Medicina Macabra [Resenha Literária]


Apesar de não ser médica, eu adoro medicina, é uma área tão divertida e acrescentando isso a casos estranhos fica tudo mais interessante ainda! Medicina Macabra é uma reunião de casos insólitos da história da Medicina que ocorreram em um período de trezentos anos reunidos por Thomas Morris. Alguns casos são angustiantes, macabros ou comoventes, outros extremamente constrangedores tanto por conta da doença como também pelos bizarros tratamentos, mas todos mostram sobre as crenças e a sabedoria da época. 

Já pela introdução de Thomas a gente percebe que a literatura médica é cheia de relatos de coisas esdrúxulas e que os médicos na época faziam o que podiam para ajudar seus pacientes. A gente romantiza os séculos passados, mas a verdade é que viver numa época de poucos recursos mediacionais deveria ser horrível.

O livro é dividido em sete incisões (capítulos): Vergonha Alheia, Insólita Medicina, Remédios Irremediáveis, Cirurgias Macabras, Curas Extraordinárias, Histórias Macabras, Perigos Escondidos

Acredito que algumas pessoas até podem rir com os casos de vergonha alheia no primeiro capítulo, em séries médicas de TV os casos em que a pessoa coloca coisas inapropriadas em lugares inapropriados é sempre tratado com deboche, eu particularmente fico sempre preocupada com o estado mental dessas pessoas. Mas é interessante notar que mesmo séculos depois a capacidade das pessoas de fazerem coisas sem pensar direito nas consequências, persiste bravamente. Como no caso do paciente que por estar com prisão de ventre resolve colocar um garfo no ânus para desobstruir a passagem. Eu não duvido que alguém hoje em dia ainda tenha essa brilhante ideia. Nesse capítulo ainda temos uma mulher que colocou dois cadeados na região do prepúcio do amante, um homem que engolia canivetes, entre outros casos que me assustaram pela capacidade humana de fazer coisas idiotas. 

Em Insólita medicina, os casos já começam a dar um certo pavor, mas principalmente pela falta de recursos para fazer um diagnóstico mais decente e com a falta de informação, um médico é capaz de achar que tem uma cobra no coração de um paciente, por exemplo. Situações absurdas ficaram por muito tempo sem uma resposta concreta como uma família inteira sofrer com gangrena (me deu uma dó), ninguém nunca entender como um mulher é capaz de fazer brotar agulhas do corpo, dentes que explodem na boca, uma mulher que urina pela orelha, um garoto que vomita um feto. Tudo muito adoravelmente estranho.


No terceiro capítulo temos os remédios mais bizarros usados por médicos, como comer unhas para provocar vômito. Alguns métodos muitos estranhos são relatos nessa parte, como a tentativa de reanimar um conde soprando fumaça de cachimbo no seu ânus, o pior é que essa não é a parte mais espantosa do caso. No entanto, nada me preparou para o relato dos médicos que usavam pombos para tratamento de convulsões em crianças, o método mais parece um abuso do que qualquer outra coisa. 

No quarto capítulo o tema gira em torno das cirurgias e o quanto algumas foram bem ousadas na época e outras bem assustadoras e irresponsáveis. Acredito que depender de um cirurgião em séculos passados deveria ser um pesadelo, sem anestesia, com risco de infecção, sobreviver era um desafio. E mesmo com a descoberta da anestesia, a medicina ainda tinha muito a descobrir. Interessante observar neste capítulo que os açougueiros, por vezes, faziam papéis de cirurgião também. 

Depois das mais arriscadas cirurgias temos as mais extraordinárias curas, mostrando que às vezes o corpo humano pode ser bem resiliente. Como um médico que sobreviveu a Guerra civil Inglesa e se recuperou de um ferimento mortal, um moleiro que perdeu um braço no maquinário e nem percebeu ou o assustador caso do adolescente que teve um foice atravessada no peito e foi ajudado por um pescador de baleia. 



No sexto capítulo temos Histórias Macabras, mas acho que o título deveria ser Histórias Mentirosas, já que os relatos são bem inacreditáveis. As revistas de medicina às vezes eram enganadas ou gostavam de mostrar casos difíceis de acreditar. Neste capítulo duas histórias me pareceram realmente assustadoras e macabras. O relato do homem que perdeu a sensibilidade do pênis por tanto se masturbar e resolveu usar uma faca e o caso do pai idiota que afogava o filho bebê diversas vezes ao dia para transformar a criança num anfíbio. 

O último capítulo é dedicado aos Perigos Escondidos, doenças onde a gente menos espera, como o consumo exagerado de pepino ou estudar demais. O médico que escreveu sobre os perigos dos estudos excessivos acerta em cheio ao alertar para o sedentarismo e problemas emocionais. Também temos o caso do artigo que alerta para o perigo de deixar de fumar, o perigo de uma dentadura de marfim ou ainda o perigo de se brincar com guarda-chuva, a criança conseguiu a proeza de perfurar a medula espinhal, entre outros casos igualmente curiosos. 


Thomas Morris me mostrou que os títulos das revistas de medicinas podem ser fascinantes e que os médicos podem ser mesmo seres mórbidos e ainda bem, porque graças a curiosidade deles a medicina avançou incrivelmente. Como li um pouco por dia, quando terminei Medicina Macabra fiquei com saudades, todo dia eu tinha uma dose de algo absurdo do século passado. Foi uma ótima leitura, não só pelo lado macabro dos acontecimentos, mas também porque o autor consegue nos explicar bem o contexto da época e de cada caso. Acabou sendo uma leitura mais rica do que eu imaginava.

FICHA TÉCNICA

Título: Medicina Macabra
Autor: Thomas Morris
Nota: 5/5
Onde Comprar: Amazon e DarkSide® Books

 

Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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6 comentários:

  1. Oi, Mi! Tudo bom?
    Edição + plot, como sempre, me fazendo desejar muito um livro da DarkSide. Não tá na minha lista de prioridades, mas com certeza é uma leitura pra sair da minha zona de conforto - e pelo que você mencionou, vou curtir!

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  2. Olá, Michele.
    Confesso que achei que esse livro fosse de terror. O título aliado a editora me fizeram ter uma ideia errada hehe. Mas achei interessante e se de vou ler ele. Lembrei aqui de uma coisa que aconteceu no PA aqui da minha cidade quando minha mãe infartou e passei a noite de acompanhante dela. O cara chegou com um negócio enfiado que nem te conto hehe.

    Prefácio

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  3. Eu li Medicina dos Horrores e foi uma experiência única. Quando vi Medicina Macabra, eu quis imediatamente porque aposto que vou adorar. Acho bem curioso o conteúdo do livro e seria uma leitura bem diferente.

    Abraço

    Imersão Literária

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  4. Taí um livro que queria muito ler. Essa edição lindíssima deve dar um up na experiência da leitura.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Olá,
    Não sou uma apaixonada por medicina, aliás é bem o contrário disso. Mas sou uma apaixonada por séries médicas e lendo sua resenha senti que a leitura deve ser meio que isso. Senti agonia só de ler o que escreveu, mas curiosa também. Controversa, eu sei, mas deu vontade de entender melhor esses casos meio bizarros.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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