasmo e descrença.


Algo a se destacar no filme, além das atuações, são as transições de cenas com maquetes que nos remetem ao brinquedos e ao próprio cenário do programa de Sr. Rogers. O filtro usado nas cenas que seriam de TV dá um tom diferente, dificultando descobrir que em que momento exatamente a história se passa. Outro ponto é a montagem do longa como algo dinâmico, educativo e funciona como se fosse, de fato, um episódio do programa, trabalhando muito bem a metalinguagem.

Um lindo dia na vizinhança acaba caindo um pouco no clichê, às vezes muito perto do caricato na parte do drama. No entanto, apresenta uma narrativa contada de modo diferente, com a brilhante atuação de Tom Hanks que sustenta bastante o filme. A história da família Lloyde é bonita, mas sem dúvida, tentar conhecer quem realmente foi Fred Rogers é o que nos prende até o final. 

Trailer


FICHA TÉCNICA

Título: Um lindo dia na vizinhança 
Título Original: A Beautiful Day in the Neighborhood
Direção: Marielle Heller
Data de lançamento no Brasil: 23 de janeiro de 2020
Nota: 3,5/5

Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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3 comentários:

  1. Achei a resenha interessante!
    Não nego que gosto de clichê, então assistiria fácil!

    Bjo,
    www.priscilafrr.com l Instagram l Facebook l Pinterest

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  2. Oi Mi!
    Pena que nao foi impactante o suficiente. Infelizmente nao e o tipo de filme que eu va assistir, principalmente porque confesso, esse carinha nao parece normal KKKKK. Mas fiquei curioso quanto a essas transições de cena. Bem interessante.

    Abraços
    Emerson
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  3. Oi, Mi!
    Provavelmente só irei assistir esse filme por causa do Oscar, já que não é uma história que me desperta muito interesse.
    Beijos
    Balaio de Babados

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