Dark [Resenha da série]


É muito difícil falar de Dark e mais difícil ainda é falar sem spoiler, a premissa pode parecer simples: o sumiço de duas crianças afeta uma pequena cidade fictícia da Alemanha chama Winden. No entanto, Dark é muito mais do que isso e o texto abaixo contém MUITO SPOILER.

SPOILER

Eu gosto de histórias com viagens no tempo e com Dark não foi diferente, a trama é muito bem amarrada em três épocas 1953, 1986 e 2019 e o fato de ir e voltar várias vezes não obedecendo ordem cronológica, deixa o telespectador um pouco confuso. Fazer a ligação entre as família pode ser bem complicado, assim como identificar todos os personagens nos saltos temporais, até porque a série nem sempre faz questão de nos mostrar quem é quem, para nos dar um pouco mais de suspense.

Persongens


Confesso que no início eu tive dificuldade de encarar Jonas como protagonista e nem é um personagem que me inspira muita empatia, não só em 2019, mas o seu eu futuro também. Jonas Kahnwald da atualidade sofre com o suicídio do pai e acredita que ele tinha algum segredo que não poderia ser revelado. Jonas tinha razão! Mas é curioso que o homem desconhecido que tenta ajudá-lo seja o seu eu do futuro e num futuro mais distante ainda ele se torna Adam, líder da Sic Mundus. A organização com viajantes no tempo quer causar o apocalipse e construir um novo mundo onde as regras cronológicas não existem. Jonas é apaixonado por sua tia, embora não saiba! Isso porque Martha é filha Ulrich e Katharina, irmão de Mikkel que some no primeiro episódio da série. Mikkel se perde na caverna da cidade, que é um buraco de minhoca, e fica preso em 1986. Sem saber como voltar para seu tempo, Mikkel é adotado pela enfermeira Ines Kahnwald e passa a viver no passado. Ele se torna Michael, cresce e se casa com Hannah e os dois têm o Jonas. Mikkel não tem coragem de mudar seu futuro e perto do dia que ficaria perdido, o seu eu adulto se mata. Acho que por si só, essa história é capaz de dar um nó na nossa cabeça, mas tem muito mais.

Ao longo da série vamos acompanhar Ulrich e Katharina Nielsen desesperados em busca do filho Mikkel, mas vamos vê-los também 1986 como rebeldes e valentões, causando bullying em Regina, filha de uma das personagens mais importante da série, Claudia. Filha do policial da cidade, Claudia assume a usina nuclear da cidade e descobre sobre as viagens do tempo, sendo a responsável por tentar impedir o Apocalipse. Outro personagem importante é H.G. Tannhaus (que me parece uma referência ao autor de ficção científica H. G. Wells). Relojoeiro de Winden na década de 1950, começa a receber visitantes estranhos que se dizem viajantes do tempo, inclusive Claudia aparece pedindo que ele arrume uma máquina do tempo. H.G desenvolve o conceito de viagem temporais e um dia um dos viajantes deixa um bebê com ele, Charlotte. 

Uma das minhas personagens preferidas, Charlotte é a policial da época atual e tenta descobrir o mistério por trás do desaparecimento das crianças. Ela é casada com Peter (que é gay, o que obviamente traz problemas no casamento) e tem duas filhas, a esperta Elizabeth (que é surda) e Franziska que tem um romance com Magnus, irmão de Mikkel e Martha. Gosto bastante desse núcleo na série e fiquei bem chocada com a relação de Charlotte com a filha mais nova. 


Já quem eu não gosto muito é de Hannah, mãe de Jonas. Dissimulada, sempre foi apaixonada por Ulrich, embora fosse amiga de Katharina e no tempo atual tem um caso com o seu amor da adolescência. Katharina é bem chata na adolescência, mas nem ela merecia o Ulrich traidor, aliás, o personagem também fica preso no passado.

Por fim, mas não menos importante, temos Noah, agente da Sic Mundus, que realiza testes com as crianças desaparecidas. Fanático em suas crenças é um personagem que tenta salvar sua família, ainda que tenha que fazer coisas bem cruéis.

Enredo

Dark tem muitos personagens e todos de alguma forma afetam a história. Acho interessante que o roteiro gosta de brincar fazendo referências a IT e Stranger Things, mas também se relaciona a fatos reais. Por exemplo, os acontecimentos da série são cíclicos, acontecem a cada 33 anos, assim como o ciclo lunar e o ciclo solar se sincronizam no mesmo período de tempo. Albert Einstein e Nathan Rosen chegaram a fazer uma hipótese de se viajar pelo espaço-tempo também por um buraco de minhoca. E o acidente de Chernobyl aconteceu em 1986, um dos tempos explorados na série. O buraco de minhoca é numa caverna que tem ligação com uma usina nuclear. Outro conceito interessante na série é o paradoxo de bootstrap em que tudo pode acontecer ao mesmo tempo, o futuro inclusive pode alterar o passado e as informações ou objetos podem existir sem terem sido criados. 

