DVD: Devoção Verdadeira AD [Resenha Literária]


DVD: Devoção Verdadeira AD é o segundo livro de contos de terror do autor nacional Cesar Bravo.

Os contos tem a cidade interiorana Três Rios como cenário. Recomendo ler a sequência, pois mesmo que os contos não sejam uma continuação em si do primeiro livro, temos algumas referências e inclusive personagens que são pontos chaves do primeiro. A leitura se tornará mais rica se realizada na ordem correta.
"Desde que o mundo é mundo, sempre alguém precisou morrer para outro pudesse nascer."
No primeiro livro, nos sentimos como espectadores de um filme rodado em fita cassete. Agora, é como se voltássemos ao tempo dos famosos DVDs.

Cesar nos traz de volta a Firestar, a locadora mais amada de Três Rios. Nos reencontramos com Renan, agora homem feito, pai de família. Mas seu amor por filmes continua intacto, e inclusive ele ainda trabalha na Firestar, agora como sócio.
"(...) tem coisas nessa fita que nunca mais vão sair da sua cabeça."
Desde o desfecho da primeira coletânea de contos, já sabíamos que Três Rios tinha mais histórias Macabras escondidas em suas ruelas, e agora podemos conferi-las. No geral, o livro trouxe várias histórias das quais gostei, e algumas que não conseguiram me satisfazer por completo. Vamos começar falando das melhores!


O primeiro conto, Pandemonium, é rápido, porém trágico. Um filme poderia influenciar as decisões de um adolescente? Ou será que este filme pode guardar um mal tão grande, mas tão grande, que uma vez visto poderia levar o espectador a loucura? Loucura ou uma forma clara de enxergar o mundo? A interpretação é sua.

A voz que caminhava traz muita nostalgia! Inclusive um walkman. Se você viveu a magia dos anos 90, vai se lembrar de todo o caos que o ano 99 trouxe acerca do fim do mundo. Muita gente enlouqueceu! E um misterioso walkman perdido no quartinho de uma família, foi o responsável por deixar uma garotinha por dentro dessas notícias. Esse foi um dos meus favoritos, e acredito que ele faria ainda mais histórias.

Sopa de Letrinhas foi o mais surpreendente. Mesmo com algumas características que não me agradam em obras literárias modernas, eu me mantive presa e não consegui prever o desfecho (que foi sensacional).

Cesar explora as peculiaridades das cidades pequenas. E eu, que sou moradora de uma, compreendi muito bem toda a sua maestria, em misturar características comuns com ficção.

O conto Autocine foi o que mais me remeteu a essa particularidade. Inclusive, foi ele que me fez ter mais envolvimento com os personagens. Acho que esse apego me fez torcer para um final feliz (algo difícil em um livro de terror). E se a ganância colocasse em jogo a vida de dois jovens apaixonados?


Três Rios, como qualquer cidade pequena, tem dessas coisas. Briga por pedaços de terra, briga por dinheiro. E em meio aos peixes grandes e velhos, temos jovens que tentam viver normalmente, pessoas que gostam de rock e filmes de terror. Como Yuri e Liliane, que foram curtir o lançamento espetacular do filme Seven em um autocine da cidade.
"Em Três Rios não existe felicidade, por aqui rir demais é sinônimo de ser besta."
O clima de nostalgia se esvai com a ameaça relutante de uma invasão ao lugar. Conseguiriam escapar?

No primeiro livro, um dos contos que mais gostei foi Jezebel (uma galinha que desenvolveu uma doença sanguinária). Em Bom Pra Cachorro, conto presente nesta coletânea, não só reencontramos Jezebel como também temos uma prévia do seu fim.

A leitura no geral é gostosa, e por mais medonho que sejam alguns contos (afinal, o tema principal é o terror) se torna impossível não se contagiar com toda a nostalgia que a obra traz pra nós, nascidos nas décadas de 80 e 90. Todas as referências citadas, de filmes, de músicas, de cultura pop no geral; o estilo de vida… enfim, deixa a leitura inestimável.


Alguns contos não conseguiram me agradar, algo particular logicamente. Eu confesso que não curto alguns clichês típicos do terror, que não são específicos dos nacionais, é algo do terror contemporâneo mundial (não é exagero). A necessidade em criar cenas com urina, a pegada cômica que por vezes não cabe no cena. E esses clichês não estavam tão evidentes no primeiro livro, o que me faz avaliar o primeiro como melhor.

Mesmo com essa ressalva, que não é uma crítica direta ao autor, mas sim nos clichês usuais que se arrastam na maioria dos nomes célebres do gênero, é uma boa leitura, garante medo e nostalgia.

A edição é um presente. Rica em detalhes que remetem ao enredo e a ideia central do autor.

FICHA TÉCNICA

Título: Devoção Verdadeira AD
Autor: Cesar Bravo
Onde Comprar: AmazonDarkSide® Books


 

Bianca Gonçalves
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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3 comentários:

  1. Oi Bianca,

    Confesso que esse livro não é meu tipo de leitura, por isso vou deixar passar.
    A edição está muito bonita, da vontade de ter o livro só por ela rs.

    Bjs
    https://diariodoslivrosblog.blogspot.com/

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  2. Olá, adorei o livro porque é um tipo de leitura que gosto bastante. Amei essa capa.
    Beijos!
    https://deliriosdeumaliteraria.blogspot.com/?m=1

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  3. Olá,
    Eu gsto de contos, por isso adorei a ideia da coletânea.
    Deu saudades dos tempos das locadoras, era tão bom. E acho que vou curtir mesmo a vibe nostálgica.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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