Crimes Vitorianos Macabros [Resenha Literária]



Crimes Vitorianos Macabros é mais uma obra que sai da união Macabra e Crime Scene da DarkSide® Books! E quem leu Vitorianas Macabras (CLIQUE AQUI) já sabe que nada mais gótico e sombrio do que a era vitoriana! Agora quatro renomados historiadores do tema revelam as realidades terríveis desse aspecto da vida da época, oferecendo um perfil não apenas dos criminosos e suas vítimas, mas também de policiais, cientistas forenses e outros que mergulharam nas sombras do século XIX.

O livro é dividido em 9 temas: À sombra de Jack, A lei e os Carrascos, Casos Sinistros, Casos Sem Solução, Crimes Insanos, Infância Roubada, Lady Killer, Terrorismo & Crimes Políticos, Puro Veneno. Cada parte detalha todos os aspectos mais macabros dos temas, sempre com excelentes e impactantes ilustrações.

Nunca me canso de ler sobre Jack, O estripador, mas em Crimes Vitorianos Macabros mais do que saber do tão famoso assassino, conhecemos um pouco dos policiais que tentaram desvendar o caso, como Donald Sutherland Swanson, além de conhecer outros assassinos confundidos com Jack.



Achei interessante também que a obra passa pelos carrascos, que também ganharam fama numa época que a ciência forense não tinha a tecnologia de hoje. Confesso que nessa parte me senti desconfortável, as execuções eram um espetáculo mórbido demais e a morte poderia demorar longos 25 minutos de agonia. No entanto, James Berry aperfeiçoou a técnica de enforcamento para ajudar o condenado a morrer rapidamente e William Marwood foi considerado o primeiro carrasco científico ao questionar o método de "queda curta” do estrangulamento.

Sem dúvida a terceira parte é uma das mais brutais por nos apresentar Casos Sinistros que vão desde a serial killers, inúmeros feminicídio, homofobia, canibalismo, entre outros. É nesta parte que temos mais destaques para histórias que realmente influenciaram Charles Dickens que retratou muito bem as condições precárias da época em obras como Oliver Twist. Infelizmente, já não choca a quantidade de contos nessa parte em que a vítima é a mulher e ainda temos os casos que em que homossexualidade era considera crime no Reino Unido (como no caso de Oscar Wilde), o que fazia com que muita gente sofresse e chantagem na época.


Depois temos os Casos Sem Solução, afinal, não era fácil fazer uma investigação completa na época sem a tecnologia que temos hoje. O que me chamou a atenção foi a quantidade de corpos no Rio Tâmisa, mais fácil achar um morto do que peixe. Já nos casos insanos é um tanto perturbador ler sobre os manicômios na época.

Em Infância Roubada vamos acompanhar histórias de abuso infantil, tutores corruptos, infanticídio (policiais recolhiam gatos e bebês mortos com a mesma indiferença), entre outros casos que comprovam que era muito difícil ser criança na era vitoriana. O caso mais chamativo é sem dúvida de Amelia Dyer, chamada de Baby Farmer, que ganhava para adotar os filhos indesejados, mas depois de um tempo ela os matava. Casos assim eram comuns na Inglaterra. Também é bastante triste o caso da instituição Surrey Hall onde crianças morriam de fome e maus tratos, seu administrador Peter Drouet nunca foi incriminado.


Em Lady Killer vamos conhecer os casos de mulheres assassinas, seja por motivos passionais, por serem psicopatas ou ainda para se livrarem de abusos. Catherine Wilson matou pelo menos 7 pessoas envenenadas e só se começaram a suspeitar dela quando uma de suas vítimas cuspiu o remédio que corroeu as roupas de cama. Uma mulher fria, calculista, manipuladora e envenenadora de qualidade. Aliás, venenos eram uma arma muito comum na época, como no caso de Mary Ann Cotton, acusada pela morte de 4 pessoas, mas pode ter sido responsável pelo envenenamento de mais vinte, incluindo seus filhos, enteados, maridos, amantes, cunha e a própria mãe!

Em Terrorismo e Crimes políticos temos manchetes sensacionalistas de esquartejadores de mulheres, envenadoras de criança e terrorismo. É nesta parte que o livro relata sete vezes que tentaram algo contra a Rainha Vitória. Por fim, em Puro Veneno temos um pouco mais de casos que usam arsênico, ópio e estricnina numa época em que não havia tanto controle sobre essas substâncias. Embora fosse a maneira mais usada por muitas Lady Killers, alguns homens também usavam veneno para matar, como por exemplo, o médico Willaim Palmer que matou a esposa e o irmão, talvez até os filhos, para ficar com o dinheiro do seguro e de heranças.


Crimes Vitorianos Macabros apresenta histórias chocantes e aterrorizantes nos contando um pouco sobre os horrores do cotidiano da época. Uma excelente leitura principalmente para quem gosta de crimes reais. E vale destacar que no início tem uma introdução que nos explica exatamente qual o período abordado na obra, para caso haja estranhamento de alguns casos terem ficado de fora. Edição no capricho da DarkSide® Books.

FICHA TÉCNICA

Título: Crimes Vitorianos Macabros 
Autores: Kate Clarke, M.W. Oldridge, Neil R.A. Bell, Trevor Bond
Onde Comprar: Amazon e DarkSide® Books


 
Michele Lima
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Sobre O que tem na nossa estante

É amante de livros, filmes, séries e adora uma boa música. Escreve para O Que Tem Na Nossa Estante.

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1 comentários:

  1. Oi, Mi! Tudo bom?
    Eu tenho curiosidade com esse por motivos de historiadora, parece realmente uma enciclopédia tenebrosa daquela época. Vou ficar de olho nos preços durante a BF!

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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