Quando chega na segunda temporada o passado e o futuro foram bem explorado e na terceira temporada temos o conhecimento do segundo mundo, interligado ao mundo que já conhecíamos. Neste novo universo Jonas não existe, Martha continua insuportável e apesar de algumas diferenças, o Apocalipse nesse mundo também existe. Descobrimos que Adam (Jonas) e Eva (Marha) estão em lados opostos e possuem um filho que liga os dois universos. Mas é Claudia, a verdadeira rainha dessa série. Ela é a única que foi capaz de descobrir a verdadeira origem do caos que Jonas e Martha insistem em recriar constantemente. 


Gostei da série não repetir tudo quando o segundo mundo foi apresentado, evitou que o enredo ficasse cansativo. No entanto, achei que faltou um pouco mais de protagonismo para Claudia, uma personagem tão importante precisava ser mais explorada na última temporada, até mesmo de uma maneira mais detalhada de como ela chega na origem, infelizmente, achei essa parte rasa. 

O final da série é poético, todo mundo envolvido no nó desaparece, sobra quase ninguém. Gostava do romance de Magnus e Franziska, tinha simpatia pelo coitado do Mikkel, mas não lamentei pela Martha. Aliás, Martha pegou o sobrinho e o tataravô, coisas de Dark... Elizabeth foi uma das personagens que mais sofreu, perdeu todo mundo e queria um final feliz pra ela.

Considerações finais

Acredito que mais do que uma série sobre viagem no tempo e mundos paralelos, Dark é uma série sobre casos de família. Todo mundo precisava em algum momento de terapia familiar e também tomar um belo banho. Não quero nem imaginar quantos anos Jonas ficou com a mesma cueca, mas é uma série que também fala sobre o amor. No fundo, os sentimentos de Jonas e Martha ajudaram a perpetuar os sofrimento de todos e Tannhaus não soube lidar com a dor do luto, provocando todo o caos que assistimos. 


Enfim, Dark é uma série maravilhosa, com uma seleção de elenco incrível, uma das melhores séries de ficção que já vi. E cheguei a conclusão de que não importa quando tempo passe, o ser humano sempre sofrerá com a morte.

Ah Claudia rainha, Martha nadinha.

Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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12 comentários:

  1. Oi, Mi! Tudo bom?
    Eu pulei seu texto por causa dos spoilers, mas vim comentar que tô pra começar a ver Dark agora que tá finalizado e prontinho e tenho certeza que vou curtir. Minha mãe adorou, a Bianca ama, tem tudo pra ser favorita pra mim.

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  2. nossa, mas essa serie é mt sensacional e merece demais ser exaltada!!!!

    www.tofucolorido.com.br
    https://www.instagram.com/liviaalli/

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  3. Oi Mi,

    Todo mundo falando da falta de banho na série hahaha.
    Tambem não fui fã da Martha desde o começo e mesmo no final ainda não gostava dela.
    Achei que a trilogia finalizou bem e respondeu bem todas as perguntas e teorias que estávamos pensando.
    Agora pensa como é difícil entender tudo isso no geral hahaha, estou há uma semana tentando fazer uma resenha da terceira temporada, mas tá difícil não dar spoilers e tentar explicar tudo. Mas uma hora sai rs.


    Bjs
    http://diarioelivros.blogspot.com/

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  4. Oi Mi!!! Eu assisti a primeira temporada e confesso que buguei rsrs. Menina do céu, é muito complicada. Mas quando entendi toda a lógica acabei compreendendo. Assisti alguns episódios da segunda temporada, porém o sono não me deixou ficar presa (só tenho tempo a noite). Quero maratonar em algum feriado (oremos).
    Beijos
    https://www.aculpaedosleitores.com.br/

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  5. Olá,
    Já vi várias recomendações para assistir essa série. Tenho curiosidade mas tem uma parte de mim que tem um pé atrás, como se eu não fosse gostar.
    Provavelmente um dia assisto, para matar a curiosidade.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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  6. Olá, Michele.
    Só posso dizer obrigada pela sua postagem. Eu não sou fã de histórias de viagem no tempo mas me envolvi com Dark e quando percebi estava maratonando a série. O problema é que não entendi muita coisa hehe. Por isso agradeço pelas explicações hehe.

    Prefácio

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  7. Oi, Mi

    Eu ia começar antes da estreia da terceira, mas fiquei com preguiça. Porém, vou assistir em breve. Não li a postagem por conta dos spoilers e quero assistir sem saber de nada, mas só de saber que você curtiu já me deixa mais animada.

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  8. Oie!

    Fiquei foi bem louca com Dark, chega a uma certa altura que a gente até desiste de entender!!
    Mas a série é incrível, e no fim a explicação é tão simples que a gente se sente meio bobo!! hehe

    Parabéns pela resenha!!
    Beeijo

    http://estanteflordelis.blogspot.com

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  9. Claudia muito rainha mesmo e realmente faltou um maior protagonismo nela.
    Mulher, acredita que o Jonas é a cara do meu ex boy? Imagina só então assistir a série hein kkkkk
    Enfim... Dark foi uma das melhores séries que assisti nos últimos tempos e pretendo rever algum dia
    Beijos
    Balaio de Babados

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  10. Oi Mi! Essa série é muito boa mesmo, cada vez que revemos um episódio, algo novo aparece. Eu adoro. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  11. Que resenha incrível! Não vi a série ainda, mas pretendo.

    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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