As Cavernas de Aço [Resenha Literária]


Elijah Baley é um detetive de polícia, contente com seu trabalho e sua vida até o dia em que seu chefe lhe atribui o caso mais delicado e perigoso de sua carreira. O Embaixador dos Mundos Siderais foi assassinado e Baley é responsável por encontrar o culpado e evitar o aumento da tensão entre os povos. Mas, é claro, ele não poderá trabalhar sozinho, e recebe um parceiro, R. Daneel Olivaw... e o R. significa robô. Olivaw é diferente de tudo o que Baley já viu, um robô projetado para imitar exatamente a aparência humana; e no caso de Olivaw, isso é bem incrível. Baley deve superar seus preconceitos anti-robô e aprender a trabalhar com ele para resolver o assassinato e, além do mais, precisa desenvolver algo em si que ele próprio desconhece. 

As cavernas de aço funciona tanto como uma obra de ficção científica convincente quanto como uma boa história de detetive. Naturalmente sendo Asimov, você não pode esperar nada menos que um enredo envolvente, personagens fortes e um ritmo acelerado. 

O livro começa com a criação do personagem principal e da premissa básica. Nós passamos por várias voltas e reviravoltas enquanto Elijah e Daneel trabalham para descobrir, não apenas o assassino, mas também as opiniões uns dos outros sobre suas respectivas sociedades. Elijah não é muito gentil com os robôs (a princípio) e há muitas coisas na sociedade humana que Daneel não entende. Portanto, a história é um processo de aprendizado para os dois, mas nunca fica pesada.


Assim, dois grandes temas abordados pelo livro são o preconceito e o passado. Embora o próprio Asimov tenha afirmado que a ficção científica não é uma profecia social, ela pode ser um meio pelo qual boas questões sobre a sociedade podem ser levantadas. 

No caso do preconceito, vemos Elijah se manter no meio do caminho - ele não está completamente de acordo com a integração dos robôs na sociedade humana, mas não nutre um ódio por pessoas com um cérebro positrônico. Ele mantém a mente aberta e deseja envolver a verdade e, através do qual, ensina os leitores a olhar para além de quaisquer diferenças para aprender o outro lado da história de uma pessoa, já que as primeiras impressões raramente estão certas.


Em relação ao passado, o principal antagonista da obra consiste em uma facção extremista conhecida como medievalistas, que procura retornar a um tempo mais simples da história da Terra despejando todas as armadilhas tecnológicas. Novamente, esta mensagem é tratada com uma mão hábil. Embora não seja errado aprender com o passado ou relembrar, há um problema em tentar recapturar o passado, que é o que os medievalistas fazem com extremos excessivos. 

Novamente, em ambos os casos, teria sido fácil transformar o romance em um sermão sobre como devemos aprender com o passado, em vez de viver nele. Mas Asimov evita isso e, permite que os leitores carreguem seus próprios significados.

Do ponto de vista da escrita, As cavernas de Aço é o clássico Asimov. O ritmo é rápido, mas não exagerado. Os personagens são interessantes e bem desenvolvidos, especialmente os dois líderes, e a construção do mundo é crível e sólida. Da mesma forma, ele consegue permanecer uma peça de ficção científica sem se esforçar muito para parecer ou não futurista, (como ter peças de cenário ou acessórios de ficção científica sem estabelecer uma boa razão ou objetivo para o enredo) nem soa como um detetive contemporâneo misturado com robôs. 


O livro é extremamente fácil de ler devido ao seu enredo e personagens envolventes, então eu imagino que capturaria a atenção de um grupo diversificado de leitores, não apenas dos fãs de ficção científica.

Em relação ao conteúdo, alguns palavrões são trocados em situações tensas, mas esses não são generalizados e são pouco frequentes. Além disso, para um mistério de assassinato, há muito pouca violência retratada. A maioria dos eventos, como o assassinato que os dois investigam, se passam em flashbacks e nunca em detalhes gráficos. 


No geral, essa linda obra é uma mistura fantástica de mistério e assassinato da velha escola de ficção científica clássica de Asimov. Suspeito que este romance tenha um grande apelo aos leitores em todos os pontos intermediários. Se você nunca leu nada do autor, este é um ótimo ponto de partida! A edição repaginada da Editora Aleph está linda, e a cada leitura desse mestre do gênero, me apaixono mais e mais!

FICHA TÉCNICA

Título: As Cavernas de Aço
Autor: Isaac Asimov
Nota: 5/5
Onde Comprar: Amazon

 

Natália Silva
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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6 comentários:

  1. Olá, Natália.
    Eu já li alguns livros do autor na minha época de escola. E apesar de não desgostar, não sou muito fã do gênero. Mas achei interessante ter essa parte "detetive" na história e se der vou ler ele.

    Prefácio

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  2. Oie,
    Eu gosto muito de livros policiais, então esse já me chamou a atenção. Não sei se o lado ficção cientifica ia me prender tanto, já abandonei alguns do gênero. Fiquei dividida e curiosa.
    Beeeijoo!!!

    Grazy Carneiro
    Meus Antídotos

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  3. Oi Natália,

    Eu nunca li nada do autor, mas achei interessante e trama e pelo jeito vai agradar vários leitores.
    Eu vou deixar anotadinho para poder ler mais para a frente.

    Bjs e uma boa semana!
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  4. Olá, Natália. Tudo bem?
    Eu estava namorando essa capa e esse livro desde a pré-venda e a amazon me presenteou para kindle. Irei ler ainda esse e amei sua resenha, me fez querer subir na lista de prioridades.

    Beijos, Vanessa
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  5. A Aleph sempre arrasa. Nem me espanto com essas edições maravilhosas.

    Beijos

    Imersão Literária

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  6. Oi Nat!
    Eu queria muito gostar das historias desse autor. Pelo fato de see ficção cientifica eu sempre fico com vontade mas sempre penso que nao vou terminar por achar cansativo ou complexo demais.

    Abraços
    Emerson
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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